Memórias de comunidades e arquivos de família

Na Praça, as sessões de curtas e médias-metragens contemporâneos da 17a. edição da CineOP apresentam documentários com comunidades que recordam suas histórias de luta dentro de seus territórios, ensaios com registros de família que recuperam o passado e narrativas ficcionais com personagens jovens que buscam reconhecimento no presente.

A primeira sessão abre com Santo Rio, dirigido por Lucas de P. Oliveira e Guilherme Nascimento. O documentário investiga o modo como o distrito de São Sebastião do Soberbo, em Santa Cruz do Escalvado, teve sua paisagem modificada com a construção da hidrelétrica Candonga, que há 21 anos abriga rejeitos de minério da região. O curta mostra como os moradores tiveram suas vidas afetadas pelo empreendimento que polui o encontro do rio Piranga com o rio do Carmo. De Chapecó, Santa Catarina, a realizadora Analu Favretto reflete sobre as dificuldades de comprovação oficial de trabalho na zona rural da sua mãe como agricultora no ensaio Tempo de Roça.

Dirigido por Rayssa Coelho e Filipe Gama, o documentário baiano Central de Memórias recupera de que forma a luta por moradia digna em uma ocupação na periferia de Vitória da Conquista acabou por repercutir nas gravações de Central do Brasil, exemplar do cinema da retomada nos anos 1990. Com Goyania – outubro ou nada, Uliana Duarte realiza um ensaio em homenagem a sua cidade natal e as lembranças do passado vivido com a família na mesma região.

O documentário carioca Sei que é tudo memória abre a segunda sessão. Durante o isolamento da pandemia da Covid-19, a realizadora Nathália Oliveira reflete sobre sua relação com seus pais já falecidos, por meio de retratos de álbuns de família. De Campina Grande, na Paraíba, o documentário Essa saudade, dirigido por Yan Araujo, parte das recordações de Marialva entre fotos e cartas e a saudade que sente das festas de carnaval, dos encontros com amigos e familiares e da companhia do marido que já se foi.

A jornada pessoal do realizador Will Nogueira com sua mãe e as novas formas de encarar os laços pessoais o levaram a dirigir Maternal, também finalizado no Rio de Janeiro durante a pandemia. De Belo Horizonte, o documentário Armarinho Aracy, dirigido por Camila Matos, descobre o rico acervo de fotografias no quarto da personagem título que conheceu o mineiro Afonso Pimenta, um dos maiores fotógrafos do Brasil.

A costura conecta a vida de mulheres de diferentes gerações de uma mesma família em Alagoas no documentário O lugar que somos, dirigido por Larissa Andrade. A sessão encerra com a ficção paraense Madá, dirigida por San Marcelo, sobre uma jovem que trabalha em uma loja de tecidos, mas almeja uma vida melhor como dançarina profissional.

Para um público mais jovem, a terceira sessão começa com o curta cearense Primos, de Daniel Pustowka, uma ficção que acompanha uma noite de batalha de rap entre jovens na noite de Fortaleza (CE). Fruto do primeiro edital de audiovisual do Amapá, o média-metragem Super Panc me, dirigido por Marcus Vinícius Oliveira, é uma ficção que narra a história de uma vlogueira na periferia de Macapá (AP), que entrega açaí de bicicleta e passa por dificuldades financeiras. Ao conhecer as plantas alimentícias não convencionais (popularizadas como Pancs), ela decide fazer um documentário sobre o tema.

Camila Vieira

Curadora