A ARTE NÃO PODE SER INSTRUMENTO FRACO NA EDUCAÇÃO BÁSICA, ALERTA CESAR CALLEGARI, PRESIDENTE DO CONSELHO DE EDUCAÇÃO
Publicado em 26 jun 2026O debate “Diretrizes de Artes na Base Nacional Comum Curricular – BNCC”, realizado na tarde de sexta-feira, 26 de junho, na 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, abordou a recente aprovação, pelo Conselho Nacional de Educação, das diretrizes complementares para a presença da arte no currículo escolar, com atenção às linguagens previstas em lei (artes visuais, dança, música e teatro) e ao lugar ainda em disputa do cinema na formação dos estudantes.
Presidente do Conselho, Cesar Callegari afirmou que a aprovação das diretrizes representa um resultado concreto da mobilização de educadores, pesquisadores e profissionais do campo artístico. Disse que o documento complementa a BNCC ao detalhar a presença da arte na educação básica e ao reconhecer a área como campo de conhecimento. “Foi um trabalho de muitas mãos, muitas inspirações e também de muito comprometimento político”, destacou.
Callegari situou o debate em um quadro mais amplo de crise e enfatizou que qualquer discussão sobre currículo precisa considerar as condições reais de aprendizagem e formação docente. Para ele, a arte deve deixar de ocupar uma posição secundária na escola e passar a integrar as propostas curriculares. “A arte não pode mais ser um mero coadjuvante fraco na estrutura curricular educativa”, afirmou.
O presidente do Conselho Nacional de Educação também defendeu a superação da polivalência no ensino de arte, com professores formados especificamente em cada linguagem. Ele ressaltou que a implementação das diretrizes exigirá concursos, carga horária adequada, materiais de apoio, formação inicial e diálogo com espaços culturais.
Ao tratar do cinema, Callegari apontou que a revisão futura da BNCC pode abrir uma nova etapa para sua incorporação mais precisa. “É nesse momento, numa revisão da Base Nacional Comum Curricular, que nós podemos estabelecer todas as orientações metodológicas sobre o uso do cinema, sobre a presença e o papel do audiovisual na aprendizagem completa dos estudantes.”
Professor na Faculdade de Educação da UFF, Francione Oliveira Carvalho chamou atenção à contradição entre o reconhecimento crescente do audiovisual nas políticas educacionais e sua presença ainda frágil na formação de professores. A partir de levantamento em licenciaturas de artes visuais de instituições públicas de Minas Gerais, ele observou que o cinema aparece de modo periférico, geralmente diluído em disciplinas de fotografia, tecnologia, cultura visual ou multimídia. “Em nenhuma dessas instituições foi identificada uma disciplina obrigatória denominada cinema ou linguagem cinematográfica”, afirmou.
Francione destacou ainda outro impasse: enquanto professores de artes visuais muitas vezes não recebem formação suficiente para trabalhar cinema na escola, profissionais licenciados em cinema nem sempre conseguem ser absorvidos pelos concursos das redes públicas. Para ele, a efetivação da Lei 13.006/2014, que prevê a exibição de filmes brasileiros nas escolas, exige mais do que garantir o acesso às obras. “Trata-se de criar condições para que professores e professoras desenvolvam competências relacionadas à análise das imagens, à produção audiovisual, à educação do olhar e às culturas digitais”, disse.
Analice Dutra Pillar, professora da UFRGS, reforçou a importância das diretrizes para afirmar a especificidade das linguagens artísticas e a necessidade de formação docente qualificada. Ela defendeu que o cinema e a linguagem audiovisual sejam incorporados às discussões curriculares por sua presença decisiva na cultura contemporânea e pela capacidade de formar leitura crítica.
“As produções audiovisuais presentes nas mais diversas formas do nosso cotidiano habitam pensamentos e sentimentos e suas leituras envolvem conferir sentido às relações entre o que ouvimos e o que vemos”, refletiu Analice. “Ampliar o repertório audiovisual dos estudantes na escola permite criar experiências de leitura, interpretação e estranhamento diante das imagens, o que torna o cinema uma dimensão fundamental da educação artística”.
SOBRE A CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
O EVENTO DA PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento do Brasil dedicado ao cinema como patrimônio e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual brasileiro ao articular preservação, história e educação.
Realizada anualmente na cidade histórica de Ouro Preto (MG), promove exibições de filmes, debates, homenagens, oficinas, atividades formativas e encontros estratégicos que reúnem realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes, profissionais de arquivos e o público em geral. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de referência nacional para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e políticas voltadas ao setor.
Toda a programação é gratuita. Mais informações www.cineop.com.br
SERVIÇO
21ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO | 25 A 30 DE JUNHO DE 2026
Praça Tiradentes | Centro de Artes e Convenções da Ufop | Cine-Museu – Anexo do Museu da Inconfidência
LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA
Patrocínio Master: Petrobras
Patrocínio: Vale, Itaú e Caixa
Parceria Cultural: Ministério Público de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte através da Secretaria Municipal de Cultura, Universidade Federal de Ouro Preto, Prefeitura de Ouro Preto
Apoio: Canal Brasil, Casa da Mostra
Corealização: Instituto Universo Cultural
Idealização e Realização: Universo Produção
MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL | DO LADO DO POVO BRASILEIRO
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