Depoimentos

DEPOIMENTOS | 12ª CINEOP – 2017

“A CineOP é um dos certames cinematográficos mais importantes do Brasil, porque ela se dedica de maneira pioneira e exemplar ao debate sobre a preservação do patrimônio fílmico, do patrimônio do audiovisual, que gera um acervo maravilhoso carente de cuidado especiais. Nós sabemos que os filmes antigos, por exemplo, são feitos de uma película de fácil combustão. Essa discussão, a busca de técnicas, de tratamento adequado para a conservação do material fílmico e do audiovisual de um modo geral, é da maior importância. Nós temos que preservar a sétima arte, inclusive já compreendendo as novas tecnologias e sabendo o que elas vão deixar para o futuro, para que possamos ter uma compreensão geral do futuro e estarmos preparados para a conservação dessas obras de arte. A CineOP traz esse universo da questão do patrimônio cinematográfico, ao mesmo tempo que debate a atualidade do cinema, os caminhos do audiovisual e da cinematografia. É um dos festivais mais ricos em termos de conteúdos cinematográficos, acadêmicos, científicos e culturais.”
Angelo Oswaldo –secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais | MG

“Cinema é um universo democrático. Não tem filme negro e nem filme branco. É cinema. Não existe filme com dinheiro ou sem dinheiro. O verdadeiro cinema nasce da fonte de criatividade e genialidade. Depende de um olhar e esse olhar que se faz aqui na CineOP é fundamental para mostrar que é um encontro e um evento que é democrático, assim como em Tiradentes. Cinema é essa janela. Nós não somos os senhores da verdade. O olhar que mostra para que as pessoas tenham uma janela crítica e se vejam. A CineOP e esse movimento comandado pela Fernanda e toda a sua equipe marcam um gol de placa. Negros, brancos, indígenas, são todas as tribos com um olhar do cinema, com um olhar generoso e democrático que é o cinema. Nada mais que aplaudir esse olhar.”
Antônio Pitanga –ator | RJ

“Cinema é arte e a arte é o que a gente, todo mundo precisa. Cultura, tradição, Congado, esse cortejo é incrível. Sou moradora de Ouro Preto e acho a CineOP um festival muito legal. Minha filha vir ao cortejo e às sessões dedicadas às crianças. É um prazer ter o festival na nossa cidade.”
Aline Testasicca–assistente social e moradora de Ouro Preto | MG

“Desde que eu frequento a Rede Kino e a CineOP, do ponto de vista da educação, foi o melhor ano que eu já vim aqui. E a partir disso tem duas coisas: uma é essa temática que reflete a questão indígena, que é absolutamente fundamental. Eu acho que ela nos traz desafios políticos, metodológicos e éticos, de urgência, que são muito importantes. A CineOP ter optado por essa temática foi incrível. A outra coisa é que a cada ano eu saio daqui muito tocado pela importância que é esse encontro, onde efetivamente é o lugar responsável hoje, que se vê um crescimento tão importante nas práticas que se reproduzem na universidade, intelectualmente, que não tem mais o Brasil como limite e começa ser traduzido e exportado para outros países. Nesse campo do cinema e educação, eu acho que a CineOP tem um papel fundamental. Eu diria que essa edição, por um lado, foi a continuidade de uma coisa muito importante e, por outro, por conta de certas escolhas, de certas pessoas que vieram este ano, certos filmes que foram exibidos, se tornou um ano muito especial.”
Cezar Migliorin–professor da UFF | RJ

“A Mostra foi o lugar ideal para estrear o filme, porque ele combina com o espírito do festival que é a restauração e preservação. Não podia ter tido um melhor lugar para estrear um filme. A CineOP é um máximo. É o único festival que trata realmente da preservação e da história dos filmes e dá importância aessas causas. As associações e as pessoas que são memorialistas se encontram aqui. É um grande encontro de arquivos. Eu acho muito importante essa temática do festival.”
Alice Gonzaga –diretora da Cinédia | RJ

