{"id":339,"date":"2025-05-13T16:26:33","date_gmt":"2025-05-13T19:26:33","guid":{"rendered":"http:\/\/167.172.252.128\/?page_id=339"},"modified":"2025-05-29T10:54:18","modified_gmt":"2025-05-29T13:54:18","slug":"homenagem-historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cineop.com.br\/2025\/tematica-historica\/homenagem-historia\/","title":{"rendered":"Homenagem Tem\u00e1tica Hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">ENTRE A ARTISTA INTELECTUAL E A COMEDIANTE POPULAR<\/h2>\n\n\n\n<p>Marisa Orth \u00e9 a homenageada da CineOP em 2025. A distin\u00e7\u00e3o ocorre&nbsp; em uma edi\u00e7\u00e3o na qual a tem\u00e1tica hist\u00f3rica \u00e9 o humor das mulheres diante e atr\u00e1s das c\u00e2meras no cinema e no audiovisual brasileiros. Nesse segmento cultural, a atriz est\u00e1 entre os principais e mais polivalentes talentos de nossas express\u00f5es c\u00eanicas. Do c\u00f4mico ao dram\u00e1tico, Marisa interpreta m\u00fasicas em shows e personagens em musicais, atua em novelas, programas seriados, dublagens para anima\u00e7\u00f5es, filmes, pe\u00e7as de teatro e, at\u00e9 mesmo, como sex symbol, alcunha cravada em um ensaio fotogr\u00e1fico de corpo nu, em 1997, realizando o sonho de ter sido a garota do p\u00f4ster. Mulher alta, forte, de voz grave e ironia ligeira, como \u00e9 da natureza da ironia, Marisa j\u00e1 disse em entrevista que, hoje, com a prolifera\u00e7\u00e3o de mulheres no humor, pede licen\u00e7a para entrar em cena. Foi-se o tempo em que o riso era, como tantas outras coisas, um privil\u00e9gio masculino, com raros destaques e protagonismos femininos, n\u00e3o apenas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" data-id=\"1193\" src=\"https:\/\/cineop.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/12052025_Foto_Leo_Lara__J5A5299-1024x683.jpg\" alt=\"20\u00aa CINEOP - Marisa Orth , Homenageada da Mostra - Foto Leo Lara\/Universo Produ\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-1193\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">20\u00aa CINEOP &#8211; Marisa Orth , Homenageada da Mostra &#8211; Foto Leo Lara\/Universo Produ\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>A libriana de ascend\u00eancia germ\u00e2nica-calabresa, mais calabresa que germ\u00e2nica, j\u00e1 foi consagrada nessas vota\u00e7\u00f5es de maiores da com\u00e9dia. Magda Sal\u00e3o Antibes, sua mais famosa personagem, uma mulher infantil e ninfoman\u00edaca no sitcom\/teleteatro <em>Sai de Baixo<\/em>&nbsp; (idealizada por Lu\u00eds Gustavo a partir da <em>Fam\u00edlia Trapo)<\/em>, foi escolhida a personagem mais engra\u00e7ada do humor brasileiro. A vota\u00e7\u00e3o do Top Business Brasil, em 2006, lhe rendeu 1,5 milh\u00e3o de votos (15% do total). Magda, nas palavras de Marisa, \u00e9 burra e submissa, come\u00e7ou o programa \u201ctonta e terminou ameba\u201d. Mas, para al\u00e9m de seu desgaste durante as sete temporadas, marcadas por brigas e improvisos de toda ordem, al\u00e9m de trocas no elenco ao longo dos 231 epis\u00f3dios (a maioria gravada com plateia no teatro Proc\u00f3pio Ferreira), Marisa entende Magda como uma representa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, e n\u00e3o um elogio a essa mulher obtusa. Ainda assim, apesar das limita\u00e7\u00f5es, Magda a impulsionou de v\u00e1rias formas. Foi gra\u00e7as ao sex appeal da personagem, considerada por Marisa mais bonita e org\u00e1stica do que ela pr\u00f3pria, que a atriz posou nua. Fora da fic\u00e7\u00e3o, as fronteiras entre arte e artista sempre se turvaram: n\u00e3o foram poucas as ocasi\u00f5es em que Marisa foi chamada de Magda. N\u00e3o por acaso o seu receio de nunca mais se livrar dela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Magda apareceu em 31 de mar\u00e7o