Ritual “Caminhos de Pachamama” reuniu diversos povos na praça Tiradentes em performance; cineastas Kuaray Poty e Pará Yxapy receberam homenagens por seus trabalhos no audiovisual

A Praça Tiradentes, no centro histórico de Ouro Preto, voltou a ser palco da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que retomou as atividades presenciais em sua 17ª edição após dois anos de atividades exclusivamente on-line. A cerimônia oficial de abertura do evento aconteceu sob uma noite de temperatura fria e energias quentes, com um grande público lotando cadeiras e arredores da praça para acompanhar os “Caminhos de Pachamama”, ritual multiétnico de indígenas de Pindorama e dos Andes. Representantes de povos Kambiwá, Aranã Pataxó, Xukuru kariri, Quechua e Aymara se apresentaram na dança e no canto a invocar a força dos encantos de luz e honra da Mãe Terra.

A presença indígena foi marcante na abertura pelo tributo à produção audiovisual de povos indígenas que está no centro das exibições e discussões de 2022 na CineOP. A temática geral “Preservar, transformar, persistir” se espalhou pelos três eixos da mostra: História, Educação e Preservação. Sob aplausos emocionados, a dupla de cineastas Kuaray Poty (Ariel Ortega) e Pará Yxapy (Patrícia Ferreira), da etnia Mbya-Guarani, foi homenageada por seus trabalhos no cinema e nas lutas a favor de seus povos. Acompanhados de amigos e familiares, ambos receberam o Troféu Vila Rica das mãos do prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, e do cineasta Vincent Carelli, um dos principais realizadores do projeto pioneiro Vídeo nas Aldeias.

“É minha primeira vez aqui na cidade e estou muito emocionado de estar recebendo essa homenagem por um trajeto de 15 anos em que a gente se dedica ao cinema”, disse Kuaray Poty, que agradeceu aos parceiros de trabalho, entre eles os personagens que ele filmou em diversas realizações. “Alguns deles já partiram, mas deixaram seus registros nos documentários que serão mostrados aqui. Eles quem foram os nossos protagonistas, que deixaram suas memórias no vídeo e por isso é tão importante termos começado a fazer cinema. Isso permitiu que nós, povos originários, pudéssemos recontar a nossa história”.

Poty exaltou a força e o poder do diálogo proporcionado pelo trabalho com as imagens, algo que, segundo ele, seus antepassados não tiveram oportunidade. “Podemos falar da nossa cosmovisão graças à tecnologia e à arte do cinema e dialogar com todos vocês”. Ao lado de Poty, a cineasta Pará Yxapy, com o pequeno Dionísio no colo (e cuja gestação está documentada no curta-metragem “Nossos Espíritos Seguem Chegando – Nhe’e Kuery Jogueru Teri”, exibido logo em seguida), também se emocionou com o tributo. “É o reconhecimento do nosso trabalho, desse espaço que a gente está ocupando e que nossos avós e nossas mães não puderam ocupar. Agora temos esse momento de fazer o diálogo com vocês, o que deveria ter sido normal antes, mas hoje estamos conseguindo isso com muita luta e muito trabalho”, disse.

A abertura oficial se concluiu com a exibição de dois filmes de Poty e Yxapy: “Bicicletas de Nhanderu” (2011), chamado por Vincent Carelli, minutos antes, de “um clássico do cinema indígena”; e o citado “Nossos Espíritos Seguem Chegando – Nhe’e Kuery Jogueru Teri” (2021), realizado durante a pandemia, quando Yxapy estava grávida. 

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