14ª CINEOP LANÇA UM OLHAR PARA O FUTURO AO COLOCAR NO EIXO TEMÁTICO A REGIONALIZAÇÃO EM DIÁLOGO COM A PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, em sua 14ª edição, realizada de 5 a 10 de junho de 2019, na cidade de Ouro Preto, reafirmou seu propósito de ser instrumento de reflexão e luta pela salvaguarda do patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação. O evento promoveu uma programação diversificada e gratuita que contou com a participação de cineastas, profissionais do audiovisual, da cultura, acadêmicos, pesquisadores, representantes de instituições e acervos nacionais e internacionais, jornalistas, críticos e público em geral. Estima-se que mais de 15 mil pessoas tenham sido beneficiadas com a realização do evento.

“A CineOP se colocou como um espaço privilegiado de valorização e aproximação de diferentes agentes da cadeia produtiva do audiovisual e da educação, visando unir e incentivar trabalhos em comum, com vistas a avanços e mudanças significativas nas duas áreas e representou uma declaração de princípios em favor da diversidade social e humana deste imenso país”, ressaltou Raquel Hallak, coordenadora do evento e diretora da Universo Produção. 

A programação foi estruturada em três eixos centrais – Preservação, História e Educação – cada um deles propôs um enfoque temático específico assinado por cada curadoria. Foram exibidos 103 filmes (12 longas, 4 médias e 87 curtas), de 15 estados brasileiros e três países, Argentina, Brasil e França, em 34 sessões de cinema e distribuídos nas mostras Homenagem, Contemporânea, Preservação, Histórica, Educação, Mostrinha e Cine-Escola. As exibições ganharam as telas do Cine-Teatro, no Centro de Convenções, onde também funciona a sede do evento; do Cine Vila Rica, um dos cinemas mais antigos da América Latina; e do Cine Cemig na Praça, cinema ao ar livre montado especialmente para o evento na Praça Tiradentes, um dos cartões-postais da cidade. 

A temática central, que também norteou o recorte Histórico, foi “Territórios regionais, inquietações históricas”.  Assinada pelos curadores Francis Vogner dos Reis e Lila Foster, a programação colocou em destaque produções entre os anos de 1960 e 1980, que tiveram enorme importância nas discussões sobre o cinema brasileiro e no enfretamento das difíceis condições de produção que marcaram a trajetória do cinema independente no Brasil. Uma seleção de 20 filmes, entre longas, médias e curtas dirigidos por nomes como Carlos Gerbase, Sérgio Péo e Sylvio Lanna, estes dois últimos presentes nesta edição do evento, foram exibidos na programação, que buscou pensar o cinema brasileiro e os filmes produzidos em diversas regiões do país. 

A homenagem ao cineasta Edgard Navarro, inserida no contexto da temática Histórica, exibiu sete filmes do diretor, entre eles “Superoutro”, que completou 30 anos em 2019, e “Abaixo a Gravidade”, seu mais recente trabalho. O convidado ainda participou de Roda de Conversa com o público, no qual rememorou sua trajetória, que começou no Super-8 baiano na década de 1970.

A Temática Preservação, assinada por Ines Aisengart Menezes e José Quental, enfocou “A Regionalização e a formação do patrimônio audiovisual brasileiro”, dedicando-se à discussão sobre ações e políticas regionais para a manutenção e cuidados com acervos audiovisuais em território brasileiro. Este recorte reuniu 11 filmes do acervo do Canal Thomaz Farkas e da Cinemateca da Bretanha, além do longa “Rio da Dúvida”, de Joel Pizzini, que teve pré-estreia nacional durante o evento e apresentação de estudo de caso que revelou um minucioso trabalho de pesquisa para recriar a Expedição Científica Roosevelt-Rondon (1913). 

Já a temática Educação partiu do enfoque “Mulheres: terras e movimentos” para refletir sobre a atuação das mulheres no campo do cinema e da educação, tendo como ponto de partida o vínculo com a terra, com os territórios e espaços por elas ocupados na sociedade. O olhar foi escolhido pelas curadoras Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga, que selecionaram 38 filmes, entre eles o curta “Terra Kaxixó”, dirigido coletivamente, e o longa “Força das Mulheres Pataxó da Aldeia Mãe”, de Caamini Braz e Vanuzia Bonfim, de mulheres indígenas. O documentário “Tem quilombo na cidade: Manzo Ngunzo Kaiango”, de Alexia Melo e Bruno Vasconcelos”, exibido no Cine Cemig na Praça, também marcou um momento especial: o retorno de Mãe Efigênia, importante liderança quilombola retratada no filme, de volta a Ouro Preto, sua cidade natal, após 40 anos.

OFICINAS E WORKSHOP: INVESTIMENTO NA FORMAÇÃO AUDIOVISUAL

A 14ª CineOP promoveu a realização de três oficinas e um workshop internacional, contribuindo assim para a formação de mão de obra e capacitação de profissionais ligados ao universo audiovisual. Foram certificadas 150 pessoas. As oficinas foram “Introdução à direção em cinema – a construção da mise’en’scène”, ministrada por Eduardo Aguilar; “A invenção do documentário e o documentário de invenção”, por Joel Pizzini; e “Oficina de séries para TV: humor e drama”, com Renata Corrêa. Já o workshop internacional “Cinematecas regionais – o exemplo da Cinémathèque de Bretagne” foi conduzido por Cécile Petit-Vallaud, diretora da instituição de guarda francesa. 

