Em homenagem aos nomes dos tradicionais espaços de exibição da Mostra de Cinema de Ouro Preto – CineOP, a 16a edição apresenta 18 curtas-metragens da Mostra Contemporânea distribuídos nas sessões Cine-Praça, Cine Vila Rica e Cine-Teatro. A seleção inclui documentários que partem de revisitações historiográficas para reescrever o passado do Brasil, ensaios narrados em primeira pessoa que resgatam memórias entre diferentes gerações, além de curtas experimentais que exploram a materialidade das imagens de arquivo.

A sessão Cine-Praça abre com o documentário Ouro para o Bem do Brasil, de Gregory Baltz, que trata da repercussão da campanha criada para estimular doações de bens pela população durante a ditadura militar, com o intuito de erradicar a dívida externa do Brasil. Produzidos coletivamente em oficina no Arquivo Nacional, os curtas Descompostura, de Alline Torres, Anaduda Coutinho, Marcio Plastina e Víctor Alvino; e República do Mangue, de Julia Chacur, Mateus Sanches Duarte e Priscila Serejo, propõem novos olhares para registros fotográficos históricos: o primeiro desarranja a perspectiva de quem vê e quem é visto em fotografias de mulheres negras no pós-abolição e o segundo recupera a disputa e a resistência de mulheres em casas de prostituição na Zona do Mangue, do Rio de Janeiro.

Futebol e política misturam-se ao longo do curta Vai!, de Bruno Christofoletti Barrenha, que busca recuperar a história do Corinthians, durante os 23 anos que ficou sem ganhar um título, em paralelo ao contexto da ditadura militar no Brasil. A sessão encerra com Uma Invenção sem Futuro,de Francisco Miguez, em que a magia do cinema em película é lembrada pelo ponto de vista de três projecionistas.

Curtas Mostra Contemporânea – Sessão Cine-Praça

Na sessão Cine Vila Rica, o realizador cearense Petrus Cariry,em Foi um Tempo de Poesia, resgata imagens de Patativa do Assaré, registradas pelo seu pai, o cineasta Rosemberg Cariry, como uma forma de reconstituir a memória que guarda do grande poeta. Memória Presença, de Gabriel Carneiro, reposiciona retratos antigos de sua avó em imagens atuais de vários ambientes de espaço doméstico. Em Trópico de Capricórnio, a mineira Juliana Antunes reflete sobre si mesma e sua identidade a partir de imagens de infância. Já Novo Rio, de Lorran Dias, parte do registro de uma viagem à cidade natal da mãe do realizador, no interior do Ceará, onde entrecruza lembranças dela com as dos nordestinos que moram na Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

Com apenas uma fotografia, recortes de documentos e registros sonoros, o ensaio Fôlego, de Sofia Badim, é uma homenagem à mãe da realizadora – a atriz Solange Badim, que faleceu em 2017. A relação entre mãe e filha também é o ponto de partida de Pequenas Considerações sobre o Espaço-Tempo, feito durante a pandemia com fotos do álbum de família da diretora Micheline Helena. O Suposto Filmeé um ensaio com diversas imagens registradas, guardadas e revistas pelo mineiro Rafael Conde, que pensa sobre o tempo, a memória e o esquecimento.

Curtas Mostra Contemporânea – Sessão Vila Rica

Durante a pandemia, as realizadoras Adriana Barbosa e Fernanda Pessoa trocam videocartas entre Los Angeles e São Paulo que resultam no documentário Igual/Diferente/Ambas/Nenhuma, que abre a sessão Cine-Teatro. Ruídos de rádio e imagens em preto e branco de banhistas compõem Rocio das Vagas, de Rodrigo Faustini, inspirado pela invenção da atriz austríaca HedyLamarr. O realizador carioca Pedro Tavares experimenta uma narrativa por meio de cartelas a partir de imagens de chegadas e partidas de navios, automóveis, bondes e trens, em Não se PpodeAbraçar uma Mmemória.

Realizado no Instituto de Artes da Unicamp, Desvio, de Flora Nakazone, é um ensaio com filmes caseiros em Super-8 registrados nos anos 1970, no Brasil. De Sergipe, No Verso Tem um Céu, de Jonta Oliveira, acompanha um jovem envolto por memórias que expandem sua consciência da realidade. A sessão termina com Zona Abissal, de Luísa Marques & Darks Miranda, um curta experimental com imagens de fogo e destruição onde sobrevivem seres em pleno colapso do mundo como conhecemos.

Curtas Mostra Contemporânea – Sessão Cine-Teatro

Texto:
Camila Vieira
Curadora