“TERRA PARA TODO MUNDO E TELA PARA TODO MUNDO”, PEDE AILTON KRENAK NA ABERTURA DA CINEOP

Ailton Krenak e Tadeu Jungle participaram do debate inaugural da 15ª CineOP

Realizada virtualmente, a cerimônia de abertura da 15ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto manteve a cidade histórica mineira como protagonista do evento e celebrou a memória e a preservação como elementos constitutivos de um povo e uma cultura.

Em vídeo transmitido pelos canais da Universo Produção a dezenas de espectadores do Brasil e também no exterior, a CineOP abriu uma edição celebratória com imagens de Ouro Preto e exaltou a saudade dos encontros e dos afetos assim como a importância de, mesmo à distância, ser possível realizar um encontro tão singular como a mostra.

Entre números musicais e textos declamados, o público que acompanhou a exibição de dentro de suas casas pôde conferir a dupla Sérgio Pererê e Mayí entoando canções que dialogaram diretamente com o contexto do Brasil – desde o reconhecimento da cultura negra na nossa formação histórica à atual situação de crise social pela qual passa o país.

O ator Eduardo Moreira recitou trechos das “Cartas Chilenas” (do inconfidente Tomás Antonio Gonzaga) e de escritos da atriz Elisa Lucinda, enquanto Eda Costa e Marcelino Xibil também fizeram intervenções.

Os destaques deste ano na CineOP foram apresentados durante o vídeo: o trabalho da Tvdo, que completa 40 anos desde quando realizaram programas de total fissura para o formato tradicional da TV (que completa sete décadas no país); e o filósofo Ailton Krenak, que vem tendo atuação ativa nas relações entre televisão e cidadania.

Debate Inaugural

No debate inaugural da 15ª CineOP, o produtor e videasta Tadeu Jungle e o filósofo e escritor Ailton Krenak conversaram virtualmente na apresentação das temáticas Histórica e Educação desta edição, que trata do “Brasil de Todas as Telas”. Mediada pelos curadores Francis Vogner dos Reis e Clarisse Alvarenga, a conversa teve como base os 70 anos de televisão no Brasil – não exatamente num sentido de só celebração, e sim de olhar crítico.

Afinal, para Krenak, o maior veículo de comunicação de massa do país “está envenenado” e é preciso, de alguma forma, tomá-lo – através da valorização de suas possibilidades de linguagem e de atuação. O curador Francis Vogner resumiu: “Disputar o território do audiovisual é uma prerrogativa na conquista da democracia”.

Jungle, um dos responsáveis pela Tvdo – produtora de diversos conteúdos subversivos da programação brasileira especialmente nos anos 1980 –, destacou que ainda no começo de seus experimentos audiovisuais, ele adotava o jargão “cinema e/ou TV: tudo depende da tela em que se vê”, ideia que ganhou significativa atualidade com a pandemia e a proliferação de lives e performances em vídeo.

“Naquela época já não víamos as diferenças entre as linguagens. O audiovisual é uma ferramenta de transformação e ainda é a mais eficaz, porque ela é democrática e é uma grande potência na educação. Pode ser uma produção ativista ou um filme de ficção que nos transporta para outro mundo”, afirmou.

Apesar de sua potência, a televisão brasileira faz pouco pela cidadania por estar sob controle de grupos hegemônicos de mídia. Krenak, importante liderança e interlocução da comunidade indígena brasileira, relembrou os anos em que era figura recorrente em programas da TV aberta e falava sobre o genocídio dos guarani em horários diversos das grades de cada canal. “Hoje, esse genocídio continua, então vocês vejam como as coisas foram se dando”, lamentou.

Tadeu Jungle apontou que as novas gerações já chegam ao mundo “com a língua do audiovisual” e é preciso cuidar para que isso se torne, de fato, uma potência e renovação. “Qual o nosso papel nisso? O primeiro movimento, paradoxal, é nos afastarmos da tela e prestar atenção à natureza, ao meio ambiente, onde está nosso futuro. O segundo movimento é oposto: é buscar o afeto através do audiovisual e fazer disso uma luta”, frisou. “O que não podemos é fugir das telas, porque elas já estão aí, então vamos atuar por dentro delas”.

Veja na íntegra a abertura oficial da CineOP e o debate inaugural com Ailton Krenak e Tadeu Jungle.

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SERVIÇO

15ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto

3 a 7 de setembro de 2020

Lei Federal de Incentivo

Parceria Cultural: Sesc em Minas e Universidade Federal de Ouro Preto

Idealização e realização: Universo Produção

Secretaria Especial de Cultura | Ministério do Turismo Governo Federal

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