COMPANHIA

Título original: Compañía

Documentário, cor, 61min Bolívia, 2019

 

Direção: Miguel Hilari

 

Este documentário resultou de um convite para registrar a tradicional festa dos mortos, na comunidade Compañía, uma pequena aldeia na montanha boliviana, de onde muitas pessoas saem para viver na cidade, mas retornam sempre para honrar a memória de seus mortos. Durante três anos, Miguel Hilari volta para gravar vivências e diferentes acontecimentos durante a festa. Longos planos fixos, abertos, melodiastocadas coletivamente configuram um ritmo do tempo que antagoniza à velocidade 24/7 do tempo urbano que desconhece pausas, silêncios e a escuridão legítima da noite. Durante a festa dos mortos, as pessoas podem ouvir as vozes daqueles que já não estão mais lá, criando contatos entre passado e presente. Ritosaymaras e evangélicos convivem durante a festa em espaços e tempos diferentes. Compañía oferece uma visão sensível atualizada que nãoromantiza a vida no Altiplano, nem nega suas conexões com outras formas de organização social claramente marcadas pela colonização.

 

  • Melhor média-metragem, Visions du Réel, 2019
  • Melhor filme internacional, FIDOCS 2019
  • Prêmio “Alanis Obomsawin” melhor documentário, Imagine NATIVE 2020
  • Melhor montagem, Festival Diablo de Oro Oruro 2020

 

 

BOCAMINA

Título original: Bocamina

Documentário, cor, 22 min,Bolívia,

 

Direção: Miguel Hilari

 

Com a marca da sensibilidade e do tempo característico de sua obra, Bocamina é filmado na cidade histórica de Potosí, com foco no Cerro Rico (montanha próxima à famosa cidade colonial de Potosi fundada em 1545) e suas memórias. Percebemos as reações de crianças diante a pintura Cerro Rico y de la Villa Imperial de Potosí (1758) do pintor Gaspar Miguel de Berrios (que pertence ao Museo Colonial Charcas da Universidad San Francisco Javier, em Sucre. Harun Faroki, em 2010, fez uma instalação de vídeo, sobre este quadro, chamado A prata e a cruz. A partir desta pintura o autor desenvolve um discurso em torno do processo de colonização européia na América Latina e do poder econômico obtido pelo controle de seus métodos de produção. Em outras palavras, os espanhóis trouxeram a cruz e levaram a prata), assim como diante imagens antigas das atividades dentro das minas do Cerro Rico, fortemente inspirado na sequência do filme Peões, onde Eduardo Coutinho mostra fotografias antigas aos operários para ativar memórias. Na mina, podemos observar algo inusual: os rostos dos trabalhadores ao sair da sua “boca”. Estudantes em escolas comentam as imagens desses rostos, “pois não é preciso ser formado em artes para poder falar dessas imagens, que nos habitam a todos e disparam coisas…” afirma o diretor.

 

  • Prêmio da competência de curta-metragem, Festival Serpentina, Arequipa 2020