PROFISSIONAIS DA CRÍTICA E DA PESQUISA RELEMBRAM MODOS DE PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DOS ANOS 90

Ecoando a Temática Histórica desse ano na CineOP, o debate “O passado segundo imagens dos anos 90” reuniu profissionais da crítica e da pesquisa para relembrarem de que forma a produção audiovisual brasileira foi reiniciada em meados da década depois do fim da Embrafilme a mando do governo de Fernando Collor de Mello. O jornalista Hugo Sukman, repórter do “Jornal do Brasil” à época, cunhou o termo que se notabilizou ao longo das décadas: que o cinema brasileiro estava num processo de “retomada”.

Ao citar o contexto de uma reportagem publicada em 1993, Sukman contou que o sentido da palavra vinha tanto de um resgate da produção – interrompido abruptamente alguns anos antes – e também da atenção dos cineastas em fazerem ficções históricas que rememoravam, sob o viés de sátira ou da biografia, figuras como Carlota Joaquina e Carlos Lamarca, ou mesmo um documentário como “Jango”, de Silvio Tendler. Havia, segundo ele, uma preocupação dos artistas em olharem para o Brasil de antes ou durante a ditadura militar (1964-1985). “Havia essa ideia de se resgatar o passado, de retomar o processo cultural brasileiro”, comentou.

Com a chegada de “Central do Brasil” em 1998 e sua imensa repercussão mundial, com prêmio no Festival de Berlim e indicações ao Oscar, o processo de retomada “se consolida na produção do cinema brasileiro e de como o cinema acompanhava a história do país, pelo menos até a ascensão de Jair Bolsonaro, que chega não com um modelo de construção de país, e sim de demolição, especialmente na área sensível que é a cultura”, descreve Sukman.

O crítico Luiz Zanin Oricchio, contratado pelo jornal “O Estado de São Paulo” em 1990, contou ter sido constrangedoramente pautado pelo veículo para cobrir o Festival de Brasília. “Era uma época de total desprestígio pela produção nacional”, disse, em referência a uma das consequências do enfraquecimento da Embrafilme que levou à sua extinção no governo Collor. “A produção não chegou a cair a zero, mas teve ano em que eram lançados dois ou três filmes brasileiros, com pouquíssima repercussão de público. Praticamente tinha sumido do horizonte”, contou.

As primeiras medidas de incentivo fiscal a partir de 1993 marcaram a chamada Retomada, que desembocaram na Lei do Audiovisual. Em 2003, Zanin publicou o livro “Cinema de Novo: Um balanço crítico da Retomada”, no qual analisava os filmes do período. Na pesquisa, ele detectou o interesse histórico grande dos cineastas e sentiu que falar do passado parecia ter “um bom cacife nos editais”, mas também significava outra coisa. “Esse resgate materializava alguma coisa que estava no ar e era bastante significativo, que era um certo desprezo e deboche em relação à identidade brasileira, um conceito que eu acho muito complicado, e esse deboche aparecia com muita força num filme como ‘Carlota Joaquina’”.

Numa apresentação de viés cronológico e analítico, a pesquisadora Sheila Schvarzman comentou diversos títulos marcantes do ápice da Retomada a adiantarem desconfortos e contradições que desembocaram no atual estado de coisas do Brasil contemporâneo. Entre imagens e descrição de cenas de filmes como “Carlota Joaquina”, “Baile Perfumado”, “Central do Brasil”, “O Que é Isso, Companheiro?”, “Ação entre Amigos” e “Garotas do ABC”, entre outros, Sheila analisou determinadas abordagens de personagens e narrativa. “A gente está falando de agora, são nossos sentimentos que são colocados nesses filmes. Alguns deles apontavam o que nós, estarrecidos e inconformados, vivemos nos dias de hoje. Lá atrás eles já falavam e apontavam alguns aspectos, e nós não enxergávamos, em relação aos rumos do país e da democratização”, apontou Sheila. Elementos como preocupações de retratação histórica, registros de arquivo, usos ingenuamente politizados do imaginário do torturador do regime militar e alguns olhares de retratação histórica foram apontados por Sheila em cenas específicas.

Acompanhe a 16a CineOP e o programa Cinema Sem Fronteiras 2021.

Participe da Campanha #EufaçoaMostra

Na Web: www.cineop.com.br / www.universoproducao.com.br

No Instagram: @universoproducao

No Youtube: Universo Produção

No Twitter: @universoprod

No Facebook: cineop / universoproducao

No LinkedIn: universo-produção

SOBRE A CINEOP

Pioneira desde sua criação (2006), a enfocar a preservação audiovisual, história, educação e a tratar o cinema como patrimônio, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 16a edição, de 23 a 28 de junho de 2021, no formato online e reafirma seu propósito de ser um empreendimento cultural de reflexão e luta pela salvaguarda do rico e vasto patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo.

Estrutura sua programação em três temáticas: preservação, história e educação. Durante seis dias de evento, o público terá oportunidade de vivenciar um conteúdo inédito, descobrir novas tendências, assistir aos filmes, curtir lives musicais, trocar experiências com importantes nomes da cena cultural, do audiovisual, da preservação e da educação, participar do programa de formação que oferece oficinas, masterclasses internacionais e debates temáticos. Tudo de graça pelo site www.cineop.com.br.

Acompanhe a 16a CineOP e o programa Cinema Sem Fronteiras 2021.

Participe da Campanha #EufaçoaMostra

Na Web:www.cineop.com.br / www.universoproducao.com.br

No Instagram: @universoproducao

No YouTube: Universo Produção

No Twitter: @universoprod

No Facebook: cineop / universoproducao

No LinkedIn: universo-produção

SERVIÇO

16a CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

23 a 28 de junho de 2021

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: Instituto Cultural Vale, Cedro Mineração, Cemig|Governo de Minas Gerais

Parceria Cultural: Sesc em Minas, Prefeitura de Ouro Preto, Casa da Mostra e Instituto Universo Cultural

Apoio: Universidade Federal de Ouro Preto, Parque Metalúrgico Augusto Barbosa, Rede Minas, Rádio Inconfidência, Canal Brasil e Café 3 Corações

Idealização e realização: Universo Produção

Secretaria Especial de Cultural / Ministério do Turismo / Governo Federal Pátria Amada Brasil

PROGRAMAÇÃO GRATUITA PELO SITE WWW.CINEOP.COM.BR

  • ABERTURA OFICIAL
  • EXIBIÇÃO DE FILMES – LONGAS, MÉDIAS E CURTAS
  • PRÉ-ESTREIAS E MOSTRAS TEMÁTICAS
  • MOSTRINHA
  • MOSTRA VALORES
  • SESSÕES CINE-ESCOLA
  • ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS
  • ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XIII FÓRUM DA REDE KINO
  • DEBATES, DIÁLOGOS E RODAS DE CONVERSA                                                                    
  • OFICINAS
  • MASTERCLASSES INTERNACIONAIS
  • EXPOSIÇÃO VIRTUAL “MEU CARTÃO POSTAL DE OURO PRETO”
  • PERFORMANCE AUDIOVISUAL
  • SHOWS