Na mesa “Direito à memória audiovisual: Negros, movimentos sociais, Lgbtqia+, migrantes”, realizada na manhã de domingo (26/6), registros de ações políticas, afetivas ou de representatividade foram o centro da conversa, a partir de experiências variadas com imagens de grupos cuja grande luta, como disse o cineasta Lufe Steffen, é “saírem da invisibilidade”.

Steffen dirigiu o documentário “São Paulo em Hi-fi” (2016), exibido na noite de sábado (25/6) na programação da 17ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. O filme registra a era de ouro da noite gay paulistana, nas décadas de 1960, 70 e 80, a partir do interesse do cineasta em registrar memórias e vivências pessoais de várias pessoas que fizeram parte desse momento histórico de afirmação identitária e sexual.

A iniciativa surgiu de seu desejo de resgatar a história LGBTQIA+. “Filmei os sobreviventes do passado (dessa noite gay paulistana) relembrando suas memórias. Fiz uma pesquisa histórica desde o início, busquei personagens. Eu ia na casa das pessoas, ouvia e garimpava seus acervos pessoais”, relembrou. Diferente de seu trabalho anterior, “A Volta da Pauliceia Desvairada” (2012), no qual Steffen ia para as ruas em busca da efervescência do momento, em “São Paulo em Hi-fi” ele buscou recuar para o passado e adentrar a intimida doméstica e nostálgica de seus personagens.

Também na mesa, o ator e performer Maurício Lima, criador do Museu dos Meninos, projeto desenvolvido no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, relembrou a infância e juventude crescendo numa comunidade carioca com a constante possibilidade de morte, devido às violentas operações policiais rotineiras em morros da cidade. “E pensar em morte é, por sua vez, pensar em vida”, disse.

Foi dessas inquietações que, em 2019, Maurício levou adiante a proposta de construir o que chama de “antimuseu”. “Devemos retomar o direito de contar nossas histórias em vida, e não em morte, como tanto a mídia acostumou a fazer ao longo de todos esses anos”, comentou. “A ideia de um ‘antimuseu’ vem de fazer um espaço de memórias pessoais e coletivas que são também memórias daquele espaço, daquele território onde a gente vive, é tensionar o imaginário em torno dos museus como lugar feitos a partir da validação de algumas existências enquanto outras são negadas”.

O MdM se constitui num acervo atual de 30 vídeos-depoimento de jovens com idades entre 15 e 29 anos, moradores das comunidades que compõem o Complexo do Alemão e seus arredores. Além disso, desenvolveu diversos trabalhos híbridos de teatro, dança e audiovisual durante a pandemia, a partir de 2020. No debate em Ouro Preto, Maurício relembrou um escrito da poeta e ensaísta Leda Maria Martins em que ela comenta que, numa das línguas banto, as palavras “escrever” e “dançar” têm a mesma raiz gramatical – algo que o ator adotou como entendimento do que ele busca no projeto. “É a aproximação de duas ideias como a experiência de inscrição e de transmissão de memória que se ancora no corpo, através do corpo vivo em movimento. É por aí que eu penso o que é o nosso antimuseu”.

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