PRESERVAR PARA EXISTIR

O patrimônio cultural das imagens é um dos eixos mais importantes da memória e identidade sociocultural de um país – ação estratégica e fundamental para o desenvolvimento de uma nação, portanto, deve integrar a vida social e política do Brasil, que reúne expressivo patrimônio audiovisual, representativo de sua cultura, história, arte e manifestações da sociedade.

Pioneira desde sua criação (2006) a enfocar a preservação audiovisual, memória, história e a tratar o cinema como patrimônio, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 17ª edição, de 22 a 27 de junho de 2022, maior e mais convicta do seu papel –ser um empreendimento audiovisual de reflexão e luta pela salvaguarda do patrimônio audiovisual brasileiro, que contribui com um olhar para a história a partir do contemporâneo, em diálogo com a educação e em intercâmbio com o mundo.

Estrutura sua programação em três Temáticas de atuação: Preservação, História e Educação. Apresenta-se como importante foco irradiador da cultura com a oferta de uma programação abrangente e gratuita que, que nesta edição, propõe como eixo temático Preservar, Transformar, Persistir, com o propósito de gerar reflexão e dar visibilidade às produções realizadas por cineastas indígenas, seus processos de criação, memórias, cotidianos, desafios e aprendizados e a reforçar a importância da memória como perspectiva para o futuro e um desafio à preservação.

Na Temática Histórica, o tema é Cinemas Indígenas: Memórias em Transmissão, que nos convida a investigar a história de imagens e sons produzidos sobre os diferentes povos indígenas e nos questionarmos sobre seu lugar em nosso patrimônio. Na Temática Preservação, o enfoque é Memória Audiovisual Brasileira: Resistência e Resiliência no Tempo,que chama a refletir para o histórico problema da falta de políticas públicas de preservação audiovisual ao longo do tempo e a constante preocupação com a manutenção dos registros, amplificada com a efervescência tecnológica e a fragilidade de arquivos digitais. Já a Temática Educação propõe como tema Cinemas e Educações: Diálogos,com a ideia de pensar que outras relações são possíveis entre cinemas e educações –incluindo seus processos de formação e como são experimentados por diferentes povos.

De volta ao cenário cinematográfico da histórica Ouro Preto, após duas edições online em função da pandemia de covid-19, a 17ª CineOP reúne todas as manifestações da arte em seis dias de programação intensa e gratuita. O público vai poder curtir um cineminha ao ar livre, assistir aos filmes no cinema instalado no Cine-Teatro, participar de debates, encontros, rodas de conversa, masterclasses internacionais, oficinas, Mostrinha, sessões de cine-escola, lançamento de livros, exposição e atrações artísticas em dois espaços ouro-pretanos – o Centro de Artes e Convenções e a Praça Tiradentes.

Uma seleção de 151 filmes em pré-estreias e mostras temáticas, de oito países (Brasil, Argentina, Bolívia, EUA, Israel, Peru, Rússia, Uruguai) e 21 estados brasileiros (AC, AL, AM, AP, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MT, PA, PB, PE, PR, RJ, RR, RS, SC, SP), estão distribuídos em oito mostras –Contemporânea, Homenagem, Preservação, Histórica, Educação, Mostrinha e Cine-Escola, com sessões presenciais e online pela plataforma cineop.com.br.

No centro das homenagens estão dois nomes de destaque na cena audiovisual brasileira: os cineastas M’byas Guaranis Kuaray (Ariel Ortega) e Pará Yxapy (Patrícia Ferreira). Em suas obras, várias delas programadas para a CineOP, Ariel e Patrícia têm dado atenção às novidades culturais de seu povo, sobretudo a partir das conexões tecnológicas e virtuais com a cultura ocidental.

A CineOP promove em suas edições anuais o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, que vai reunir profissionais de vários estados do país com o propósito de debater questões pertinentes à preservação do patrimônio audiovisual digital e, juntamente com a Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) e representantes de instituições de guarda, pensar e despertar novas oportunidades de atuação do setor em diálogo com a educação e com profissionais do audiovisual. A Mostra tornou-se palco de encontros, discussões e decisões do setor de preservação, que clama por atenção e políticas públicas em um mundo hiperacelerado e tecnológico, que muitas vezes se esquece ou negligencia sua própria história.

