PRESERVAÇÃO, TERRITORIALIDADE E EDUCAÇÃO CONTINUAM EM PAUTA NESTE SÁBADO

Os temas abordados nesta sexta continuam reverberando na programação deste sábado, 8 de junho, trazendo para a CineOP o protagonismo de uma discussão fundamental para o cinema brasileiro. Às 9h45, no Centro de Convenções, acontece o debate “Mulheres negras e o cinema”, que parte da experiência da arte-educadora Alexia Melo (que teve seu “Tem quilombo na cidade” exibido ontem, no Cine Cemig na Praça), da pesquisadora Janaína Oliveira e da coordenadora do projeto Kizomba, Makota Kidoiale, para entender a relação entre as mulheres negras, suas terras, ancestralidades, conhecimento, espiritualidade e cultura com o cinema.

“Regionalização e a preservação do cinema brasileiro” em debate das 10h às 12h30, reúne alguns dos principais especialistas em história do cinema do Brasil para pensar o patrimônio audiovisual brasileiro pelo prisma da regionalização e de que maneira esta produção ajudou a construir o patrimônio cinematográfico brasileiro. O tema será discutido sob a ótica do presidente da ABPA, Carlos Roberto de Souza; da professora e pesquisadora Luciana Araújo; do professor Lúcio Vilar; e do cineasta e pesquisador Luís Rocha Melo, mediados pela pesquisadora Alice Dubina Trusz.

Este debate está em diálogo direto com “Difusão do Patrimônio audiovisual e formação de plateias regionais”, que vem a seguir, às 14h30, e aposta na formação de público como elemento fundamental na valorização do patrimônio audiovisual preservado em diferentes arquivos. Neste sentido, serão apresentados arquivos e cinematecas regionais que desenvolvem trabalhos relevantes de difusão e formação de plateia, como é o caso do MIS, representado por seu coordenador, Alexandre Sônego, e por sua diretora, Cristiane Senn; da Cinemateca do MAM (RJ), Hernani Heffner; e da Cinemateca Capitólio (RS), Marcus Mello; a partir da mediação de Antônio Laurindo, do Arquivo Nacional e membro da Diretoria da ABPA.

Relacionada a esta discussão está a mesa da temática Histórica, “Circuitos Regionais e Cinema Independente”, marcada para as 16h45. O foco será discutir de que forma certos circuitos regionais, que promoveram espaços de interlocução entre cineastas, produtores, críticos e historiadores, como festivais de cinema, coletivos cinematográficos e revistas de cinema, propiciaram novos caminhos para o cinema brasileiro. Um exemplo é o da Casa de Cinema de Porto Alegre, apresentado pela historiadora Alice Dubina Trusz. Além dela, falarão sobre o assunto os cineastas Sérgio Péo e Sylvio Lanna, ambos com filmes na programação deste sábado na 14ª CineOP. A mediação será feita pela curadora Lila Foster.

Com foco na Educação, um dos eixos centrais do evento, o debate acontece mais cedo, às 14h30. O encontro “Cinema e Educação: Cooperações na América Latina” identificará as aproximações, os diálogos entre as práticas e as políticas que fortaleçam o intercâmbio latino-americano e o campo da educação. Com este objetivo, estarão presentes representantes de projetos realizados em diferentes países. A experiência uruguaia será apresentada pelas coordenadoras audiovisuais do Cineduca, Carmen Canavese e Graciela Acerbi; e a argentina, por Clara Suárez, do Festival Cine a La Vista. Do Brasil, participam Regina de Assis, diretora de educação, cultura e comunicação TV Escola, e Solange Stecz, do projeto Educação audiovisual na formação de docentes, do Paraná. A mediação será da professora e pesquisadora Ana Lúcia Azevedo.

 

O BRASIL REPRESENTADO NAS TELAS

A educação sai da sala de aula e vai ao cinema, com a apresentação dos curtas da Mostra Educação. Serão 12 filmes, de sete estados brasileiros, produzidos por educadores, estudantes e cineastas no contexto escolar e espaços não formais de ensino. A sessão, seguida por bate-papo com os realizadores, começa às 17h, no Cine-Teatro.

“Até onde pode chegar um filme de família”, que será exibido no Cine Cemig da Praça, na Praça Tiradentes, às 18h45, traz consigo uma preciosidade. Ele recupera aquele que é considerado o primeiro registro cinematográfico feito no país, pelo ouro-pretano Aristides Junqueira. Seu sobrinho-neto, Rodolfo Junqueira Fonseca, tem como ponto de partida o filme “Reminiscências”, gravado entre 1909 e 1926, para recontar a história deste pioneiro do cinema nacional, pouco conhecido nos dias atuais.

