TELAS E JANELAS: tempo de cuidado, delicadeza e contato

O confinamento colocou em relevo a extrema assimetria de condições sociais, econômicas e de saúde no interior da sociedade brasileira e entre as nações. Por isso queremos afirmar aqui com absoluta convicção: o que está em jogo neste momento são as vidas, as condições dessas vidas. São essas vidas que importam – todas e cada uma delas. Elas estão acima de tudo. Fazer acontecer a Mostra de Cinema de Ouro Preto e o Fórum da Rede Kino significa um esforço coletivo de encontro, agora por meio de uma nova materialidade digital, para tornar público o que sempre foi de todos: a potência do encontro. Essas são nossas certezas. O resto são, fundamentalmente, dúvidas e questionamentos que gostaríamos de compartilhar.

Pretendemos abordar de um modo particular a relação das telas e janelas com este tempo que requer cuidado, delicadeza e outras formas de contato. Talvez como nunca na história, o cinema tenha estado tão presente nas diferentes telas que circulam em boa parte dos espaços, sejam eles domésticos ou públicos. As janelas foram resignificadas, tornando-se um novo marco de enquadramento por onde se vê o mundo de modo direto, mas à distância, e por onde ainda é possível registrá-lo. Tendo seus antecedentes nas vedutas do Renascimento, elas são tão caras ao cinema, como destacara Bazin, pela fabulosa possibilidade de simultaneamente mostrar e ocultar, ver e ser visto. Quando fechadas, elas combinam transparência e reflexo, misturando o dentro e o fora numa outra superfície. Mas há também nelas a possibilidade de repensar esse mirar. Por meio de um gesto similar ao da câmera que enquadra o mundo, as janelas são um outro enquadramento que se sobrepõe aos demais. 

Ora as telas faltam para dar conta da experiência em curso, em outros casos, se multiplicam: seus sons se acoplam, misturam-se. Elas não são quadros negros. Nem sempre são tão coletivas, interativas, leves, nem sempre filtram as propagandas que entram pelas margens, capturando nossas preferências, comportamentos e dados. 

Esperamos incorporar a diversidade de reflexões que as práticas do uso da imagem em nossa sociedade tem gerado tanto no cinema quanto na educação para assim poder problematizar e complexificar os diálogos, apontando para possíveis caminhos em que tenhamos como guias o cuidado e a delicadeza, em tempos em que a presença se faz sentir nas telas e janelas.

Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga
Curadoras – Temática Educação

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DESTAQUE | TEMÁTICA EDUCAÇÃO

Destaque Educação: Ailton Krenak credito Sergio Cohn
Destaque Educação: Ailton Krenak / Crédito Sergio Cohn

A representatividade indígena na televisão e no cinema ainda é baixa. A demarcação de um “território indígena” nas telas é defendida por Ailton Krenak. O escritor, ambientalista e filósofo é destaque na Temática Educação da 15ª CineOP. Ao longo das diversas experiências audiovisuais no cinema, na televisão e nas redes sociais, reconhece – e defende! – a produção e circulação de pautas do movimento indígena. Krenak é uma voz fundamental em debates culturais e políticos. Vai ajudar o público a entender a sua história nas telas dentro da temática Educação da CineOP.

Krenak é uma voz fundamental em debates culturais e políticos.

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DEBATES | TEMÁTICA EDUCAÇÃO

01/09 | terça | 18h

1ª REUNIÃO DE TRABALHO DOS PARTICIPANTES DO ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XII FÓRUM DA REDE KINO (RESTRITO AOS MEMBROS DA REDE KINO)

03/09 | quinta | 20h

DEBATE INAUGURAL – CINEMA DE TODAS AS TELAS

04/09 | sexta | 10h

TV, RÁDIO E VÍDEO NA EDUCAÇÃO

06/09 | domingo | 10h

MÍDIAS NAS ALDEIAS

07/09 | segunda | 10h

UM PLANO DE CINEMA, UM PLANO DE AULA

07/09 | segunda | 14h

2ª REUNIÃO DE TRABALHO DOS PARTICIPANTES DO ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XII FÓRUM DA REDE (RESTRITO AOS MEMBROS DA REDE KINO)

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MASTERCLASSES | TEMÁTICA EDUCAÇÃO

04/09 | sexta | 14h

CINEMA E EDUCAÇÃO: TEMPO DE DELICADEZA

Carlos Skliar

05/09 | sábado | 10h

AS TELAS NAS PEDAGOGIAS DA PANDEMIA

Inés Dussel

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FILMES | MOSTRA EDUCAÇÃO