ENTRE LIMITAÇÕES FINANCEIRAS E TÉCNICAS E DISCUSSÕES ÉTICAS SOBRE TRATO COM O MATERIAL: DILEMAS DA PRESERVAÇÃO

Pilar absolutamente fundamental na cadeia do audiovisual, a preservação é um dos focos da CineOP, sempre reunindo profissionais do setor para discutirem processos, estudos, perspectivas e desafios. Realizado na tarde de sábado (26/6), o bate-papo “A restauração de obras audiovisuais” contou com a presença de Myrna Brandão, pesquisadora e presidente do CPCB (Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro), que trouxe esse ano à mostra “O País de São Saruê” (1971), primeiro longa-metragem de Vladimir Carvalho que, censurado pela ditadura militar, apenas foi lançado em 1979.

Fruto de trabalho iniciado há duas décadas, a versão restaurada do filme enfrentou os típicos obstáculos da área no país. Uma das coordenadoras do projeto, Myrna contou que nada de muito significativo mudou de 20 anos para agora. “Não temos uma legislação específica para a área de restauração, há a necessidade de mais equipamentos e profissionais, de acesso a documentação relativa ao filme (roteiro, fotos, críticas, cartazes) e de uma regulamentação da profissão de restaurador”, enumerou. Myrna alertou para a importância de a própria classe audiovisual se atentar à preservação como elemento da memória cultural do país e de como as ferramentas digitais devem ser pensadas hoje dentro desses processos.

Mauro Domingues, fotógrafo e arquivista, relembrou alguns momentos marcantes das políticas de preservação, sempre em batalhas individuais à revelia das dificuldades de orçamento e apoio do Estado. Ele descreveu processos de construção de equipamento de restauração nos quais participou e suas experiências em trabalhos desenvolvidos pela Labocine entre 1999 e 2014 junto a acervos de Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Joaquim Pedro Andrade, além de títulos do estúdio Cinédia e sete longas selecionados pelo CPCB. “Tínhamos uma condição política favorável, apesar das dificuldades e da ausência de editais. Contávamos com recursos da Petrobras através de fundos específicos”, frisou Mauro.

Por sua vez, Alexandre Rocha, sócio-diretor da Afinal Filmes, contou a história da empresa especializada em restauração digital que ele fundou e a presença da iniciativa privada numa área sempre tão dependente do poder público. Ele deixou claro que o trabalho exercido pela Afinal não substitui a presença do Estado nos processos de preservação – muito pelo contrário.

“Para determinados tipos de trabalho é importantíssimo e fundamental que se tenham as ferramentas certas, os instrumentos certos, as máquinas certas, e isso quem deveria ter é a Cinemateca, é o MAM, é o CTaV, instituições, cuja responsabilidade é zelar pelo patrimônio histórico brasileiro. Eu entendo que uma empresa jamais vai substituir essas instituições, e sim pode ser perfeita para trabalhar em parceria, com as devidas especializações”, disse Alexandre. Um dos trabalhos de sua empresa foi o resgate de toda a obra da diretora Helena Solberg.

Alexandre também levantou as diferenças entre uma restauração histórica, de materialidade, e a preservação de imagens e sons gravados em determinados tipos de suporte. Como ele trabalha exclusivamente com restauração digital, a questão dizia respeito às urgências de preservação de filmes em deterioração que não podem prescindir de um processo tecnicamente diferente dos tradicionais, sob risco de desaparecer. “Minha provocação é: salva-se a imagem, sob risco de perder o suporte, ou espera-se o suporte ir deteriorando enquanto há o risco de impedir um escaneamento correto?”, questionou, em relação às decisões necessárias para a definição da restauração de alguns conteúdos em pior estado de conservação.

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SOBRE A CINEOP

Pioneira desde sua criação (2006), a enfocar a preservação audiovisual, história, educação e a tratar o cinema como patrimônio, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 16a edição, de 23 a 28 de junho de 2021, no formato online e reafirma seu propósito de ser um empreendimento cultural de reflexão e luta pela salvaguarda do rico e vasto patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo.

Estrutura sua programação em três temáticas: preservação, história e educação. Durante seis dias de evento, o público terá oportunidade de vivenciar um conteúdo inédito, descobrir novas tendências, assistir aos filmes, curtir lives musicais, trocar experiências com importantes nomes da cena cultural, do audiovisual, da preservação e da educação, participar do programa de formação que oferece oficinas, masterclasses internacionais e debates temáticos. Tudo de graça pelo site www.cineop.com.br.

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SERVIÇO

16a CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

23 a 28 de junho de 2021

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: Instituto Cultural Vale, Cedro Mineração, Cemig|Governo de Minas Gerais

Parceria Cultural: Sesc em Minas, Prefeitura de Ouro Preto, Casa da Mostra e Instituto Universo Cultural

Apoio: Universidade Federal de Ouro Preto, Parque Metalúrgico Augusto Barbosa, Rede Minas, Rádio Inconfidência, Canal Brasil e Café 3 Corações

Idealização e realização: Universo Produção

Secretaria Especial de Cultural / Ministério do Turismo / Governo Federal Pátria Amada Brasil

PROGRAMAÇÃO GRATUITA PELO SITE WWW.CINEOP.COM.BR

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  • EXIBIÇÃO DE FILMES – LONGAS, MÉDIAS E CURTAS
  • PRÉ-ESTREIAS E MOSTRAS TEMÁTICAS
  • MOSTRINHA
  • MOSTRA VALORES
  • SESSÕES CINE-ESCOLA
  • ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS
  • ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XIII FÓRUM DA REDE KINO
  • DEBATES, DIÁLOGOS E RODAS DE CONVERSA                                                                    
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  • EXPOSIÇÃO VIRTUAL “MEU CARTÃO POSTAL DE OURO PRETO”
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