“Um encontro dedicado para debater as questões dos arquivos é fundamental e muito importante. Creio que é muito bom conversar com pessoas que trabalham com arquivos. Temos muito o que conversar e muitas experiências para trocar. Temos muito que aprender com as experiências do Brasil, do México e do Chile, e creio que podem aprender com as nossas experiências. Temos basicamente os mesmos problemas e buscamos as mesmas soluções. Então esse intercâmbio entre os países é muito importante.”
Andrés Levinsson–preservador audiovisual do MuseodelCine de Buenos Aires | ARGENTINA

“O Brasil é um país muito grande e o número e instituições que lidam com a preservação do audiovisual também é muito grande. São mais de 60 instituições espalhadas pelo Brasil inteiro e o acervo que existe é descomunal. Então, para você trocar experiências, apresentar novidades, ganhar consistência política e afinar um discurso, você precisa de um fórum. O que aconteceu com a Mostra de Cinema de Ouro Preto, que já é um evento ligado à ideia de patrimônio, é que este fórum de patrimônio se transformou num fórum político de patrimônio. Então, a importância maior da CineOP seria esse espaço que congrega, que coloca pessoas que têm interesses em comum para agirem em conjunto, para criar ali uma estratégia de luta, uma agenda e um objetivo a ser alcançado de forma imediata ou a longo prazo, mas enfim, conquistar ali uma transformação nas condições de preservação do audiovisual brasileiro.”
Hernani Heffner–curador adjunto da Cinemateca do MAM | RJ

“É fundamental debater o tema preservação em um festival como o da CineOP. O Plano de Preservação que está sendo debatido aqui está sendo costurado hádez anos na CineOP. Eu venho participando da Mostra desde a segunda edição e esse Plano é a cereja do bolo, ou seja, é uma normalização da preservação no Brasil. Porque hoje cada entidade faz a preservação do seu jeito e nem sempre é da forma correta. Então, esse Plano vem para normalizar. Todo mundo vai realizar a preservação seguindo uma cartilha. Foi muito emocionante ser homenageado aqui na 12ª CineOP. É uma coisa inesperada para mim, eu faço os livros há muito anos e é um trabalho que não tem muito reconhecimento no Brasil. Então, de repente ser homenageado aqui, justamente em Ouro Preto, onde tá todo o pessoal da preservação, um lugar que eu gosto e venho todo ano, me deixou muito feliz. Ontem foi um dia que me emocionou bastante.”
Antonio Leão –pesquisador, colecionador, escritor e homenageado da Temática Preservação | SP

“O primeiro parágrafo do Plano Nacional de Preservação fala da necessidade de manutenção da integridade do documento e de garantia permanente da possibilidade de sua experiência intelectual. Eu acho isso de extrema importância, porque remete à materialidade do documento, as imagens como documento e não como ilustração de conteúdo, como geralmente ela aparece na mídia. Quando finalmente há um interesse sobre os arquivos, esse interesse é muito utilitarista, é uma coisa no sentido único, não é em duplo sentido. O que nós estamos fazendo nos arquivos, qual é a nossa política de preservação, como nós podemos interferir na preservação de um documento audiovisual; quando, enquanto cineasta e documentarista, nós tiramos a imagem de arquivo, o que nós estamos dando em troca dessa retomada? Em que medida eu contribuo com os filmes que eu vou fazer para uma sobrevida do arquivo, uma nova vida do arquivo. A imagem de arquivo é uma matéria frágil que precisa do nosso cuidado, da nossa atenção. Preservar não é preservar a coisa morta e simgarantir a sobrevivência de algo que ainda pulsa, que é vivo e que trazvestígios da nossa história. Sem isso não há memória coletiva. A preservação é uma coisa difícil, cara, onerosa e rara num país como o Brasil, onde o apagamento da história sempre serviu às elites. As políticas de memória no Brasil são muito insuficientes.”
Anita Leandro –documentarista e professora da UFRJ | RJ