de 1996, ainda sem muito esplendor diante da intensidade perform\u00e1tica de colegas de elenco, como Claudia Jimenez, Aracy Balabanian, Miguel Falabella, Tom Cavalcante e Luiz Gustavo. Contudo, j\u00e1 apresentava suas marcas registradas, como o cabelo jogado de um lado para outro, de frente para tr\u00e1s, e a modula\u00e7\u00e3o repentina da voz, do grave para o agudo. Ciente dos preconceitos contidos nas piadas, em descompasso com uma comicidade contempor\u00e2nea mais politizada, a plataforma Globoplay colocou uma mensagem de alerta antes dos epis\u00f3dios, chamando aten\u00e7\u00e3o para as representa\u00e7\u00f5es negativas e estere\u00f3tipos da \u00e9poca \u2013 que levaram, por exemplo, \u00e0 demiss\u00e3o de Claudia Jimenez por conta de refer\u00eancias negativas \u00e0 obesidade direcionadas \u00e0 sua personagem diarista. No \u00faltimo epis\u00f3dio, quando Marisa\/Magda entra na sala do apartamento, \u00e9 recebida com assobios em rea\u00e7\u00e3o \u00e0s suas formas e ao vestido curto, antes do coro puxado por Falabella: \u201cPoxa, que coxa\u201d. Quem se banha no humor tamb\u00e9m cultiva as manchas dos inc\u00f4modos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Marisa nem sempre foi a s\u00edntese m\u00e1xima do divertimento ou da fama. At\u00e9 chegar \u00e0 pele da ambiciosa e emergente Nicinha, na novela <em>A Rainha da Sucata <\/em>(1990)<em>, <\/em>na Rede Globo, que lhe rendeu Pr\u00eamio APCA (Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Arte) de Atriz Revela\u00e7\u00e3o em televis\u00e3o, Marisa era uma atriz cult, de teatro e m\u00fasica independentes, com um p\u00e9 na experimenta\u00e7\u00e3o e a voz nas vanguardas, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o paulistana da quebra de paradigmas nos anos 70\/80. Formada em Psicologia pela PUC-SP e pela Escola de Artes Dram\u00e1ticas (EAD) na USP, foi criada em uma fam\u00edlia de elite com interesses na cultura. Marisa veio do alto e, para se tornar a estrela das \u00faltimas d\u00e9cadas, baixou a bola. Teve de limpar o preconceito com o humor popular. Em entrevista sobre seu in\u00edcio profissional, disse que foi criada para ser uma paulistana cinzenta e intelectual, para \u201cs\u00f3 fazer coisas chiques\u201d. Sofreu muitas cr\u00edticas quando come\u00e7ou a se tornar engra\u00e7ada em seus trabalhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E nem tudo foi s\u00f3 gra\u00e7a. Marisa \u00e9 da linhagem das atrizes brasileiras que transitam por diferentes meios expressivos com a mesma desenvoltura, respondendo \u00e0s distintas exig\u00eancias de um palco, de um est\u00fadio e de um set. Como cantora ou com personagens de fic\u00e7\u00e3o, algumas pensadas para o humor e outras n\u00e3o, Marisa sempre oscila entre a conten\u00e7\u00e3o e a intensidade, entre um minimalismo controlado e sua explos\u00e3o. Em cada uma dessas presen\u00e7as, ela imprime sua marca de atriz autoral, com um tom frequente de autopar\u00f3dia c\u00ednica, aparentemente calculado, sem deixar de parecer espont\u00e2neo e improvisado. No teatro, come\u00e7ou na primeira metade dos anos 80, no grupo Vento Forte, ao que se seguiu, na segunda metade da d\u00e9cada, sua presen\u00e7a no grupo musical-perform\u00e1tico Luni e seu primeiro \u00eaxito de p\u00fablico no teatro, em 1988, como a Laura de <em>Fica Comigo Esta Noite<\/em>, de Fl\u00e1vio de Souza. Um ano antes, teve sua primeira incurs\u00e3o no cinema com o curta <em>A Mulher Fatal Encontra o Homem Ideal<\/em>, de Carla Camurati. Em 1990, estreou no longa-metragem com <em>N\u00e3o Quero Falar sobre Agora,<\/em> de Mauro Farias, tamb\u00e9m estrelado por Evandro Mesquita e Eliana Fonseca, no mesmo ano de sua estreia na televis\u00e3o. A segunda metade dos anos 