DE OLHARES PARA O PASSADO, AS REFLEXÕES DO PRESENTE COMO ATOS DE CARINHO E RESGATE AFETUOSO

Numa mostra como a CineOP, o olhar para o passado e a história aparece em todas as instâncias das mostras de filmes, inclusive nas produções contemporâneas. A curadoria tem sempre a preocupação de exibir trabalhos que, de alguma forma, transitem entre arquivos, memórias, resgates e reflexões trazidas ao presente através das articulações audiovisuais. Na roda de conversa “Imagens guardadas e memórias revisitadas”, a curadora Camila Vieira se reuniu virtualmente com diretores e diretoras que olharam para seus arquivos pessoais e deles extraíram reflexões que se tornaram filmes.

Petrus Cariry, por exemplo, é afilhado do músico e poeta Patativa do Assaré (1909-2002) e sentia por ele uma dívida. “Não tive coragem de ir ao velório para me despedir dele, então há muito tempo tenho vontade de fazer um filme sobre a minha relação com Patativa”, contou. Remexendo nos arquivos do pai, o cineasta Rosemberg Cariry, Petrus encontrou o material que usaria em “Foi um Tempo de Poesia”. “Eram mais de 100 horas de registro que meu pai fez com o Patativa, então fiz um recorte de usar só o que estivesse em película Super-8. Foi uma forma de revisitar o passado, de buscar memórias que estavam num limbo na minha cabeça e que se reavivaram nesse processo”.

Também de um acerto com o passado veio “Novo Rio”, de Lorran Dias, no qual o diretor resgata as memórias fotográficas do retorno de sua mãe à cidade natal, Tamboril (CE). “Ela saiu de lá nos anos 1980 para ir morar no Rio de Janeiro e nunca tinha voltado. Foi a primeira vez que ela foi de novo”, contou, em referência à viagem feita no começo dos anos 2000, quando o próprio Lorran ainda era muito criança. Com lembranças difusas dessa jornada e intrigado com a formação da cidade do Rio de Janeiro como espaço de migração de diversas partes do país, ele fez um filme que reflete sobre o trânsito e deslocamento. “Elaborei em cima da experiência da distância como uma percepção desses movimentos”.

A diretora Sofia Badim igualmente retornou ao imaginário da mãe, no caso de uma mãe ausente, falecida há quatro anos. Depois de um processo de luto e “muita catarse”, como ela disse, um exercício de aula a fez retornar a uma fotografia, originando o curta “Fôlego”. Daquela única imagem, que tanto representava a mãe, ela buscou outros materiais e documentos que construíssem um ensaio sobre essa ausência a partir do afeto. “Me impressionava muito, por exemplo, o atestado de óbito: nós passamos a vida inteira em processo de ir morrendo para depois isso ser registrado num papel, de se tornar burocracia. Eu então quis encontrar o que poderia haver de humano nessa burocracia”, contou. Trabalhando essencialmente a partir de uma só imagem, Sofia pôde sentir o cuidado que se deve ter na percepção do que significam os registros. “Vivemos num tempo de um milhão de imagens, então se você se detém em apenas uma e a destrincha com cuidado, isso é um ato de carinho”.

No caso do curta “O Suposto Filme”, Rafael Conde contou tê-lo feito a partir do isolamento exigido pela pandemia. “Retornei a essas imagens e busquei articular, a partir delas, alguma subjetividade que as resgatasse do inevitável desaparecimento a que estão fadadas quase todas as imagens que produzimos hoje, com dispositivos móveis”, disse. No filme, Conde adota uma narração em primeira pessoa, o que foi desafiador, mas parte importante desse processo de subjetivação. O resultado foi esse filme-ensaio sobre a própria vivência no e com o cinema.

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SOBRE A CINEOP

Pioneira desde sua criação (2006), a enfocar a preservação audiovisual, história, educação e a tratar o cinema como patrimônio, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 16a edição, de 23 a 28 de junho de 2021, no formato online e reafirma seu propósito de ser um empreendimento cultural de reflexão e luta pela salvaguarda do rico e vasto patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo.

Estrutura sua programação em três temáticas: preservação, história e educação. Durante seis dias de evento, o público terá oportunidade de vivenciar um conteúdo inédito, descobrir novas tendências, assistir aos filmes, curtir lives musicais, trocar experiências com importantes nomes da cena cultural, do audiovisual, da preservação e da educação, participar do programa de formação que oferece oficinas, masterclasses internacionais e debates temáticos. Tudo de graça pelo site www.cineop.com.br.

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SERVIÇO

16a CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

23 a 28 de junho de 2021

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: Instituto Cultural Vale, Cedro Mineração, Cemig|Governo de Minas Gerais

Parceria Cultural: Sesc em Minas, Prefeitura de Ouro Preto, Casa da Mostra e Instituto Universo Cultural

Apoio: Universidade Federal de Ouro Preto, Parque Metalúrgico Augusto Barbosa, Rede Minas, Rádio Inconfidência, Canal Brasil e Café 3 Corações

Idealização e realização: Universo Produção

Secretaria Especial de Cultural / Ministério do Turismo / Governo Federal Pátria Amada Brasil

PROGRAMAÇÃO GRATUITA PELO SITE WWW.CINEOP.COM.BR

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  • ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS
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