DIANTE DAS GRANDES CORPORAÇÕES DE MÍDIA, O DESAFIO É PRESERVAR CONTEÚDOS DE MILITÂNCIA E HISTÓRIA

A preocupação com a manutenção e preservação de conteúdos produzidos em plataformas digitais foi tema da mesa realizada na manhã desta sexta-feira (25/6), na 16a CineOP, com mediação do sociólogo e escritor Mário Augusto Medeiros da Silva. Reunindo produtores independentes de material informativo, analítico e militante em redes sociais, o encontro fez aflorar a tensão constante de que uma produção de relevância política e social que circula por ambientes como YouTube, Facebook e Instagram está essencialmente sob controle de grandes conglomerados de mídia. “A partir do momento em que você publica algum material numa dessas redes, aquilo deixa de ser seu e passar a ser propriedade deles”, alertou Anápuàka Tupinambá, produtor na Rádio Yandê e Rede Cultura Digital Indígena.

O dilema levantado foi o da efemeridade de conteúdos em determinadas plataformas (como os “stories” do Instagram, que duram apenas 24 horas) e a falta de garantia de que uma plataforma possa existir indefinidamente, tendo o finado Orkut como exemplo. Em sua apresentação, Dalton Martins, professor da UnB e integrante do Projeto Tainacan, relembrou quando o Orkut, “que teve papel fundamental na consolidação digital brasileira”, comunicou que sairia do ar e se manteve disponível por algum tempo apenas como espaço de consulta, antes de ser definitivamente desativado. Em contraponto, Dalton apresentou o trabalho de arquivamento desenvolvido por Barack Obama, ex-presidente dos EUA, que indexou todo o conteúdo virtual produzido em sua gestão numa plataforma específica de pesquisa e busca.

“Quando falamos de uma mídia social, falamos basicamente de três coisas do ponto de vista sistêmico: os dados gerados pelo usuário, os dados comportamentais de interatividade e os algoritmos”, enumerou Dalton Martins, ressaltando que esses três elementos precisariam ser preservados para reproduzir a ideia de “acontecimento da rede”.

Ao longo da conversa, um dos problemas apresentados foi justamente os custos desse tipo de ação, como levantado por Ana Pessoa, gestora de audiovisual da Mídia Ninja e integrante do coletivo Fora do Eixo. Ela chamou atenção para o descaso com preservação que caracteriza o Estado brasileiro, especialmente na atual gestão federal. “É um pilar muito desprezado dentro da arquitetura do audiovisual”, disse.

Diante da quantidade de informação constantemente postada nessas redes, Ana se mostrou preocupada com a perpetuação. “Estamos numa era da internet digital em que se está contando a história de um país num contexto de efervescência global através de inúmeros formatos. Como manter essa produção que está sendo contada de forma picotada, fragmentada? Esse tipo de linguagem, como TikTok e stories, faz parte da nossa geração”, frisou. Ana Pessoa reforçou que, apesar de os conteúdos estarem à mercê das corporações de mídia, como apontado por Anápuàka, é preciso ocupar esses espaços solidificados no imaginário digital, principalmente se for considerado o uso que correntes ideológicas fazem dessas ferramentas para implementar determinados encaminhamentos políticos e econômicos em vários países, inclusive o Brasil.

Para Anápuàka, um dos problemas técnicos de independência digital é justamente a convergência entre formatos e desenvolvimentos de software, o que dificulta o diálogo entre instituições e coletivos que queiram escapar das grandes plataformas. Segundo ele, trata-se de uma “dificuldade colonialista”. “Se fosse pensado um sistema de preservação de conteúdo tipo faziam os homens da caverna, que desenhavam nas paredes, ou seja, um código livre, informação aberta, os pensamentos seriam atualizados, as instituições chegariam a outros patamares”. Ele elogiou o Projeto Tainacan, representado no debate por Dalton Martins, por se configurar uma ferramenta de código aberto que facilita e otimiza a gestão de acervos de arquivos, bibliotecas e cinematecas. Anápuàka sugeriu que os coletivos criem sites de acervo, a partir da busca de recursos públicos ou privados, que retroalimentem os próprios conteúdos, assim preservando os materiais audiovisuais para fora das multinacionais de comunicação e redes. “Precisamos estar lá (no YouTube, Instagram etc), mas não podemos nos construir lá”, frisou.

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SOBRE A CINEOP

Pioneira desde sua criação (2006), a enfocar a preservação audiovisual, história, educação e a tratar o cinema como patrimônio, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 16a edição, de 23 a 28 de junho de 2021, no formato online e reafirma seu propósito de ser um empreendimento cultural de reflexão e luta pela salvaguarda do rico e vasto patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo.

Estrutura sua programação em três temáticas: preservação, história e educação. Durante seis dias de evento, o público terá oportunidade de vivenciar um conteúdo inédito, descobrir novas tendências, assistir aos filmes, curtir lives musicais, trocar experiências com importantes nomes da cena cultural, do audiovisual, da preservação e da educação, participar do programa de formação que oferece oficinas, masterclasses internacionais e debates temáticos. Tudo de graça pelo site www.cineop.com.br.

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