21ª CINEOP HOMENAGEIA A CINEASTA HELENA SOLBERG E REVISITA OS MARCOS INAUGURAIS DAS MULHERES NO CINEMA BRASILEIRO E DA PRESERVAÇÃO AUDIOVISUAL
Publicado em 14 maio 2026Evento com filmes, debates e encontros será realizado na cidade histórica mineira entre 25 e 30 de junho e vai revisitar trajetórias de mulheres cineastas no audiovisual brasileiro, refletir sobre práticas pioneiras de preservação e discutir o cinema como experiência educativa.
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega à sua 21ª edição entre os dias 25 e 30 de junho, na histórica cidade mineira de Ouro Preto, reafirmando seu papel como evento único no calendário cultural brasileiro ao articular preservação, história e educação a partir do audiovisual.
O tema central desta edição é “Um país existe nas imagens que preserva”, proposição que toma o cinema como território privilegiado de construção das identidades culturais, sociais e políticas do Brasil. Partindo da ideia de que um país sem memória também perde as imagens de si mesmo, a CineOP propõe refletir sobre o audiovisual como espaço de registro, disputa e reinvenção das narrativas que nos constituem.
TEMÁTICA HISTÓRICA
“COMO ELAS COMEÇARAM? MEMÓRIAS DO PRIMEIRO FILME”
A Temática Histórica da 21ª CineOP investiga os percursos de mulheres cineastas brasileiras e os contextos em que realizaram seus primeiros filmes, com ênfase nos caminhos até o primeiro longa-metragem. Tomando os anos 1970 como marco histórico do surgimento do que se convencionou chamar de “cinema de mulheres”, a programação buscou obras com personagens femininas fortes e noções do feminino fora de enquadres tradicionais.
Ao mesmo tempo, a curadoria de Cléber Eduardo e Juliana Gusman recua no tempo para recuperar trajetórias antes invisibilizadas ou sub-representadas na historiografia do audiovisual brasileiro. Ao recuperar essas memórias, a CineOP pretende reforçar a importância de reescrever a história dos filmes sob uma perspectiva que reconheça a centralidade das mulheres na construção das imagens e narrativas do país.
A programação reúne obras fundamentais de cineastas como Ana Carolina, Lúcia Murat, Carla Camurati, Tata Amaral, Helena Ignez, Viviane Ferreira, entre outras diretoras de diferentes gerações. Filmes como Feminino Plural (Vera Figueiredo, 1976), que completa 50 anos; Mar de Rosas (Ana Carolina, 1977); Que Bom Te Ver Viva (Lúcia Murat, 1989); Carlota Joaquina (Carla Camurati, 1995); e Um Céu de Estrelas (Tata Amaral, 1996) integram a mostra por evidenciar diferentes momentos e marcos da inserção feminina na direção cinematográfica brasileira.
Diferentes gerações também estarão presentes em rodas de conversa sobre suas experiências individuais, expondo sincronias e dissonâncias entre as distintas décadas de início no longa-metragem e respondendo a questões como: quais as dificuldades e conquistas dessas mulheres até o primeiro longa? Por que escolheram o cinema? Como foram tratadas pelos homens com os quais lidaram em seus inícios?
HOMENAGEM: O CONTRACINEMA DE HELENA SOLBERG
A cineasta carioca Helena Solberg vai ser homenageada na 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, entre 25 e 30 de junho. A celebração integra a temática histórica deste ano no evento dedicado ao cinema como patrimônio, “Como elas começaram? Memórias do primeiro filme”, dedicada a investigar os percursos de mulheres cineastas e os contextos de realização de seus trabalhos de estreia.
Solberg assinou em 1966 “A Entrevista”, considerado o primeiro filme feminista da produção moderna no país e no qual reunia depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo, trabalho e submissão ao marido.
A partir dos anos 1970, radicada nos EUA, Solberg desenvolveu a Trilogia da Mulher, com os filmes “The Emerging Woman” (1974), “The Double Day” (1975) e “Simplesmente Jenny” (1977), produzida pelo International Women’s Film Project, coletivo que ela própria liderava em Washington. Na década seguinte, voltou as câmeras para as ditaduras latino-americanas, com títulos como “Chile, By Reason or By Force” (1983).
No Brasil, a diretora fez o biográfico “Carmen Miranda: Bananas is My Business” (1995) e a adaptação “Vida de Menina” (2003). Mais recentemente retomou o engajamento em “Meu Corpo, Minha Vida” (2017), sobre direitos reprodutivos a partir da história de Jandyra Santos, vítima de aborto clandestino, e “Uma Carta para Beatrice” (2022), no qual revisita a própria trajetória.
