DEBATE SOBRE CANAIS COMUNITÁRIOS EXALTA FORMAÇÃO DE IDENTIDADES EM INICIATIVAS POPULARES NA CONTRAMÃO DAS REDES HEGEMÔNICAS

Realizada na tarde de domingo (6/9), a mesa de debate “Cinema, televisão e comunicação popular” discutiu o trabalho de canais comunitários e públicos que, em suas concepções e atuações, se colocaram contra a hegemonia dos grandes veículos de comunicação de massa. Valter Filé, ex-coordenador da TV Maxambomba, relembrou que, entre a segunda metade dos anos 1980 e final dos 1990, a iniciativa do Centro de Criação de Imagem Popular (Cecipe), no Rio de Janeiro, foi fundamental às comunidades da Baixada Fluminense.

“Naquele período, a Maxambomba circulou com uma kombi e equipamento de som e exibição por cidades da periferia do Rio. Essa TV nasceu exatamente no período da redemocratização e me parece que a coisa mais importante nesse contexto é nos perguntarmos ao que ela servia e quais eram seus desafios, considerando seu caráter comunitário”, comentou Valter Filé.

Para ele, a TV Maxambomba se configurou num esforço para reverter o encolhimento do espaço público e o esgarçamento do comum de cada comunidade, ações que tinham sido promovidas pelos canais comerciais de televisão e seus interesses capitalistas e hegemônicos, que invisibilizavam as vivências fora dos grandes centros. “A Maxambomba passou a ser a oportunidade para que os moradores dos bairros pudessem debater coletivamente suas questões a partir de outros lugares e perspectivas que não eram do interesse dos canais consolidados na ditadura civil-militar dos anos anteriores”, completou.

Para Luara Dal Chiavon, da Brigada de Audiovisual Eduardo Coutinho, a criação de um setor de comunicação popular no MST (Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-terra), há duas décadas, foi essencial na massificação e democratização para difundir informações no movimento.

“Quanto mais gente das nossas áreas acampadas dominar a técnica para se comunicar, e essa formação técnica vir junto a uma formação política, mais construímos uma comunicação popular”, exaltou Luara. “Na pandemia, esse processo se intensificou e tentamos fazer com que todo sem-terra seja um agente com intencionalidade política. E sempre quando conseguimos organizar a Brigada, atingimos avanços estéticos nessa produção”.

De sua experiência como coordenador executivo do DocTV, extinto programa federal de incentivo à produção independente destinada a canais de televisão, Paulo Alcoforado contou que o projeto permitia o encontro dos novos realizadores – selecionados em editais estaduais que abarcavam o país inteiro – com veteranos do documentário brasileiro, como Eduardo Coutinho, Geraldo Sarno, Jorge Bodanzky e Maurice Capovilla, no intuito de qualificar ainda mais os conteúdos. “O objetivo era conseguir espaços de difusão e dialogar com novas formas de organização do olhar”, comentou Alcoforado.

A ideia de reorganizar olhares encontrou eco na fala de Valter Filé, que, pela TV Maxambomba, apostava num singular regime de visualidade que formava a identidade dos espectadores, eles mesmos parte integrante das produções. “A gente buscava uma educação do olhar pela identificação e pela maneira como as pessoas se colocavam na relação com o mundo. A Maxambomba tentava ser uma rasura, uma possibilidade de intervenção”, disse.

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