DIRETORES FALAM DAS “CINEMATECAS IMAGINÁRIAS” FORMADAS PELOS FILMES PERDIDOS OU INACABADOS NA HISTÓRIA AUDIOVISUAL BRASILEIRA

Existe uma cinematografia absolutamente oculta na história do audiovisual brasileiro, que é a dos filmes desaparecidos – sejam pela ação da má conservação, pelo sumiço em arquivos abandonados ou por acidentes. São centenas de títulos, especialmente da era pré-sonora, que nunca mais poderão ser vistas. A mesa “Revisão, reconstituição ou reapropriação de filmes interrompidos ou perdidos” reuniu três cineastas que se debruçaram sobre essas memórias perdidas no ímpeto de resgatar parte da nossa história das imagens.

 “Todo mundo que se apaixona e estuda a história do cinema brasileiro vai se deparar com uma pequena catástrofe, que é o número de filmes desaparecidos ou interrompidos”, disse Reinaldo Cardenuto, que codirigiu “Acabaram-se os Otários” com Rafael de Luna Freire. “Diante de tantos títulos que surgem nas nossas pesquisas, a gente cria uma espécie de cinemateca imaginária, com aquilo que nunca teremos condições de assistir porque se perdeu ou nunca foi realmente realizado”.

Reinaldo contou de seu fascínio pela pesquisa de filmes sumidos cujos registros se resumam a fragmentos e material escrito na imprensa ou em documentos guardados. No caso de “Acabaram-se os Otários”, a ambição da dupla de cineastas foi recriar parte do que foi o primeiro longa-metragem sonoro do cinema brasileiro. “Nosso gesto foi tentar reconstituir o que um dia foi esse filme do Luiz de Barros em 1929. Para isso, reunimos todos os vestígios remanescentes, hoje espalhados em 10 ou 12 arquivos pelo país. Assim devolvemos ao espaço público o que teria sido a experiência desse trabalho do Luiz de Barros”.

No caso de Petrus Cariry, o curta “A Jangada de Welles”, correalizado com Firmino Holanda, rememora uma das obsessões da nossa historiografia audiovisual: a estada de Orson Welles (1915-1985) no Brasil, no começo dos anos 1940, para realizar um filme no nordeste. “Mesmo a partir da tetralogia do Rogério Sganzerla e do filme do Dick Wilson sobre o assunto, buscamos preencher algumas lacunas, com enfoque maior na passagem do cineasta por Fortaleza e a relação dele com os jangadeiros”, contou. “Foi um processo de buscar os materiais, reorganizar e fazer uma montagem quase como uma bricolagem, sem perder o foco histórico”.

Feito para o programa DocTV, “Olho de Gato Perdido”, de Vitor Graize, rememora por entrevistas e reencenações um obscuro faroeste supostamente filmado em Super-8 no Espírito Santo em 1975 por um relojoeiro, um lavrador e um soldado. “É um trabalho de investigação sobre a feitura e existência ou não desse filme, já que havia até mesmo dúvidas se de fato ele existiu”, contou Graize, no debate. Foi só em 2017 (quase dez anos depois da realização de seu próprio trabalho) que o diretor conheceu o realizador do tal faroeste, Ailton Claudino de Barros. Na mesma ocaisão, tomou contato com o filme na íntegra, pela primeira vez podendo assistir ao longa-metragem que ele investigara em seu documentário.

SOBRE A 15ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

Idealizada e realizada pela Universo Produção em edições anuais e consecutivas, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é uma mostra audiovisual que estrutura sua programação em três temáticas de atuação: preservação, história e educação. Chega a sua 15ª edição, de 3 a 7 de setembro de 2020, reafirmando o propósito de ser instrumento de reflexão e luta pela salvaguarda do patrimônio audiovisual brasileiro em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo – centra o foco no cinema como patrimônio, na história, memória em interface com o cinema contemporâneo e ações educacionais.

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ATENÇÃO:

Como o formato do evento é digital, convidamos você para seguir a Universo Produção/CineOP nas redes sociais para ficar por dentro de tudo o que vai acontecer nos bastidores da CineOP, acompanhar a evolução e notícias do evento, receber conteúdos exclusivos sobre a 15ª edição da CineOP. Canais e endereços:

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Informações pelo telefone: (31) 3282-2366

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SERVIÇO

15ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto | 3 a 7 de setembro de 2020

Lei  Federal de Incentivo à Cultura

Patrocínio: Petra e Codemge|Governo de Minas Gerais

Parceria Cultural: Sesc em Minas, Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP

Apoio: Café 3 Corações, Rede Minas, Rádio Inconfidência, Instituto Universo Cultural

Idealização e realização: Universo Produção

Secretaria Especial de Cultura | Ministério Do Turismo | Governo Federal

* Sintese da Programação

  • ABERTURA OFICIAL
  • EXIBIÇÃO DE FILMES – LONGAS, MÉDIAS E CURTAS
  • PRÉ-ESTREIAS E MOSTRAS TEMÁTICAS
  • MOSTRINHA
  • MOSTRA VALORES
  • SESSÕES CINE-ESCOLA
  • ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS
  • ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XII FÓRUM DA REDE KINO
  • DEBATES
  • OFICINAS
  • MASTERCLASSES INTERNACIONAIS
  • EXPOSIÇÃO CINEOP 15 ANOS
  • ENCONTROS DE CINEMA | RODAS DE CONVERSA
  • PERFORMANCE AUDIOVISUAL
  • LIVE SHOWS