FORMAÇÃO DO BRASIL E OS MITOS QUE PERMEIAM A HISTÓRIA SÃO TEMAS DE RODA DE CONVERSA NA 16ª CINEOP

Os filmes Amélia, de Ana Carolina, Carlota Joaquina, de Carla Camurati, e Brava gente brasileira, de Lúcia Murat, estiveram no centro da roda de conversa Revisão dos mitos de formação nesta sexta-feira (25/06). Os três longas, mesmo ficcionais e completamente diferentes, lidam com um tema em comum: o passado do Brasil, principalmente no que diz respeito à colonização e os mitos de formação. Além disso, outro tema central no debate foi a retomada do cinema brasileiro nos anos 1990, depois que o então presidente Fernando Collor de Mello extinguiu a Embrafilme, produtora e distribuidora fundada em 1969.

Dessa forma, Carlota Joaquina é um símbolo do período por ter sido o primeiro filme brasileiro a alcançar mais de um milhão de espectadores depois do fim da instituição. O longa surgiu como um reativador das memórias de Carla Camurati da infância. “Eu não sabia que eu faria um filme sobre Carlota Joaquina. Era uma personagem que eu tinha na memória e que sempre me impressionou na infância”, relembra a cineasta. Ela, então, seguiu a carreira trabalhando como atriz, mas sempre gostou dos bastidores. 

Depois do primeiro curta, decidiu que faria um longa metragem. Assim, queria que fosse uma produção sobre o descobrimento do Brasil. “Então, comecei a estudar e queria fazer um arco do período até a república. Mas quando cheguei na família real, aquele universo começou a mexer comigo, com meu universo infantil. Resolvi aprofundar na Carlota Joaquina”, explica Camurati. Dessa forma, encontrou na linguagem e no aspecto satírico uma maneira de contar a história não exatamente ligada ao que ocorreu de fato, mas sim fazer uma paródia. O sucateamento do cinema nos anos 1990 foi fator decisivo para o tom do filme. “Eu não tinha dinheiro para fazer um filme realista. Não tinha como ficar falando de como o Brasil foi um país maltratado, usurpado. Então eu queria falar disso como uma paródia, em uma comédia”, detalha a realizadora. 

Amélia, de Ana Carolina, foi outra vítima direta do fim da Embrafilme, pois estava em desenvolvimento e precisou, inclusive, mudar a concepção original para chegar às telas. “Eu peguei o ‘grande não’. Foram dez anos recebendo não: não tinha equipamento, não tinha equipe, não tinha nada. Foram anos horrorosos que infelizmente estão se repetindo”, comenta a Ana Carolina. 

De acordo com a diretora, o filme precisou ser diminuído, perdeu a exuberância e volume inicial que tinha como proposta. Da mesma forma, ela aproveitou para colocar na tela o sentimento de que não tinha nenhuma visibilidade como país. O filme é uma ficção inspirada na visita da atriz francesa Sarah Bernhardt ao Brasil em 1905. Assim, a diretora criou uma relação entre ela mesma e Sarah Bernhardt. “Foi só projetar o que ela teve que eu não tive, tudo que ela podia ter, eu não podia. Aquela mulher teve, em determinado momento da vida dela, uma coisa que eu acho que poucas mulheres que vivem na vida das colônias não viverão jamais”, completa Ana Carolina falando sobre liberdade, pertencimento e identidade.

Brava gente brasileira, de Lúcia Murat também trata da relação de um país colônia e o seu colonizador. Entretanto, parte de uma ideia que subverte a história oficial da colonização. A diretora recebeu de um amigo do Mato Grosso um documento que mostrava que a relação dos portugueses com os povos indígenas na região do Forte de Coimbra não foi pacífica, que a mulher indígena não era submissa e que os povos indígenas venceram as batalhas na região. Assim, ela se aprofundou nas pesquisas e realizou uma ficção sobre o contexto histórico da época. “Comecei uma relação com as pessoas daquela região que foi fundamental. Ao mesmo tempo em que eu fazia uma pesquisa histórica, eu ia na reserva, gravava com os povos antigos e fui estabelecendo uma relação de confiança”, relembra Lúcia Murat. Em resumo, o filme fala da questão de conflitos culturais a partir de um roteiro que é uma ficção com traços e trechos da história que de fato ocorreu. 

Dessa forma, os três filmes são símbolos de resistência e marcam choques culturais em diferentes aspectos. Eles resistiram a um período de desmantelamento do cinema brasileiro e contam histórias de força e resistência de personagens fundamentais na história do Brasil. Amélia, Carlota Joaquina e Brava gente brasileira estão disponíveis gratuitamente no site da 16ª CineOP até o dia 28 de junho.

SOBRE A CINEOP

Pioneira desde sua criação (2006), a enfocar a preservação audiovisual, história, educação e a tratar o cinema como patrimônio, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 16a edição, de 23 a 28 de junho de 2021, no formato online e reafirma seu propósito de ser um empreendimento cultural de reflexão e luta pela salvaguarda do rico e vasto patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo.

Estrutura sua programação em três temáticas: preservação, história e educação. Durante seis dias de evento, o público terá oportunidade de vivenciar um conteúdo inédito, descobrir novas tendências, assistir aos filmes, curtir lives musicais, trocar experiências com importantes nomes da cena cultural, do audiovisual, da preservação e da educação, participar do programa de formação que oferece oficinas, masterclasses internacionais e debates temáticos. Tudo de graça pelo site www.cineop.com.br.

Acompanhe a 16a CineOP e o programa Cinema Sem Fronteiras 2021.

Participe da Campanha #EufaçoaMostra

Na Web: www.cineop.com.br / www.universoproducao.com.br

No Instagram: @universoproducao

No YouTube: Universo Produção

No Twitter: @universoprod

No Facebook: cineop / universoproducao

No LinkedIn: universo-produção

SERVIÇO

16a CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

23 a 28 de junho de 2021

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio: Instituto Cultural Vale, Cedro Mineração, Cemig|Governo de Minas Gerais

Parceria Cultural: Sesc em Minas, Prefeitura de Ouro Preto, Casa da Mostra e Instituto Universo Cultural

Apoio: Universidade Federal de Ouro Preto, Parque Metalúrgico Augusto Barbosa, Rede Minas, Rádio Inconfidência, Canal Brasil e Café 3 Corações

Idealização e realização: Universo Produção

Secretaria Especial de Cultural / Ministério do Turismo / Governo Federal Pátria Amada Brasil

PROGRAMAÇÃO GRATUITA PELO SITE WWW.CINEOP.COM.BR

  • ABERTURA OFICIAL
  • EXIBIÇÃO DE FILMES – LONGAS, MÉDIAS E CURTAS
  • PRÉ-ESTREIAS E MOSTRAS TEMÁTICAS
  • MOSTRINHA
  • MOSTRA VALORES
  • SESSÕES CINE-ESCOLA
  • ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS
  • ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XIII FÓRUM DA REDE KINO
  • DEBATES, DIÁLOGOS E RODAS DE CONVERSA
  • OFICINAS
  • MASTERCLASSES INTERNACIONAIS
  • EXPOSIÇÃO VIRTUAL “MEU CARTÃO POSTAL DE OURO PRETO”      
  • PERFORMANCE AUDIOVISUAL
  • SHOWS