80 deu uma acelerada em seu percurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o ingresso na Rede Globo, em um momento de baixa de produ\u00e7\u00e3o e de prest\u00edgio do cinema brasileiro, tenha afastado a atriz das telas maiores, ao menos em frequ\u00eancia e protagonismo. Seu \u00fanico papel central foi em <em>Doces Poderes<\/em>, de L\u00facia Murat, em 1997. Fora de um regime de humor, Maria vive uma jornalista \u00e0s voltas com investiga\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em Bras\u00edlia. Mesmo sem protagonismo, s\u00e3o tamb\u00e9m importantes suas presen\u00e7as em <em>Durval Discos<\/em>, de Anna Muylaert, em 2002, em <em>Os Normais<\/em>, o filme derivado da s\u00e9rie hom\u00f4nima, em 2003, e em <em>Como Fazer um Filme de Amor<\/em> (2004), de Jos\u00e9 Roberto Torero. A segunda metade dos anos 90 e a primeira d\u00e9cada dos anos 2000 foram seus melhores anos no cinema. Marisa voltou a ser dirigida por L\u00facia Murat em <em>Mar\u00e9, nossa Hist\u00f3ria de Amor,<\/em> em 2008, como uma professora de dan\u00e7a (uma de suas forma\u00e7\u00f5es), e por Anna Muylaert em <em>\u00c9 Proibido Fumar<\/em>, em 2009. Em 2019, voltou ao papel de Magda para a vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica do seriado c\u00f4mico <em>Sai de Baixo, <\/em>dirigida por outra mulher, Cris D\u2019Amato. Na m\u00fasica, al\u00e9m do trabalho com a banda Luni, nos anos 80, esteve \u00e0 frente da banda Vexame, entre 1989 e 1998, depois com algumas reapari\u00e7\u00f5es nos anos seguintes, com repert\u00f3rio de m\u00fasica brega, interpretadas de modo exagerado, excessivo e burlesco.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/cineop.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/12052025_Foto_Leo_Lara__J5A5344-1024x683.jpg\" alt=\"20\u00aa CINEOP - Marisa Orth , Homenageada da Mostra - Foto Leo Lara\/Universo Produ\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-1196\" srcset=\"https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cineop2025\/2025\/05\/12052025_Foto_Leo_Lara__J5A5344-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cineop2025\/2025\/05\/12052025_Foto_Leo_Lara__J5A5344-300x200.jpg 300w, https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cineop2025\/2025\/05\/12052025_Foto_Leo_Lara__J5A5344-768x512.jpg 768w, https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cineop2025\/2025\/05\/12052025_Foto_Leo_Lara__J5A5344-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cineop2025\/2025\/05\/12052025_Foto_Leo_Lara__J5A5344-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A medida de Marisa \u00e9 el\u00e1stica e vai dos curtas-metragens a um cinema independente autoral, dos grupos musicais vinculados ao melhor da cena independente de m\u00fasica experimentadora em S\u00e3o Paulo aos musicais c\u00eanicos na linha Broadway brasileira, mais retumbantes e midi\u00e1ticos (como <em>A Fam\u00edlia Adams<\/em> e<em> Mulheres \u00e0 Beira de um Ataque de Nervos<\/em>); vai de comicidades mais grosseiras na televis\u00e3o a um filme de tintas pol\u00edticas como <em>Doces Poderes<\/em>. Versatilidade \u00e9 pouco. Consequentemente, para quem se nutriu, no teatro, de Blanche Dubois a Simone de Beauvoir, na televis\u00e3o, de Magda a Nicinha e, na m\u00fasica, de bandas como Luni e Vexame, tudo pode esperar-se de Marisa. Sempre foi assim. N\u00e3o parece que ser\u00e1 diferente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Cleber Eduardo<\/strong><br>Curador<br><strong>Juliana Gusman<\/strong><br>Curadora Assistente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENTRE A ARTISTA INTELECTUAL E A COMEDIANTE POPULAR Marisa Orth \u00e9 a homenageada da CineOP em 2025. 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