21ª CINEOP EXIBE 135 FILMES EM PRÉ-ESTREIAS, MOSTRAS TEMÁTICAS E COMPETITIVA QUE CELEBRAM A MEMÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO, O OLHAR DE MULHERES CINEASTAS E A RECONFIGURAÇÃO DOS ARQUIVOS

Publicado em 10 jun 2026

Programação da Mostra de Cinema de Ouro Preto reúne obras históricas, filmes contemporâneos em pré-estreia nacional, cópias restauradas e produções voltadas à educação; diversos títulos dialogam com o conceito desta edição — “Um país existe nas imagens que preserva”. Todas as sessões são gratuitas e acontecem em três espaços da cidade, incluindo a Praça Tiradentes, com exibição a céu aberto.

A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que acontece entre os dias 25 e 30 de junho de 2026, vai contar, nos seis dias de realização, com uma seleção de filmes a atravessar diferentes tempos, formatos e experiências, mantendo a característica do evento de tratar o audiovisual como patrimônio. Filmes históricos, produções contemporâneas, obras restauradas, trabalhos realizados em contextos educativos e títulos infantojuvenis compõem a seleção e ajudam a construir um panorama de reafirmação do cinema como instrumento de formação e memória. As sessões dialogam diretamente com as três temáticas que norteiam a CineOP: História, Preservação e Educação.

As sessões acontecem em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com o Cine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pela plataforma www.cineop.com.br. São, ao todo, 135 filmes, sendo 33 longas, 4 médias e 98 curtas divididos em 42 sessões.

A programação reúne filmes de 18 estados brasileiros e de seis países, reafirmando seu papel como espaço de encontro entre diferentes territórios, olhares e cinematografias. Entre os estados representados, destacam-se Rio de Janeiro (29 filmes), São Paulo (21), Minas Gerais (12) e Pernambuco (5), além de produções da Bahia, Paraná, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas, Goiás, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. A programação também inclui obras da Argentina, Colômbia, Uruguai, Bolívia, Estados Unidos e Alemanha.

MOSTRA COMPETITIVA CONTEMPORÂNEA

Pelo segundo ano consecutivo, a CineOP realiza a Mostra Competitiva Contemporânea, intitulada Arquivos em Questão. A seleção reúne cinco longas-metragens em pré-estreia nacional selecionados pelos curadores Cleber Eduardo e Juliana Gusman por compartilharem o uso criativo de imagens de arquivo como elemento estruturador de novas possibilidades de linguagem, estruturação e narrativa. Nestes filmes, os arquivos extrapolam serem registros do passado e aparecem como matéria estética, política e afetiva, com a potência da montagem e da ressignificação.

O júri oficial da mostra Arquivos em Questão vai escolher o melhor filme, que ganha o Troféu Vila Rica, e é formado por Anita Leandro, documentarista e professora de cinema na UFRJ; Gabriela Lima Gomes, professora associada do Departamento de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto, na área de Preservação e Conservação de Bens Culturais; e João Luiz Vieira, professor titular do Departamento de Cinema e Vídeo e do Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A competição é formada pelos seguintes filmes:

“Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas” (Carlos Adriano, SP): ensaio cinepoético que parte do único registro filmado do escritor Marcel Proust para refletir sobre as possibilidades e impossibilidades de adaptação de sua obra monumental.

“Apopcalipse Segundo Baby” (Rafael Saar, RJ): documentário que percorre a trajetória de Baby do Brasil desde os Novos Baianos até a carreira solo. 

“Universo Circular – Jocy de Oliveira” (Dácio Pinheiro, RJ) apresenta o percurso artístico da compositora e pioneira da música eletrônica no país, ainda em atividade aos 90 anos.

“Irritante Prodígio” (Luiza Lindner, SP) investiga os limites entre autobiografia, performance e memória ao revisitar uma infância marcada por longos períodos de internação hospitalar e psiquiátrica. 

“Notas sobre um Desterro” (Gustavo Castro, DF) transforma imagens registradas por uma família brasileiro-palestina na Cisjordânia em uma reflexão sobre deslocamento, colonização e violência.