O longa “Carvana”, por sua vez, tem como personagem alguém que está na memória e coração dos brasileiros, o ator Hugo Carvana. É ele mesmo quem narra sua trajetória, desde o tempo de estudante de teatro até se tornar um dos principais nomes do Cinema Novo. A película, que traz cenas inéditas de making of, mostrando o ofício do ator em sua rotina de trabalho, será exibida a partir das 20h30, também ao ar livre.

Quem preferir as sessões no Cine Vila Rica tem programação a partir das 18h30, com exibição de curtas do Canal Thomaz Farkas, que integra a Mostra Preservação. Serão cinco curtas: “Jornal do Sertão”, de Geraldo Sarno; “Paraíso, Juarez”, de Thomaz Farkas; “Padre Cicero”, de Paulo Gil Soares, Sérgio Muniz e Geraldo Sarno; “Feira da Banana”, de Guido Araújo; e “Um a Um”, de Sérgio Muniz (O case deste canal dedicado à preservação será apresentado no domingo, às 17h15, no Centro de Convenções).

Na mesma metragem, às 19h45, começam os filmes da Mostra Histórica, com “Malandro, termo civilizado ou malandrando”, de Sylvio Lanna; “Aluminosa Espera do Apocalipse”, de Rui Vezzaro, Fernando Severo e Peter Lorenzo; “Cinemação Curtametralha”, de Sérgio Peo e “O Pagode de Amarante”, de Dácia Ibiapina.

Outra figura marcante do cinema brasileiro, a atriz Helena Ignez, ganha as telas no documentário “A Mulher da Luz Própria”, dirigido por sua filha, a diretora e também atriz Sinai Sganzerla, com exibição às 21h. Helena Ignez é uma das principais personalidades femininas do cinema brasileiro, que inaugurou um estilo de interpretação. Ela, inclusive, dá nome a uma das premiações da Mostra de Cinema de Tiradentes, também promovida pela Universo Produção, no mês de janeiro, na cidade histórica.

A Mostra Contemporânea encerra a programação no Cine Vila Rica, às 22h30. Serão quatro títulos: “Sem título #5: A rotina terá o seu enquanto”, de Carlos Adriano; “Princesa morta do Jacuí”, de Marcela Ilha Bordin; “Thinya”, de Lia Letícia; e “Num país estrangeiro”, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes.

OFICINAS

Duas outras oficinas começam neste sábado: “Séries para TV: Humor e Drama”, com Renata Côrrea; e “Introdução à direção de Cinema – A Construção da mise-em-scène”, com Eduardo Aguilar; que se juntam à oficina “A invenção do documentário e o documentário de invenção”, do cineasta Joel Pizzini, que teve início na sexta. Elas serão responsáveis, juntamente com o workshop internacional “Cinematecas regionais – O exemplo da cinemateca da Bretanha”, programado para domingo, pela capacitação de 150 pessoas, contribuindo assim para a formação de mão de obra e conhecimento do cinema brasileiro.

 

ARTE POR TODA PARTE

Neste sábado, a CineOP promove um de seus momentos mais concorridos. O Cortejo da Arte, marcado para as 11h30, sai do Cine Cemig na Praça, instalado na Praça Tiradentes, com destino ao Cine Vila Rica. Para esta edição, o Sesc em Minas, parceiro cultural do evento, tomou como diretriz a temática proposta pelo evento de abordar os territórios regionais e apostou nas manifestações culturais tradicionais e grupos artísticos de Ouro Preto e região.

À noite, a partir das 22 horas, o Sesc Cine Lounge Show, no Centro de Convenções, será palco da Noite - Sons Urbanos, que começa com o DJ Pátrida. Ele abre a noite para o MC Roger Deff e seu show Etnografia Suburbana, do primeiro disco solo do rapper mineiro. A festa termina com o grupo Chama o Síndico, um dos principais nomes do carnaval belo-horizontino, reverenciando Jorge Ben Jor e Tim Maia, com uma mistura rítmica de samba-funk-afoxé-xote-soulcarimbó-reggae-power. A entrada para os shows é gratuita, com distribuição de ingressos a partir das 22h, na bilheteria do local.