CRISE DO AUDIOVISUAL E DA EDUCAÇÃO HOJE É AINDA PIOR QUE NOS ANOS 1990, AFIRMAM PROFESSORES, EM DEBATE NA MOSTRA

Na mesa realizada na manhã dessa quinta-feira (24/6) na programação da 16a CineOP, a professora e pesquisadora Inês Teixeira apresentou um amplo e contundente raciocínio sobre o desenvolvimento da educação no Brasil a partir do começo dos anos 1990. Para ela, que esteve na mesa de debates “Memórias entre diferentes tempos”, a Constituição de 1988 teve como marco formal a educação infantil como direito social e dever do Estado, o que foi um enorme avanço. Porém, ela fez a ressalva de que isso gerou uma “disputa permanente” entre a escola como possibilidade emancipatória e ações que tornaram a educação, especialmente como efeito do neoliberalismo típico das políticas da década, um novo tipo de mercadoria, serviço e empreendedorismo. “É um período de abertura e expectativa muito grandes, que trazem essas questões, e elas vão definir inclusive a formação de professores e educadores”, frisou.

Para Inês, o tempo presente tem amplificado as desigualdades sociais, que afetam diretamente os ambientes escolares, desde o acesso às tecnologias no que tange ao uso do audiovisual em sala de aula quanto o impacto sanitário da pandemia de COVID-19, que afeta mais fortemente as classes menos economicamente favorecidas. A comparação entre a década de 1990 e o começo dos anos 2020 pautou boa parte da conversa, mediada por Clarisse Alvarenga, curadora da Temática Educação na CineOP.

O professor Alfredo Manevy, que trabalhou no Ministério da Cultura durante a gestão de Gilberto Gil, fez um retrospecto desde a ascensão de Fernando Collor de Mello à presidência da República, em 1990. Chamou de “tragédia” a decisão de se fechar a Embrafilme, que coordenava todo o audiovisual brasileiro, e relembrou como o setor precisou se reinventar para permanecer existindo. “O que vemos nos anos seguintes ao fim da Embrafilme é o esforço por uma retomada, em ações que podem nos iluminar e trazer referências para os desafios de hoje, se pensarmos na nossa crise atual”, disse. “Essa retomada passava tanto pela produção quanto pela elaboração de um projeto cinematográfico que permitisse aos cineastas viabilizar seus filmes, com ou sem recursos”.

Manevy destacou que olhar para o passado histórico do país se tornou uma tônica no cinema do período, desde documentários como “O Fio da Memória” (1991), de Eduardo Coutinho, que reflete sobre a herança escravista da sociedade brasileira, a ficções como “Carlota Joaquina” (1995), no qual Carla Camuratti satirizava a ascensão das elites. Sobre a situação de hoje, em que a cultura passa por entraves sem precedentes na história recente, Manevy apontou que o país atravessa outra crise profunda no audiovisual, que lhe parece ainda mais grave do que a de 1990.

Professora de Política e Gestão da Cultura, a pesquisadora Laura Bezerra fez outro retrospecto, lembrando que, a partir de 2003 e vencida a grande crise dos anos 1990, o então ativo Ministério da Cultura (hoje inexistente, por decisão do governo federal) promoveu mudanças paradigmáticas na descentralização das políticas culturais. “Projetos como DocTV, Revelando os Brasi e editais de recortes regionais permitiram novos acessos à produção”, destacou Laura. Citando iniciativas como o Fundo Setorial do Audiovisual e a Ancine, ambas hoje também em crise, ela reforçou o quanto as duas primeiras décadas dos anos 2000 refletiram essas políticas de distribuição de recursos, algo em suspenso nos últimos dois anos justamente pela paralisia promovida na cultura do atual governo.

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SOBRE A CINEOP

Pioneira desde sua criação (2006), a enfocar a preservação audiovisual, história, educação e a tratar o cinema como patrimônio, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 16a edição, de 23 a 28 de junho de 2021, no formato online e reafirma seu propósito de ser um empreendimento cultural de reflexão e luta pela salvaguarda do rico e vasto patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo.

Estrutura sua programação em três temáticas: preservação, história e educação. Durante seis dias de evento, o público terá oportunidade de vivenciar um conteúdo inédito, descobrir novas tendências, assistir aos filmes, curtir lives musicais, trocar experiências com importantes nomes da cena cultural, do audiovisual, da preservação e da educação, participar do programa de formação que oferece oficinas, masterclasses internacionais e debates temáticos. Tudo de graça pelo site www.cineop.com.br.

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SERVIÇO

16a CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

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LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: Instituto Cultural Vale, Cedro Mineração, Cemig|Governo de Minas Gerais

Parceria Cultural: Sesc em Minas, Prefeitura de Ouro Preto, Casa da Mostra e Instituto Universo Cultural

Apoio: Universidade Federal de Ouro Preto, Parque Metalúrgico Augusto Barbosa, Rede Minas, Rádio Inconfidência, Canal Brasil e Café 3 Corações

Idealização e realização: Universo Produção

Secretaria Especial de Cultural / Ministério do Turismo / Governo Federal Pátria Amada Brasil

PROGRAMAÇÃO GRATUITA PELO SITE WWW.CINEOP.COM.BR

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