“É fundamental que o patrimônio se possa seguir. A importância de um acervo é resguardar para que no futuro exista história. Se não resguardamos, não temos a consciência do que temos, do que é o passado e para onde vamos. A importância dos acervos é fundamental para a memória. Um país sem memória não tem um bom futuro. É fundamental a discussão da CineOP sobre os acervos, pois oficialmente necessitamos entender a nossa história, entender como funciona, ter acesso, poder ver, escutar, ler e sentir.”
Carlos Ovando –encarregado da unidade técnica de restauração fílmica da Cinemateca do Chile | CHILE

“Eu acho que a 12ª CineOP está sendo muito legal, rolando direitinho, as mesas estão acontecendo dentro do horário, as mesas de preservação, sobretudo, estão muito legais, as pessoas convidadas estão fazendo suas comunicações muito úteis e muito proveitosas para todo mundo. Eu acho a CineOP um fórum privilegiado, é o único evento atualmente que reúne pessoas que se interessam pelo tema da preservação, e esses encontros vêm acontecendo aqui e eu acho que finalmente a gente chegou num patamar, senão maravilhoso, muito bom.”
Carlos Roberto de Souza –presidente da ABPA | SP

“É incrível ter meu filme estreando na CineOP, que é um festival que trabalha com a preservação e com o patrimônio. O filme dialoga com as duas vertentes, fala sobre o negro, da exploração do corpo etc. O contemporâneo e o passado estão no filme e isso casa perfeitamente com a proposta da CineOP.”
Carlos Segundo –diretor de Balança Brasil | MG

“Eu sou um cineasta de uma geração que já começa no digital. É uma dúvida, porque o digital está em constante transformação, cada ano aparece um formato novo. Eu, para garantir, quando faço um filme, coloco em todos os formatos possíveis: Vimeo, YouTube, DVD, HD externo, distribuo para canais que vendo meus filmes. Fico pensando que, se acontecer alguma coisa, meu filme vai estar por aí, nessa nuvem digital que existe. Na verdade, ter um festival como a CineOP, que fala dessa questão de preservação, é bem legal. Os realizadores de uma forma geral, e eu me incluo nisso, não têm muito essa preocupação. A gente coloca o filme num HD e pronto. Só que esse HD é muito frágil, se ele cair, ele quebra, então imagina só aquele trabalho que você fez, aquele esforço todo que você fez para gravar um filme e o dinheiro todo que você gastou, ir embora de uma forma tão rápida. É uma questão que precisa ser levantada. Como armazenar esse material digital, onde é o local mais seguro e que vai manter a qualidade, isso tudo é uma grande questão que precisa ser debatida, não só com arquivistas e acadêmicos, mas também com cineastas.”
Cavi Borges –produtor e diretor | RJ

“Bastante importante a parceria. Ouro Preto já está nesse circuito audiovisual há12 anos. A Ufopapoia em todas as edições. É importante para o ponto de vista educacional, para criar o público para o cinema. A gente considera que essa casa, o Vila Rica, é muito importante do ponto de vista histórico, pois é uma casa que resiste ao tempo. Esse tipo de cinema não existe mais, e isso eleva a importância desse espaço.”
Claudia Aparecida Marliere–reitora da Ufop| MG

“Eu tenho a maior admiração por essa Mostra. Tem uma seriedade na curadoria muito importante. Aqui é um lugar onde se discute cinema a sério. É um lugar que eu sempre tenho muito prazer de vir. Dessa vez vim com o coração aquecido. Fico meio encabulada, porque meu trabalho é muito atrás das câmeras e vou aproveitar e homenagear todos os montadores brasileiros que muitas vezes não sãoreconhecidos. Todo mundo faz o cinema brasileiro, alguns poucos conseguem realizar sozinhos. Mas, no geral, é uma soma de capacidade, de energia. Diretor carrega a maior responsabilidade, mas acho que a soma dessas energias que fazem o filme, que fazem o cinema.”
Cristina Amaral –produtora e montadora homenageada na Temática Histórica | SP