MOSTRA CONTEMPORÂNEA

Os longas e curtas-metragens em pré-estreia ampliam as discussões sobre memória e trauma, como acontece em “Anistia 79” (Anita Leandro, RJ), que retoma imagens realizadas durante a Conferência Internacional pela Anistia, em Roma, em 1979, e revisita reflexões sobre os crimes da ditadura militar brasileira. “Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário” (Paulo Severo, RJ) recupera materiais inéditos das gravações do disco lançado em 1995 e reconstrói um período decisivo da música brasileira. Outro artista representado nos filmes aparece em “Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha” (Luis Abramo e Pedro Rossi, RJ), dedicado ao realizador do clássico “Viagem ao Fim do Mundo” e ao seu projeto de um cinema poético e radical.

Entre os curtas, com seleção de Rubens Fabricio Anzolin e Camila Vieira, a seleção inclui “Ouro de Tolo Remix” (Gabriel Afonso, MG), “Terceira Montanha” (Tetsuya Maruyama, RJ/EUA/França), “Cinzenta: Inventários da Chaminé” (Natália Reis, MG) e “Sem Título #11: Um Analecto à Mula” (Carlos Adriano, SP), entre outros.

MOSTRA HISTÓRICA E HOMENAGEM

Com o tema “Como Elas Começaram? Memórias do Primeiro Filme”, a Mostra Histórica percorre diferentes gerações de realizadoras brasileiras e revisita os momentos inaugurais de suas trajetórias.

A seleção reúne obras representativas, como “Feminino Plural” (Vera de Figueiredo, RJ), lançado em 1976; “Mar de Rosas” (Ana Carolina, RJ, 1977); “Que Bom Te Ver Viva” (Lucia Murat, RJ, 1989), que articula depoimentos de ex-presas políticas e ficção para refletir sobre as marcas da ditadura; “Um Céu de Estrelas” (Tata Amaral, SP, 1996), drama de violência doméstica concentrado em uma única noite; e “Um Dia com Jerusa” (Viviane Ferreira, SP, 2020).

A homenagem da 21a CineOP é para a cineasta Helena Solberg, cuja filmografia também ganha destaque. A sessão de abertura, na noite de 25 de junho, apresenta “A Entrevista” (1966), considerado um marco do cinema feminista brasileiro, e “Meio Dia” (1970). Entre os títulos programados na homenagem, está “Carmen Miranda: Bananas Is My Business” (1995), que procura devolver complexidade à imagem da artista brasileira internacionalizada por Hollywood.

MOSTRA PRESERVAÇÃO

Composta por versões restauradas de filmes do passado e por obras que refletem sobre a própria atividade de preservar imagens e com curadoria de José Quental e Vivian Malusá, a seção em 2026 tem a exibição de “O Ébrio” (Gilda Abreu, RJ), clássico de 1946 restaurado em 4K e que completa 80 anos desde seu lançamento. O filme, um dos maiores sucessos do audiovisual brasileiro, reafirma a importância da diretora, uma das pioneiras da presença feminina na realização cinematográfica do país.

Também integram a programação “Vento Norte” (Salomão Scliar, RS), drama ambientado em uma comunidade pesqueira do litoral gaúcho, e curtas restaurados como “Jangada de Ir e Vir” (Marcus Vale, CE), de 1977, e “A Luta do Povo” (Renato Tapajós, SP), de 1980, que evidenciam o trabalho e a resistência popular.

Em pré-estreia nacional, “Os Irmãos Segreto” (Michele Manzolini e Federico Ferrone, Itália/Brasil) recupera a trajetória dos irmãos italianos pioneiros do audiovisual brasileiro. Outro destaque é “O Filme Infinito” (Leandro Listorti, Argentina), construído a partir de fragmentos de obras argentinas jamais concluídas e que transforma restos e materiais órfãos em uma reflexão sobre memória e criação.

MOSTRA EDUCAÇÃO

A Mostra Educação, com curadoria de Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga, reúne filmes produzidos em contextos escolares e experiências formativas a partir de estímulos do uso do audiovisual como ferramenta pedagógica e espaço de descoberta. Além de trabalhos de estudantes de várias partes do país, reunidos por integrantes da Rede Kino, serão exibidos alguns longas-metragens: “Fraternura” (Evanize Sydow e Américo Freire), retrato afetivo de Frei Betto e de sua trajetória familiar atravessada pela experiência da prisão durante a ditadura militar; e “Arquivo Vivo” (Vincent Carelli e Ana Carvalho), que revisita quatro décadas do projeto Vídeo nas Aldeias e o retorno das imagens às comunidades indígenas onde foram originalmente realizadas, numa reflexão sobre memória, território e continuidade cultural.

