Ao refletir sobre um aspecto comum da condição humana, a fragilidade, me pergunto se não existirá uma espécie de pedagogia à qual chamar “pedagogia da fragilidade”? De fato a pedagogia tem como critério fundamental ter imaginado em algum momento de sua história que aprender é algo simples, salvo algumas exceções que devem passar por processos de exclusão ou de inclusão, como se em verdade aprender fosse algo natural. Porém, me pergunto também se não é certo que, na realidade, aquelas coisas que de verdade importam na vida todos somos igualmente frágeis para aprendê-las. Ninguém nasce com nenhuma capacidade para aprender o amor, a dor, a morte, e, portanto há uma fragilidade comum e que toda pedagogia deveria ensinar a atender. Acredito que não há possibilidade de vínculo essencial entre as pessoas se elas não se confessam mutuamente o que não podem, o que não sabem, o que não tem, o que são incapazes, embora possam chegar a tê-lo, sabê-lo, querê-lo e desejá-lo.

Carlos Skliar é pesquisador principal do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica da Argentina, CONICET e pesquisador principal da Área de Educação da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, FLACSO-Argentina. Doutor em Fonologia com Especialização em Problemas da Comunicação Humana, fez pós-graduação no Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, na Universidade de Barcelona e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil. Foi coordenador da Área de Educação da FLACSO Argentina no período 2008-2011. Atualmente coordena os cursos de pós-graduação “Pedagogias das diferenças”, “Entre corpos e olhares” e “Escrituras: criatividade e comunicação humana” (junto com Violeta Serrano García) na Sede Argentina da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Ministrou cursos de graduação e pós-graduação em diferentes universidades do país, da região e fora do continente. Foi professor visitante em diversas instituições no exterior e é editor e membro consultor de mais de 50 periódicos nacionais e internacionais na área de educação, filosofia e literatura. É, ainda, Vice-presidente em exercício do PEN / Argentina (Poetas, ensaístas, narradores). Seus últimos livros são: O que se diz, o que se escreve e o que se ignora (Buenos Aires, Minho e Dávila, 2011, Terceiro Prêmio Nacional de Redação); A escritura. Da pronúncia à jornada (Bogotá, Babel Editora, 2012), Experiências com a palavra (Rio de Janeiro, Wak Editora, 2012); Disobey linguagem: Educar (Belo Horizonte, Editora Autentica, 2014), Ensinar enquanto travessia (Bahía, EDUFBA, 2014); Pedagogias das diferenças (Buenos Aires, Noveduc, 2017), A escuta das diferenças (Porto Alegre, Mediaçao, 2018). Você pode ensinar como viver? Educação como comunidade e conversação (Montevidéu, Camus, 2018) e Como um trem sobre o abismo (Madrid, Vaso Roto, 2019). É o diretor da coleção ‘Educação: outras línguas’ (Miño e Dávila, com Jorge Larrosa); ‘Pensar na educação’ (Homo Sapiens, com Andrea Brito) e ‘Filosofia da Educação’ (Homo Sapiens). Publicou os livros de poemas Primera Conjunción (1981, Edições Eidan), Threads after (Mármol-Izquierdo, Buenos Aires, 2009) e Voice just (Ediciones del Dock, Buenos Aires, 2011); de micro-histórias Palavras não têm pressa (Candaya, Barcelona, ​​2012) e Falar com estranhos (Candaya, Barcelona, ​​2014); de ensaio literário e filosófico: Writing, so lonely (Mármara, Madrid, 2017) e La in vão reading (Waldhuter, Buenos Aires, 2019 e Mármara, Madrid, 2019). Ele traduziu do livro italiano de Alda Merini “A outra verdade. Diário de um diverso ” (Mármara, Madrid, 2019).

Mediação: Adriana Fresquet – curadora Temática Educação | RJ

*Masterclass com intérprete de Libras.