“Criar um espaço voltado para o cinema dentro da escola foi revelador para muita gente. A gente aprendeu e desaprendeu muito com os alunos. Eles participaram de inúmeros festivais. Quando sentiram o cinema dentro deles, passaram a ter muita confiança. Quando a gente sente essa apropriação é muito forte e a educação começa a fazer sentido. É legal a gente poder compartilhar esses projetos e com outros educadores. É tanta coisa legal, é tanta coisa para aprender para ser usada com seus alunos. A CineOP é uma inspiração.”
Daniella D’Andrea Corbo–educadora e representante do projeto Escola de Cinema Cinead: Cinezé Arte Educação – Um Relato sobre Aprender eDesaprendernum Povoado Rural| RJ

“É muito importante falar da felicidade do SescMinas em ser parceiro da Universo nessa programação da CineOP, especialmente  porque a Mostra tem essa percepção do cinema como um patrimônio cultural, a identidade de uma nação e da sociedade local. É um imenso prazer estarmos juntos, participando não só como parceiros, mas com uma programação cultural pensada junto com a Universo, que está relacionada com o tema da Mostra, com uma programação diversa, de música, ao longo de todos os dias de CineOP. Então, a gente acredita que é uma parceria duradoura.”
Eliane Parreiras –assessora de cultura do Sesc | MG

“Os filmes trouxeram aspectos além do cotidiano. Achei bem interessante. Na minha escola eles tentam debater as coisas que acontecem. Achei importante ter o debate depois de assistir. É bom falar sobre os filmes e nossas impressões.”
Rafaela Resende –estudante e espectadora do Cine-Escola | MG

Martírio é um filme muito importante, porque ele faz um percurso histórico por todas as questões indígenas do nosso país, fala de reforma agrária, fala de política. Ser exibido na praça Tiradentes, que carrega todo um contexto histórico do nosso país e com cinema lotado, é muito interessante, pois faz com que as pessoas que assistiram ao filme reflitam. E reflexão é o principal papel do cinema. É importante que as pessoas da cidade de Ouro Preto tenham acesso a esse tipo de filme.”
João Gabriel Tréz– jornalista | CE

“Esta edição já mostra um trabalho que já é consistente, um trabalho sistemático, que vem se desenvolvendo e se aprimorando a cada ano nessa possibilidade de aglutinação, de envolver preservacionistas interessados nessa área e também nas outras temáticas de história e educação. Uma coisa importante na CineOP é a criação dessa consciência de grupo, de resistência, de tornar muito públicaessa consciência da preservação, é um trabalho meio de formiguinha, mas eu acho que estamos conseguindo.”
João Luiz Vieira –coordenador do PPGCine/UFF | RJ

“A oficina é muito rica, porque como eu já sou da área do teatro, eu sinto falta de muita bagagem de atuação de câmera na academia. Então aqui é uma oportunidade de usufruir de um outro mecanismo, uma outra visão de atuação, algo muito mais sutil. A gente acha queestar atuando para a câmera é fácil, mas não é assim. Está sendo muito bom aprender isso com o Glauco.”
Daniela Maia –aluna daoficina Ator, o Espelho da Cena | MG

“No Brasil a gente sempre vai esbarrar na questão financeira para produzir um filme ou preservar algo. As tecnologias chegam atrasadas e geralmente com um valor bem superior. Então sempre encontramos muita dificuldade para arquivar adequadamente e acaba criando soluções de improviso, que nem sempre são as ideais. Além disso, lidamos com a falta de incentivo para a preservação. A importância da existência de arquivos, de acadêmicos que trabalham com isso e que estudam sobre isso há anos. O pessoal do audiovisual não inventou a roda, como muitos acreditam. O papel da CineOP é criar um ambiente para diálogo entre arquivistas e cineastas que de alguma forma procuram o mesmo objetivo, mas que quase sempre estão separados.”
Lucas Saldanha –fundador / 2olhares | RJ

