Em Ouro Preto para acompanhar a exibição especial de seus filmes e participar de atividades na Mostra Educação, o cineasta boliviano Miguel Hilari falou ontem sobre suas origens familiares e como formou a visão de cinema que o levou a fazer documentários como “O Curral e o Vento” (2014) e “Companhia” (2019), tão certeiros na abordagem de sua comunidade.

Hilari é filho de pai Aymara e mãe alemã, o que, segundo ele, sempre o colocou numa posição identitária complexa na Bolívia. “Meu pai é da primeira geração de Aymaras que estudaram em universidade pública. Nasci na Alemanha, mas fui criado no campo na Bolívia. Sempre existiu alguma dificuldade de classificarem nossa família: éramos indígenas, éramos alemães?…”, contou ele. “Na realidade eu sempre gostei de ser um pouco difícil de classificar. Todos nós somos assim, mesclas de gentes e influências de diferentes origens. Classificação é uma coisa simplória, na maioria dos casos”.

Na juventude, Hilari se interessou em fazer cinema muito por conta da insatisfação que sentia ao ver a forma como os Aymara e outros povos originários eram representados no audiovisual. “O forma como os Aymara historicamente aparecem no cinema colombiano é simplória, sempre nos mesmos clichês e no mesmo tipo de imagem. Eu não estava contente com essa forma de abordagem nem de como era mostrada a vida no país entre o campo e a cidade. Então segui o impulso da minha consciência de algo que eu não queria, ou de algo que eu queria enfrentar de frente, que era essa representação limitada”, revelou o cineasta.

Para Hilari, a visão estereotipada dos povos indígenas carrega graus de racismo e de idealização sobre o que seria a vida e a cultura originária, numa mistura que mais serviria para resolver problemas de má consciência do homem branco do que para realmente revelar ou dialogar com alguma outra coisa. “Muitas vezes o que vemos em alguns filmes não são os problemas dos indígenas, e sim a tentativa de solução dos problemas de quem está tratando deles nos filmes”.

Além de realizar seus próprios trabalhos há uma década, Hilari também ministra projetos de educação desenvolvendo oficinas com crianças e jovens em diferentes contextos formais e informais. “Nesse sentido, a maneira como Miguel Hilari aborda em seu trabalho questões que são pedagógicas em associação a questões identitárias e expressivas nos parece oferecer chaves para outras aproximações entre cinemas e educações”, aponta Adriana Fresquet, uma das curadoras da Temática Educação na CineOP e mediadora da masterclass.

Em seus trabalhos de educação, Miguel Hilari busca replicar seus pensamentos sobre identidade e expressividade de forma a superar as visões historicamente limitadoras. “Creio que a ideia de que os Aymara vivem num ‘outro tempo’ é uma coisa construída principalmente por gente que não conhece os Aymara”, alertou Hilari. “Artistas, intelectuais, pintores bolivianos que gostam de dizer que os indígenas vivem num ‘outro tempo’ e que eles, os artistas, seriam mediadores entre esse outro tempo para convertê-lo numa obra de arte me parece uma ideia um pouco ridícula”.

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