Homenagem

MARIA GLADYS, UMA ATRIZ 100% BRASILEIRA

 Maria Gladys é uma das atrizes mais originais do cinema brasileiro. Seja no cinema nos filmes do cinema novo, no experimental ou no cinema de apelo popular mais imediato, a figura dela sempre se destacou pela presença e personalidade. Com carreiratambém no teatro e na televisão, Maria Gladys é pura intensidade. Ela representa o que o cinema moderno e a contracultura brasileira tiveramde mais autêntico.

Maria Gladys
Foto: Leo Lara/Universo Produção

 Nos anos 1960 e 1970 ela foi imagem e presença importante no cinema novo e no cinema marginal. Gladys trabalhou em diferentes registros de interpretação. Com Ruy Guerra, no principal papel feminino no clássico do cinema novo,Os Fuzis, ela fez parte de uma geração de atores e atrizes que ajudaram a construir um novo paradigma de interpretação no cinema brasileiro. Com Domingos de Oliveira no fim dos anos 1960, em Todas as Mulheres do Mundo e Edu Coração de Ouro, e Neville de Almeida nos anos 1970 com Piranhas no Asfalto, a arte de Gladys se mostrou versátil, com intensidades diferentes em registros radicalmente distintos.  Ela também foi presença marcante em Bar Esperança e Apolônio Brasil, de Hugo Carvana e nas comédias Se eu Fosse Você 1 e 2, de Daniel Filho, e Polaróides Urbanas 1 e 2, de Miguel Falabella.

 Mas foi com em O Anjo Nasceu, em 1969, e na produtora Belair entre 1970 e 1971, em filmes como Sem Essa Aranha, Cuidado Madame que ela formulou juntos aos diretores Julio Bressane e Rogério Sganzerla, e atores como Helena Ignez e Guará Rodrigues, um tipo de interpretação radical, performático, até então inédito no Brasil e no mundo, que ficou marcado como o grande momento de interpretação experimental do cinema brasileiro, que diverge e ultrapassa o modelo naturalista e psicologizante, em uma expressividade física radical e única no cinema brasileiro (no mundo), que fez dos filmes da Belair um dos ciclos mais radicais do cinema experimental no mundo.A ousadia e carisma de Gladys marcaram também outros filmes de Julio Bressane como Agonia e O Gigante da América, o experimental Um Filme 100% Brasileiro, de José Settee trabalhos importantes do cinema brasileiro da última década, como Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi, A Alegria, de Felipe Bragança e A Febre do Rato, de Claudio Assis, e Vida, de Paula Gaitán, que faz um registro poético sobre essa atriz de invenção que é a própria expressão da originalidade mais fecunda do cinema brasileiro.

 Maria Gladys é a atriz homenageada da 13ª CineOP e receberá o Troféu Vila Rica na abertura do evento, no dia 14 de junho de 2018, às 20h30, no Cine Vila Rica.