TEMÁTICA PRESERVAÇÃO
“PRIMEIROS GESTOS NA PRESERVAÇÃO AUDIOVISUAL: PRÁTICAS, MEMÓRIAS E FUTURO”
A Temática Preservação da 21ª CineOP volta seu olhar ao momento que antecede a institucionalização do campo e investiga as práticas iniciais de guarda, cuidado e valorização que permitiram a sobrevivência de filmes, aparelhos, documentos e suportes hoje constituintes da arqueologia do audiovisual brasileiro.
Antes da consolidação de políticas, instituições e metodologias, foram iniciativas muitas vezes individuais, de reunir, colecionar, conservar, projetar e identificar, que afirmaram o valor histórico e cultural dessas imagens e abriram caminho para a formação da preservação audiovisual como campo de conhecimento e atuação. Ao centrar o debate nesses gestos pioneiros, a curadoria de José Quental e Vivian Malusá propõe refletir sobre a passagem do impulso individual à responsabilidade coletiva de preservar e destaca como essas práticas ajudaram a constituir uma cultura do cuidado.
O 21º Encontro de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros se mantém como espaço central de reflexão e articulação sobre história, memória, política, técnica e atuação em rede e vai reunir profissionais, pesquisadores, colecionadores e instituições. A proposta deste ano parte do entendimento de que preservar não é apenas guardar o passado, mas garantir que ele continue a produzir sentido no presente e que cada gesto de preservação é também um gesto de projeção de futuro.
TEMÁTICA EDUCAÇÃO
“PRIMEIRA VEZ”
A Temática Educação da 21ª CineOP é inpirada no curta cubano – “Por Primera Vez” (Octavio Cortázar, 1967) – no qual estudantes pela manhã e camponeses pela noite têm suas primeiras experiências de assistir a filmes. O instante inaugural desse encontro entre espectadores e imagens em movimento, de surpresa, estranhamento e descoberta, é ponto de partida para refletir sobre a potência do cinema em ambiente escolar.
A proposta da curadoria de Adriana Fresquet e Clarice Alvarenga reconhece que a “primeira vez” não é apenas um fato cronológico, mas uma experiência de encantamento a inaugurar novas formas de ver, sentir e compreender o mundo. Ela pode ser também uma redescoberta quando algo já vivido retorna como novidade.
O material proposta pela Temática Educação evoca episódios marcantes da relação entre cinema e educação no Brasil, como a exibição do cinematógrafo em uma sala de aula em 1896, na Escola Normal Modelo do Maranhão, e a realização de “O Parque” (1963), considerado o primeiro filme produzido por estudantes de educação básica em uma escola pública no Rio de Janeiro e gravado durante as férias de inverno, após curso de iniciação ao cinema ministrado pela professora Maria José Alvarez, na Escola Brigadeiro Schorcht, em Jacarepaguá.
O conceito também dialoga com os 47,1 milhões de estudantes identificados pelo Censo de 2024 que ainda aguardam a regulamentação da Lei Federal 13.006/2014, que prevê a exibição de cinema brasileiro nas escolas. Para as curadoras, cada estudante que ainda não viu um filme na escola guarda consigo a possibilidade de uma primeira vez, de um instante de encantamento capaz de transformar o olhar.
SOBRE A CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
O EVENTO DA PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento do Brasil dedicado ao cinema como patrimônio e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual brasileiro ao articular preservação, história e educação.
Realizada anualmente na cidade histórica de Ouro Preto (MG), promove exibições de filmes, debates, homenagens, oficinas, atividades formativas e encontros estratégicos que reúnem realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes, profissionais de arquivos e o público em geral. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de referência nacional para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e políticas voltadas ao setor.
Toda a programação é gratuita. Mais informações www.cineop.com.br
SERVIÇO
21ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO | 25 A 30 DE JUNHO DE 2026
Praça Tiradentes | Centro de Artes e Convenções da Ufop | Cine-Museu – Anexo do Museu da Inconfidência
LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA
Patrocínio Master: Petrobras
Patrocínio: Vale, Itaú e Caixa
Parceria Cultural: Ministério Público de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte através da Secretaria Municipal de Cultura, Universidade Federal de Ouro Preto, Prefeitura de Ouro Preto
Apoio: Canal Brasil, Casa da Mostra
Corealização: Instituto Universo Cultural
Idealização e Realização: Universo Produção
MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL | DO LADO DO POVO BRASILEIRO
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