Os dois homenageados da 17ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, a dupla de cineastas guarani Kuaray Poty (Ariel Ortega) e Pará Yxapy (Patrícia Ferreira), participou de uma roda de conversa no começo da tarde de sexta-feira, no Centro de Convenções. Formados nas oficinas do projeto Vídeo nas Aldeias, ambos têm construído significativa trajetória na produção audiovisual indígena, levando para as telas suas experiências e vivências coletivas a partir do olhar de seus povos.

O contato de Poty e Yxapy com as câmeras se deu entre 2007 e 2008, em oficinas realizadas em suas aldeias em São Miguel das Missões (RS). Para Poty, foi a oportunidade de se comunicar com os não-indígenas com quem convivia e sentia dificuldade de transmitir seu histórico e sua ancestralidade. “Eu percebia um grande desconhecimento do nosso modo de vida guarani, muito preconceito. Então senti que era necessário contar nossa história, mostrar que sempre estivemos ali, que nossos antepassados já estavam lá e que a colonização usurpou nossas terras”, disse o cineasta.

Foi nesse ímpeto, contou ele, que se deu o mergulho no aprendizado da tecnologia de câmeras e na captação de imagens que lhe possibilitou desenvolver diversos trabalhos audiovisuais. “A partir das oficinas, eu vislumbrei como seria o futuro dos nossos povos fazendo filmes sobre seus modos de viver, nossas lutas, nossa cosmologia. Era a primeira vez que tínhamos a oportunidade de sermos vistos a partir do olhar de dentro, e não pelo olhar de fora do homem branco”.

Pará Yxapy fez a oficina no ano seguinte, em 2008, e sentiu dificuldades de aceitação por parte de pessoas não-indígenas da comunidade onde trabalhava como professora escolar. “Não sei se por eu ser mulher ou ser indígena, não tinha o entendimento, da parte de outras pessoas, de que o audiovisual era muito importante”, relatou ela durante a roda de conversa em Ouro Preto.

O que imediatamente chamou atenção de Yxapy quando foi fazer a oficina era a ausência de mulheres. “As mulheres tinham participação muito ativa em todo o funcionamento da aldeia, mas na oficina de vídeo quase não apareciam, e isso me reforçou a vontade de fazer parte. Mesmo sem saber se eu ia conseguir, se ia permanecer ali, me coloquei esse desafio”. Ela reafirmou que a experiência ampliou seu entendimento pessoal e profissional dentro de seus convívios de vida e trabalho.

Com o avanço tecnológico e cada vez maior seguro no domínio da linguagem audiovisual, Poty disse que, tendo dado visibilidade às questões indígenas mais urgentes, ainda pretende realizar sua “obra de arte” dentro da produção dos povos originários. No momento, ele prepara seu primeiro trabalho de ficção, em parceria com o cineasta Ernesto de Carvalho.

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