Tanto as oficinas quanto o workshop integram o programa de capacitação que a Universo Produção realiza no âmbito do Cinema sem Fronteiras 2019. Têm por objetivo contribuir para formação, capacitação, qualificação de profissionais – questão vital para o crescimento da indústria audiovisual no Brasil e, ao mesmo tempo, estimular a formação de novos talentos, oportunizar o encontro e o intercâmbio de ideias e conhecimento.   

DEBATES, ESTUDOS DE CASO, DIÁLOGOS DA PRESERVAÇÃO E EDUCAÇÃO 

O 14º Seminário do Cinema Brasileiro: Fatos e Memória sediou o 14º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: XI Fórum da Rede KinoRede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual, reunindo ainda os debates da Temática Histórica. Nesta edição, 75 profissionais do audiovisual, acadêmicos, pesquisadores, historiadores, críticos de cinema e convidados internacionais estiveram no centro dos 26 debates, diálogos da preservação e educação, estudos de caso e apresentações de projetos educativos, com o propósito de gerar reflexões, troca de experiências, conhecimento, intercâmbio e cooperação entre os participantes. Nesta edição, contou também com a participação de cinco convidados internacionais de três países - Argentina, França e Uruguai -, que colaboraram com suas experiências, reflexões e propostas sobre as questões centrais desta edição.

 CINE-ESCOLA: O CINEMA E A EDUCAÇÃO DE MÃOS DADAS

O Cine-Expressão – A Escola vai ao Cinema é um programa sociocultural-educacional que une as linguagens educação e cultura, com foco na formação do cidadão a partir da utilização do audiovisual no processo pedagógico interdisciplinar, a partir da realização de sessões cine-escola seguidos de bate-papo com os diretores e/ou representantes dos filmes. Em 2019, foram realizadas oito sessões, com a exibição de oito curtas e um longa, para crianças com idade entre cinco e 10 anos e jovens a partir de 14 anos. Foram beneficiados pela ação 3.600 estudantes, de 16 escolas da rede pública de ensino de Ouro Preto e região.

 ARTE POR TODA PARTE 

A produção regional e a ideia de território nortearam também a programação artística da 14ª CineOP, que promoveu o diálogo do cinema com a música, a literatura, as artes cênicas e visuais. Artistas ouro-pretanos, bandas locais, tradicionais e pungentes se apresentaram no palco do Sesc Cine Lounge Show, no Cortejo das Artes, nas performances cênico-musicais. 

A curadoria artística foi mais uma vez realizada por meio da parceria cultural com o Sesc em Minas, que fez uma seleção alinhada com a temática escolhida para este ano para a realização dos nove shows, além da performance de dois DJs convidados, que se revezaram a cada noite temática. 

O tradicional Cortejo da Arte reuniu 10 grupos artísticos locais para um passeio musical, que teve início na Praça Tiradentes e percorreu as ladeiras de Ouro Preto até o Cine Vila Rica. Também para esta seleção, o Sesc em Minas tomou como diretriz a temática proposta pelo evento de abordar os territórios regionais e, neste contexto, propôs apresentar e valorizar as manifestações culturais tradicionais e grupos artísticos da cidade histórica e região.

 O evento promoveu também o lançamento de quatro livros: “Caderno de Notas: Mestrado Profissional em Artes”, de Marcos H. Camargo e Solange S. Stecz; “Cinema Brasileiro e Educação”, de Acir Dias da Silva e Salete Paulina Machado Sirino; “Cinema de Brincar”, de Cezar Miglionin e Isaac Pipano; e “Gestão Cultural e Diversidade: do Pensar ao Agir”, de José Márcio Barros e Jocastra Holanda Bezerra

EVENTO GEROU EMPREGOS, ATRAIU TURISTAS E MOVIMENTOU A ECONOMIA DA CIDADE

 Para a realização da 14ª CineOP, a cidade de Ouro Preto foi dotada de toda infraestrutura para sediar uma programação cultural abrangente e diversificada. Três espaços da cidade sediaram as atividades do evento: o Cine Vila Rica (plateia de 360 lugares), o Centro de Artes e Convenções (sede do evento, Cine-Teatro, com 510 lugares) e a Praça Tiradentes, palco de acontecimentos sociais, culturais e históricos localizada no coração da cidade, que recebeu a instalação do Cine Cemig na Praça, com plateia de 500 lugares. 

A Universo Produção, responsável pela idealização e realização do evento, contratou mais de 180 empresas que prestaram serviço para o evento. Estima-se que foram gerados mais de 1.500 empregos diretos e indiretos. O evento atraiu a participação de profissionais da cultura e da educação, atraiu milhares de turistas que movimentaram o comércio e a economia local, mostrando que a cultura também é bom negócio. 

A CineOP contou com a cobertura jornalística de 40 veículos de imprensa, representados por 55 jornalistas. Foram credenciados sete hotéis e pousadas e dez restaurantes e mais de 120 profissionais integraram a equipe de trabalho nas etapas de pré-produção, produção e desmontagem. 

Mais uma vez, a CineOP se apresenta como um importante empreendimento cultural que integra a indústria do entretenimento e da economia criativa, a que mais cresce no mundo e, ainda revela que sua proposta conceitual e estética é um dos mais pungentes retratos que anuncia o futuro em tempo presente.