MOSTRINHA E SESSÕES CINE-ESCOLA

Pensando nas crianças e nas famílias que circulam pela CineOP, a Mostrinha vai exibir “A Mensagem de Jequi” (Igor Amin, MG), aventura protagonizada por um menino quilombola que utiliza os rios e a imaginação para levar uma mensagem a outras crianças. Já as sessões Cine-Escola, exclusivas para estudantes da rede de ensino previamente inscritos, reúnem curtas destinados a diferentes faixas etárias. A programação tem “Papagaio Verde” (Anderson Lima, MG), “Pra Morrer Basta Estar Vivo” (Francisco Xavier, ES/MG), “Caracóis” (Bia Lobo, MT), “Carrinho de Rolimã – Uma Aventura em Alta Velocidade” (Rafael Nzinga, PA) e as animações “Tic e o Tigre” (Rafael Guimarães, MG), “Céu de Areia” (Robson Cavalcante e Claudemir Silva, AL), “Tom Tamborim” (Maria Carolina e Igor Souza, BA) e “Trago em Mim Todos os Sonhos do Mundo” (Rodrigo Vulcano e Lucas Lima, SP).

PROGRAMAÇÃO ONLINE

A programação online da 21ª CineOP é acessível gratuitamente de qualquer parte do mundo pela plataforma cineop.com.br. Integram o catálogo digital títulos da Temática Histórica, entre eles dez obras de Helena Solberg, como “A Alma da Gente” (2013) e “Dupla Jornada” (1975); da Temática Preservação, “Herbaria” (Leandro Listorti); além de curtas da sessão TV UFOP, disponíveis de 26 de junho a 5 de julho. Debates, abertura e encerramento também serão transmitidos pelo YouTube da Universo Produção.


SÍNTESE DA PROGRAMAÇÃO

  • ABERTURA OFICIAL
  • EXIBIÇÃO DE FILMES – LONGAS, MÉDIAS E CURTAS
  • PRÉ-ESTREIAS E MOSTRAS TEMÁTICAS
  • HOMENAGEM A HELENA SOLBERG
  • MOSTRINHA DE CINEMA
  • MOSTRA VALORES
  • SESSÕES CINE-ESCOLA
  • 21º ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS
  • ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XVIII FÓRUM DA REDE KINO
  • DEBATES, DIÁLOGOS E RODAS DE CONVERSA
  • OFICINAS
  • MASTERCLASSES INTERNACIONAIS
  • EXPOSIÇÃO
  • LANÇAMENTO DE LIVROS
  • CORTÊJO DA ARTE
  • SHOWS
  • FESTA JUNINA – ARRAIÁ DA CINEOP
  • CINE-CONCERTO DE ENCERRAMENTO
  • PROGRAMAÇÃO ONLINE

SOBRE A CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

O EVENTO DA PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento brasileiro dedicado ao cinema como patrimônio cultural e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual nacional ao articular preservação, história e educação. Realizada anualmente em Ouro Preto (MG), consolidou-se como espaço de referência para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e desenvolvimento de políticas para o setor. Mais do que um festival de cinema, a CineOP é um espaço permanente de construção de conhecimento, valorização do patrimônio audiovisual e fortalecimento da cultura brasileira.

Toda a programação é gratuita. Mais informações www.cineop.com.br

SERVIÇO

21ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO | 25 A 30 DE JUNHO DE 2026

Cine-Praça/Praça Tiradentes | Cine-Teatro Petrobras/ Centro de Artes e Convenções | Cine-Museu / Anexo do Museu da Inconfidência

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

ONDE TEM PATROCÍNIO, TEM GOVERNO FEDERAL

Patrocínio Master: PETROBRAS

Patrocínio: VALE, ITAÚ E CAIXA

Parceria: FUNEMP – FUNDO ESPECIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS/, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ATRAVÉS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA, UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO, PREFEITURA MUNICIPAL DE OURO PRETO

Apoio: CANAL BRASIL, CASA DA MOSTRA, CAFÉ 3 CORAÇÕES, CENTRO DE ARTES E CONVENÇÕES, CTAV

Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL

Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL | DO LADO DO POVO BRASILEIRO