O evento sedia e promove também o Encontro da Educação: XIV Fórum da Rede Kino (Rede Latino-Americana de Cinema e Educação), que nesta edição pretende se tornar um espaço fecundo de intercâmbio de ideias e vivências a partir da experiência de programas e projetos audiovisuais educativos, exibições de filmes e a participação de profissionais que vão ministrar masterclasses internacionais para compartilhar ações que conectam cinema e educação.

Destacamos também iniciativas que estabelecem diálogo direto com a cidade, beneficiando comunidades, escolas, acadêmicos e instituições sociais. A Mostra Valores promove pela primeira vez a Festa Junina da CineOP, que reúne grupos artísticos e instituições sociais de Ouro Preto para integrar uma ação conjunta que valoriza a arte, o sabor e a tradição num gesto de solidariedade e coletividade. O programa Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema oferece sessões Cine-Escola, debates, lançamento de livros para estudantes e educadores da rede pública de ensino de Ouro Preto e distritos, beneficiando mais de 2.000 alunos;o CineOP nos Bairros é uma ação descentralizada que leva para as comunidades uma programação para beneficiar públicos e bairros diversos. Em 2022, vamos atender o distrito de Antônio Pereira,e a parceria com a Ufop(Universidade Federal de Ouro Preto)abre espaço para alunos e professores nas oficinas, no Encontro de Arquivos e Encontro da Educação, e ainda com a oferta de vagas de estágio para atuar na produção e atendimento ao evento e a disponibilização de conteúdo para exibição na grade da TV Ufop.

A Universo Produção se sente honrada em contribuir para o resgate e a preservação da memória audiovisual e artística do país, de abrir novas janelas de discussões e diálogos entre audiovisual e educação, de dar visibilidade ao trabalho de cineastas indígenas reunindo 35 filmes de 18 povos originários entre 2002 e 2021,de manter o trabalho vivo e contínuo feito com a participação e presença de diversas forças constituintes de uma cinematografia e sua relação política e educativa com o cinema na soma de todos os tempos. 

A todos que compartilham dos nossos ideais, que renovam o compromisso com a cultura, com o patrimônio audiovisual brasileiro, que viabilizam esta edição, em especial ao Instituto Cultural Vale, Cedro Mineração, Sesc em Minas, Prefeitura de Ouro Preto, Cemig|Governo de Minas Gerais,Ufop,Secult, aos profissionais do audiovisual, realizadores e produtores –gênios incansáveis, talentos de memoráveis obras –,aos curadores e equipes de trabalho, pela competência e dedicação, ao público, razão e inspiração que nos faz mover, crescer, persistir, insistir, avançar, fomento para aprimorar sempre, em novos desafios, a nossa gratidão.

Que tenhamos força sempre para fincar nossa bandeira, para que o cinema seja uma escola livre para o pensamento crítico, que não precise corresponder a nenhuma lógica externa de mercado ou às regras que determinem seu formato e suas escolhas. Que as imagens que constituem valores, cultura, ethos de um povo, das civilizações, nações, que as ações de preservação que retratam o modo de vida de uma sociedade e a história e a memória, que são elementos fundamentais na cultura das sociedades, no cenário de um mundo sem fronteiras, em constante processo de transformação, sejam pontes e conexões de processos democráticos na prática do exercício da cidadania.

Vamos juntos fazer da 17ªCineOP um espaço de encontros e convergências de profissionais e instituições, de formas de pensamento e olhares, de representação da preservação, história e educação, visando à cooperação e ao intercâmbio numa atitude coletiva e colaborativa para que novas janelas se abram, caminhos floresçam, obras existam, imagens sejam salvas, posições sejam firmadas, espaços descobertos neste Brasil contemporâneo que precisa da atuação de cada um nós para produzir uma obra de grandeza humana.

CineOP 17 anos.

Preservar, transformar, persistir.

Sejam bem-vindos e bem-vindas!

Raquel Hallak d’Angelo
Quintino Vargas Neto
Fernanda Hallak d’Angelo
Diretores da Universo Produção e Coordenadores da CineOP