FILMES DOENTES, ACERVOS SALVOS: AS EXPERIÊNCIAS DE OLHAR O PASSADO PARA REPENSAR IMAGENS NO PRESENTE

Quatro realizadores com filmes na programação da 16a CineOP se reuniram virtualmente na tarde de sábado (26/6) para trocar experiências sobre seus processos a partir de trabalhos com materiais de arquivo. Dois veteranos do cinema brasileiro (Vladimir Carvalho e Rosemberg Cariry) e duas jovens diretoras (Lara Beck Belov e Marina Thomé) participaram da mesa Preservação: da criação ao acesso, mediada pela curadora de curtas da Mostra Contemporânea Camila Vieira.

Vladimir, que exibe na CineOP a cópia restaurada de seu “O País de São Saruê” (1971), relembrou ter retornado ao material original do filme para conferir seu estado de conservação, no começo dos anos 2000, e levou um susto. “Eu descobri que filme é como gente: ele adoece, tem problemas orgânicos, tem uma composição que degenera e fenece. Tive ocasião de ver latas de filme que pareciam favos de mel, tamanho o avanço da deterioração”, disse. Graças ao CPCB (Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro), o diretor conseguiu que seu filme fosse salvo e enfim restaurado e preservado. Final feliz a um título que, segundo o cineasta relembrou, “pegou uma cadeia de oito anos”, em referência à censura imposta pela ditadura militar ao longa-metragem, que fez o lançamento ser adiado para 1979. “Além dessa prisão, ele estava perdendo sua estrutura orgânica, então a Myrna e o Carlos Brandão, junto ao restaurador Chico Moreira, foram verdadeiros anjos para salvá-lo”.

Sempre preocupado com a preservação de acervos (seus e de outros artistas), o diretor cearense Rosemberg Cariry disse que, tendo 13 longas-metragens realizados, além de diversos títulos em vários formatos técnicos, “imagine o que são 30 anos de atividades registrando entrevistas, festas, acontecimentos e tanto mais”. Ele contou que, apesar dos esforços, perdeu boa parte desse material, ainda que tenha tentado distribuir cópias de seus trabalhos em museus e cinematecas que tivessem as condições ideais de conservar uma memória coletiva que, acredita, não pertence só a ele. “É uma luta inglória, desmedida, mesmo que tentando usar recursos que eu conseguia para telecinar e copiar alguns dos meus filmes”, lamentou.

Porém, Rosemberg apresentou uma boa notícia: “Apesar do momento de desmonte da cultura brasileira pelo governo federal, o Ceará tem hoje um governo que acredita na importância de se ter um Museu da Imagem e do Som, então há investimento de quase R$ 50 milhões e estruturação moderna no MIS aqui. E esse espaço deve abrigar boa parte do acervo cearense e nordestino”. Ele exaltou que cuidar desse documentário e preservar os filmes que adoecem é essencial para se manter viva a memória e o arquivo de um país.

Diretora do documentário “Aquilo que eu Nunca Perdi”, Marina Thomé mergulhou nos arquivos de 40 anos de carreira da instrumentista Alzira Espíndola, partindo de pesquisa biográfica (a partir de um baú doméstico de 200 itens, inclusive muito material midiático), acervos documentais em TVs e buscas de registros em canais educativos do Mato Grosso do Sul, de onde vinha a família Espíndola. “Comecei a filmar há dez anos, já no digital, e quando trabalhei na Cinemateca foi uma experiência transformadora, que me fez querer usar material de arquivo em tudo que fosse fazer”, contou, reconhecendo a importância de se preservar a memória audiovisual. Ela disse ter mantido tudo que levantou em HDs externos, distribuídos entre envolvidos e familiares, o que garante a manutenção dessa memória.

A diretora Lara Beck Belov foi aluna de Orlando Senna em oficinas de roteiro na Bahia e conheceu também Conceição Senna. Ela e a amiga Jamille Fortunato se aproximaram do casal – figuras essenciais no cinema brasileiro – e, após 15 anos de convivência com os dois, Lara decidiu levar adiante o projeto. “A vontade de fazer esse filme surgiu da observação de um amor que ia se emaranhando com a história do cinema”, relembrou.

A decisão de fazerem “O Amor Dentro da Câmera” se reforçou em 2016, quando as diretoras foram passar alguns dias com Orlando e Conceição filmando o dia a dia deles no Rio de Janeiro. Nos intervalos, mexiam nos arquivos, encontrando preciosidades guardadas ao longo de décadas. “Eram memórias do cinema e da vida e uma interseção de tempos entre a vida deles e a nossa que nos permitiu fazer esse filme”, relembrou Lara.

Acompanhe a 16a CineOP e o programa Cinema Sem Fronteiras 2021.

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SOBRE A CINEOP

Pioneira desde sua criação (2006), a enfocar a preservação audiovisual, história, educação e a tratar o cinema como patrimônio, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 16a edição, de 23 a 28 de junho de 2021, no formato online e reafirma seu propósito de ser um empreendimento cultural de reflexão e luta pela salvaguarda do rico e vasto patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo.

Estrutura sua programação em três temáticas: preservação, história e educação. Durante seis dias de evento, o público terá oportunidade de vivenciar um conteúdo inédito, descobrir novas tendências, assistir aos filmes, curtir lives musicais, trocar experiências com importantes nomes da cena cultural, do audiovisual, da preservação e da educação, participar do programa de formação que oferece oficinas, masterclasses internacionais e debates temáticos. Tudo de graça pelo site www.cineop.com.br.

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SERVIÇO

16a CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

23 a 28 de junho de 2021

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: Instituto Cultural Vale, Cedro Mineração, Cemig|Governo de Minas Gerais

Parceria Cultural: Sesc em Minas, Prefeitura de Ouro Preto, Casa da Mostra e Instituto Universo Cultural

Apoio: Universidade Federal de Ouro Preto, Parque Metalúrgico Augusto Barbosa, Rede Minas, Rádio Inconfidência, Canal Brasil e Café 3 Corações

Idealização e realização: Universo Produção

Secretaria Especial de Cultural / Ministério do Turismo / Governo Federal Pátria Amada Brasil

PROGRAMAÇÃO GRATUITA PELO SITE WWW.CINEOP.COM.BR

  • ABERTURA OFICIAL
  • EXIBIÇÃO DE FILMES – LONGAS, MÉDIAS E CURTAS
  • PRÉ-ESTREIAS E MOSTRAS TEMÁTICAS
  • MOSTRINHA
  • MOSTRA VALORES
  • SESSÕES CINE-ESCOLA
  • ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS
  • ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XIII FÓRUM DA REDE KINO
  • DEBATES, DIÁLOGOS E RODAS DE CONVERSA                                                                    
  • OFICINAS
  • MASTERCLASSES INTERNACIONAIS
  • EXPOSIÇÃO VIRTUAL “MEU CARTÃO POSTAL DE OURO PRETO”
  • PERFORMANCE AUDIOVISUAL
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