“Eu gostei bastante dos filmes. Achei que eles puderam ensinar bastante pra gente e relacionar bastante com nosso dia a dia.”
Pedro de Oliveira –estudante e espectador do Cine-Escola | MG

“Eu conheci a CineOP em 2016 e ali eu já percebi que se tratava de um evento insubstituível e incomparável, naquilo que ele recorta de uma maneira muito inteligente, fazendo as parcerias com as instituições certas da sociedade civil. É um evento que eu acredito que é único para o cinema brasileiro. Parabenizo muito a Universo por segurá-lo e torná-lo tão pertinente a cada ano. Eu, pessoalmente, fiquei muito feliz e contente em ver na 12ª CineOP a possibilidade de discutir a questão indígena diretamente na escola. Como que a gente lida com as imagens dos povos indígenas, dos outros de etnia, dos outros de classe, enfim, as imagens dos povos minoritários. O discurso da sociedade nacional, ele é um discurso integrador que nega muitas vezes a diferença. A possibilidade de conversar com professores, diretores de escola, pessoas do meio acadêmico, pessoas que intervêm diretamente no campo da educação, a partir do paradigma da questão indígena pra gente pensar o cinema e a educação, olha, eu achei muito rico e percebi as pessoas verdadeiramente provocadas.”
Marcela Borela–coordenadora da Rede Kino | GO

“É a primeira vez que eu venho àCineOP e estou achando incrível. Uma coisa que eu percebi rapidamente foi o impacto que a CineOP tem na cidade, eu acho isso muito importante. Todo mundo chega nas praças, todo mundo chega para ver os filmes, todas as atividades são gratuitas, então já tem uma potência muito grande para atrair todo tipo de público. Dentro disso, considero esse encontro de arquivos que eu estou participando mais ativamentemeganecessário, a gente está se encontrando com problemas, soluções, ideias e inspirações, de diferentes lugares do Brasil e até mesmo de fora do país. Eu acho isso muito motivador para o nosso trabalho.”
Mariela Cantú –pesquisadora | Argentina

“Creio que estamos num momento no Brasil hoje pleno de encruzilhadas históricas. Estamos num contexto em que o patrimônio cultural brasileiro está severamente ameaçado. Nós estamos em um encontro em que o acervo audiovisual brasileiro está sendo discutido, pensado, trazido para o tempo presente para que possamos pensar na nossa história e no futuro. Isso é algo magistral, algo extremamente importante, inclusive, para a universidade. Eu espero que muitos dos nossos estudantes possam fazer suas dissertações e teses analisando a produção de documentários que foram feitos pelos povos indígenas. Seria muito importante se nós pudéssemos seguir analisando as imagens produzidas pelos viajantes que percorreram o país. Enfim, temos uma base empírica de informações preciosíssimas, porque a memória é uma forma de construir a identidade dos povos. É a primeira vez que compareço ao evento e estou fascinado pela qualidade dos debates, a qualidade das intervenções, pelo clima de solidariedade e de companheirismo que existe entre os participantes, pelo rigor crítico desse encontro, encontro que a meu ver está ciente de que temos que superar determinados problemas e produzir outros caminhos. Eu fico muito motivado e esperançoso quando venho a um evento como a CineOP e encontro pessoas que estão com as mesmas inquietações e com a mesma energia criadora do futuro.”
Roberto Leher–reitor da UFRJ | RJ

