Realizada na tarde de sábado na 17ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, a mesa “Critérios de seleção: entre a lembrança e o esquecimento”, dentro da Temática Preservação, chamou atenção para a complexa questão de se pensar a conservação de conteúdos a partir de critérios previamente determinados. O que definir como relevante dentro de um arquivo e o que descartar? Quem define e por que se define? A situação continuamente se complica quanto mais as tecnologias mudam e novas formas de captação e armazenamento de conteúdo surgem, inclusive de maneiras não-físicas (como se percebe pelas “nuvens virtuais”).

Para a pesquisadora e curadora de acervos Rita Marques, os arquivos analógicos tinham sua conservação como parte final da cadeia produtiva: captavam-se as imagens, o material era editado, o bruto era separado, e então o resultado era exibido em TV ou cinema, para então tudo isso ser direcionado aos arquivos, muitas vezes em caixas e caixas de fitas em vários formatos que ainda eram mensuráveis, inclusive fisicamente. 

No digital, a coisa se alterou radicalmente, e o processo ficou muito mais rarefeito, apressado e passível de erros ou perdas. “No digital, se você mensurar a quantidade de informação que entra da instituição ou grupo que está produzindo aquele conteúdo, além do que vem pela internet e mídias sociais de todos os lados, existe um material impossível de catalogar se ele não for organizado desde o começo”, disse Rita.

Ela defendeu a presença de um profissional de arquivo dentro de quaisquer processos de produção de conteúdo. “No digital, o trabalho de arquivo tem que ser feito ‘ao vivo’. Ele tem que estar no início da cadeia, em qualquer veículo (TV, cinema, exposição etc), já no primeiro momento, registrando tudo, data, pessoas, lugares etc”, defendeu Rita Marques. “É o profissional de arquivo que vai acompanhar todo o processo e definir os metadados para manter algum tipo de padrão. Porque é uma cadeia de informação importante de ser estudada e isso pode ficar perdido se não houver uma padronização”.

Também pesquisadora audiovisual, Daniela Pinheiro tratou de sua experiência no Acervo Globo, em 2019, logo após o fim do programa “Video Show”, que ficou quase 40 anos no ar na emissora. Um imenso material utilizado nessas quatro décadas foi encaminhado para descarte, no que profissionais de preservação da empresa interviram e solicitaram o acesso, catalogação e curadoria desses arquivos. Ao longo de 11 meses de trabalho, foram levantadas 8.892 mídias. Dessas, 657 foram mantidas, das quais várias já voltaram a ser utilizadas em outros programas no canal.

“Quando estamos tratando de um acervo privado, e isso perpassa a filosofia da empresa, existe uma preocupação muito grande sobre a reutilização daquele material, então é preciso estar atento inclusive ao contexto exterior à empresa”, contou Daniela. “Os tempos históricos mudam, a situação política, os costumes mudam, então não se pode perder um conteúdo que amanhã pode ser mais interessante do que aparenta ser hoje”.

Acompanhe o programa Cinema Sem Fronteiras 2022.

Participe da Campanha #EufaçoaMostra

Na Web: www.cineop.com.br / www.universoproducao.com.br

No Instagram: @universoproducao

No YouTube: Universo Produção

No Twitter: @universoprod

No Facebook: cineop / universoproducao

No LinkedIn: universo-produção

SERVIÇO

17ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
22 a 27 de junho de 2022 | Presencial e Online

WWW.CINEOP.COM.BR


LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio Máster: Instituto Cultural Vale

Patrocínio: Cedro Mineração, Cemig/ Governo de Minas
Parceria Cultural: Sesc em Minas, Prefeitura de Ouro Preto , Instituto Universo Cultural, Universidade Federal de Ouro Preto e Casa da Mostra

Apoio institucional: Fundo Estadual de Cultura/Governo de Minas Gerais

Apoio: Parque Metalúrgico Augusto Barbosa,  Café 3 Corações e Polícia Militar de Minas Gerais

Idealização e realização: Universo Produção
Secretaria Especial de Cultural / Ministério do Turismo / Governo Federal, Pátria Amada Brasil