PARA QUEM ESTÁ APRENDENDO A SENTIR O MUNDO

A curadoria de uma sessão para crianças ou jovens exige mais do que selecionar filmes “adequados” para determinadas faixas etárias. Exige reconhecer o cinema como experiência capaz de tocar percepções em formação, criar vínculos sensíveis com o mundo e despertar modos mais atentos de existir. É a partir desse princípio que o Cine-Expressão constrói sua identidade: uma mostra que se constitui como um espaço de conexão entre cinema, presença e percepção humana.

Com uma programação composta por 15 curtas-metragens – que é configurada de acordo com a faixa etária do público, a partir de critérios que incluem: temática, conteúdo visual, tipos de linguagem, diálogos, e a complexidade da narrativa – o programa reúne obras que transitam entre animação e ficção, sustentando uma relação própria com o tempo, a imagem, o humor, o conflito e a imaginação. Cada sessão é pensada como uma composição viva de ritmos, contrastes, camadas, impactos e sensibilidades, onde diferentes linguagens cinematográficas dialogam entre si, sem reduzir a complexidade da infância e da juventude a abordagens simplificadas.

Considero ser algo bem delicado escolher filmes para quem ainda está aprendendo o mundo, enquanto o mundo está tentando ensiná-los com tanta rapidez, principalmente quando se trata de juventude que, para mim, é sinal de uma percepção intensa, ao mesmo tempo que já é território tocado em suas primeiras camadas de defesa.

Mais do que formar espectadores, o projeto investe naquilo que venho chamando de cultura do interessado: uma relação viva com o cinema, em que assistir deixa de ser um gesto passivo, para tornar-se experiência, descoberta e presença. Isso exige abandonar a ideia de que a juventude precisa ser conduzida e começar a partir do princípio de que já existe algo pulsante ali dentro de cada um.

Tenho percebido que uma das maiores potências do cinema, quando encontra os mais jovens, é justamente a possibilidade de alguém começar a perceber nuances da própria história enquanto assiste à história do outro.

O Cine-Expressão acontece em três etapas em conexão: as sessões de cinema, os debates pós-sessão e o Material de Conexões e Saberes entregue às escolas participantes.

As exibições abrem espaço para o impacto das narrativas; os debates transformam a sala em um território de escuta, troca, acolhimento, presença e pertencimento, onde crianças, jovens e educadores podem existir para além de seus papéis sociais; e o Material de Conexões e Saberes prolonga essa experiência, conectando educação e cultura por meio de práticas que ampliam percepções, vínculos e modos de compreender a si e ao mundo.

No encontro entre cinema e juventude, talvez o mais importante nem seja ensinar a olhar filmes, mas impedir que alguém desaprenda a sentir o mundo.

O Cine-Expressão considera que o cinema pode ser um lugar onde alguém finalmente aprende que sentir profundamente não é fragilidade e, sim presença.

Ramina El Shadai
Curadora

Faixa-etária: 5 a 7 anos 

Sessões:
25 JUNHO | QUINTA | 14H
26 JUNHO | SEXTA | 14H

Entre o som, o gesto, a fabulação e as pequenas descobertas do cotidiano, esta sessão reúne quatro animações que reconhecem a infância como território de imaginação, escuta e invenção de mundo. Em diferentes estilos e atmosferas, os filmes exploram a potência do cinema de animação como linguagem capaz de transformar sensações, ritmos e percepções em experiência sensível. Obras que constroem estados de presença, onde o olhar infantil aparece como forma de perceber, criar e habitar o mundo.

Faixa-etária: 8 a 10 anos 

Sessões:
30 JUNHO | TERÇA | 8H30
30 JUNHO | TERÇA | 14H

Entre ausências, afetos, deslocamentos e descobertas, esta sessão reúne filmes que observam a infância e a adolescência a partir daquilo que pulsa no íntimo dos personagens. Nessa sessão composta por uma animação e três ficções, as obras constroem narrativas sensíveis sobre pertencimento, relações, referências, imaginação e modos de existir no mundo. Em comum, os filmes compartilham um olhar cinematográfico atento aos gestos, aos silêncios e às experiências que moldam a percepção de si e do outro, revelando o cinema como espaço de escuta, memória e invenção sensível da realidade.

Faixa-etária: 11 a 13 anos 

Sessões:
25 JUNHO | QUINTA | 8H30
26 JUNHO | SEXTA | 8H30

Entre ruas, brincadeiras, medos e pequenos enfrentamentos da vida cotidiana, esta sessão reúne filmes que reconhecem a adolescência como experiência intensa de descoberta do mundo. As quatro ficções transitam entre a imaginação, o conflito, a ousadia, o lugar no mundo e a liberdade, construindo narrativas marcadas pelo movimento, pela curiosidade, pelo posicionamento e pelos vínculos afetivos. Em comum, os filmes compartilham um olhar sensível para os modos como adolescentes e jovens experimentam o tempo, o espaço e as transformações ao seu redor.

Faixa-etária: a partir de 14 anos

Sessão:
29 JUNHO | SEGUNDA | 8H30

Esta sessão reúne três curtas que observam os encontros, os limites e os trânsitos internos que marcam a experiência de crescer. Entre tensões afetivas, preconceitos, relações familiares e descobertas silenciosas, as narrativas acompanham personagens em momentos de mudança, quando olhar o outro também transforma a forma de olhar para si. E a forma de olhar para si sustenta muito da forma de olhar o outro. Com delicadeza e precisão, os filmes constroem um cinema atento às emoções contidas, aos vínculos e às fronteiras visíveis e invisíveis que marcam a juventude.