“Eu gostei muito da CineOP justamente por trazer pessoas que lidam com o audiovisual em contextos muito diferentes, então, eu acho que isso tornou a conversa muito rica. Porque as pessoas muitas vezes vêm de lugares diferentes, mas compartilham problemas semelhantes. De fato, é a primeira vez que eu venho a um festival de cinema, falar sobre isso, e eu acho que é um trabalho que vai render frutos para as próximas edições. Se abriram várias janelas que podem ser aprofundadas no futuro e vão contribuir bastante para o pessoal do cinema.”
Ruy Luduvice–pesquisador coordenador da Associação Cultural Video-Brasil | SP

“Para gente é muito importante essa premiação porque é um trabalho que começou com o Vincent, diretor do Vídeo nas Aldeias, e agradeçomuito a ele por ter chegado com essa ideia nas aldeias para poder contar nossa história através do nosso olhar. Infelizmente, hoje emdia, a gente sofre muita violência por parte dos governos e da população em geral, pela falta de conhecimento. Nós, povo Guarani, trabalhamos com cinema desde 2007 e continuamos até agora, graças ao Vincent, que começou com oficinas nas aldeias. Essa premiação do Vídeo nas Aldeias é muito importante para a valorização do cinema indígena e para nós, que como indígenas estamos levando o reconhecimento e a valorização da nossa cultura para fora.”
Para Yxapy–cineasta indígena | RS

“Eu acho a CineOP um evento importante que já acontece há vários anos consecutivos reunindo profissionais e pesquisadores de várias regiões do país e também do exterior. Acho um espaço fundamental de encontro que oferece importantes seminários, debates e oficinas. Eu participei de uma mesa que toca na questão da preservação dos arquivos digitais, dos arquivos das lutas e movimentos sociais e debatemos justamente a questão de como armazenar o material digital, um material produzido por múltiplas vozes, por diversos coletivos e pessoas independentes ou ligadas a instituições, e como esse material pode se constituir enquanto história também, neste momento político que estamos vivendo.”
Paula Kimo–pesquisadora | MG

“Os indígenas cada vez mais fazem o cinema urgente, muito mais que necessário. Cada vez mais um número maior de mulheres estão participando desse processo. É muito importante que o cinema indígena seja conhecido, para quebrar essa invisibilidade em relação às temáticas próprias dos povos indígenas brasileiros. Para a preservação das identidades culturais é muito importante o cinema, porque ele trabalha com esse universo imaterial.”
Pedro Portella Macedo –cineasta e antropólogo | MG

“Esse evento é muito importante, porque vemos uma comunidade diversa que está trabalhando por construir uma política pública de preservação, a qual me impactou muito, porque no México não tem uma comunidade especializada em suportes audiovisuais e aqui eu posso compartilhar com essa rede de profissionais e poder pensar em colaborações internacionais, onde a experiência de cada participante que conheci aqui influencia no meu trabalho na Cinemateca Nacional do México. Acredito que a CineOP é muito importante, para mim é uma novidade, pois não conhecia a forte rede de preservação. Acredito que o festival deveria ser um local obrigatório para a visita de outros profissionais não só daqui, mas de toda a América Latina.”
Tzutzumatzin Soto –chefe Departamento  AcervoVideográfico e Iconográfico –Cineteca Nacional |MÉXICO 

 “As questões debatidas na CineOP são fundamentais. Os fóruns de discussões são muito importantes também para gerar uma reflexão e uma reciclagem das pessoas interessadas e atuantes no setor audiovisual. Nós ficamos muito felizes e honrados com a homenagem ao projeto Vídeo nas Aldeias. Eu acho que está vindo à tona com muita força essa aliança e reconhecimento da trajetória dos povos indígenas, da emergência do cinema indígena, que é um fenômeno recente que está sendo reconhecido pela categoria e, mais do que isso, tá aí nas escolas, cada vez mais, e tem que continuar impulsionando isso em um momento em que o Estado anda para trás ea sociedade civil segue em frente.”
Vincent Carelli –indigenista e cineasta | PE