21ª CINEOP REÚNE PESQUISADORES, CINEASTAS E EDUCADORES EM DEBATES SOBRE MEMÓRIA, PRESERVAÇÃO E FORMAÇÃO AUDIOVISUAL
Publicado em 19 jun 2026Encontros, rodas de conversa e masterclasses promovem reflexões sobre primeiros gestos de preservação, memórias de estreia de cineastas brasileiras, experiências entre cinema e educação e desafios da inteligência artificial
Além das sessões de filmes, performances artísticas e lançamentos, a programação da 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, entre 25 e 30 de junho, faz da cidade histórica mineira um espaço de intercâmbio de ideias, formulação de políticas públicas e compartilhamento de experiências. Durante o evento acontece o 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: XVIII Fórum da Rede Kino.
Sob o tema central “Um país existe nas imagens que preserva”, a edição de 2026 da CineOP vai reunir dezenas de especialistas, pesquisadores, artistas, educadores e representantes de instituições públicas em debates, rodas de conversa, apresentações de projetos e masterclasses para dialogar com as três temáticas da Mostra: História, Preservação e Educação.
A programação expande as reflexões em torno das temáticas de cada uma, respectivamente “Como elas começaram? Memórias do primeiro filme”, “Primeiros gestos na preservação audiovisual: práticas, memórias e formação” e “Primeira vez: cinema, descoberta e invenção”, na proposição de pensar o cinema como lugar de construção de identidades, transmissão de memórias e elaboração coletiva do presente.
No dia 26 de junho, às 10h, acontece o debate inaugural “Um País Existe nas Imagens que Preserva”, que abre oficialmente o 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o XVIII Fórum da Rede Kino. A mesa propõe uma reflexão sobre a preservação das imagens como afirmação de identidades e de narrativas coletivas.
Participam da mesa de abertura ; Daniela Fernandes, diretora de Preservação e Difusão Audiovisual da Secretaria do Audiovisual; Frei Betto, escritor e teólogo; Lucia Murat, cineasta; Luciano Campos da Silva, reitor da UFOP; e Marcelo Azevedo Maffra, coordenador estadual das Promotorias de Defesa do Patrimônio Cultural do Ministério Público de Minas Gerais. A mediação é da professora e pesquisadora Laura Bezerra, da UFRB.
Dentro da Temática Preservação, o foco dos debates vai estar sobre os primeiros gestos responsáveis pela constituição da memória audiovisual brasileira e sobre os desafios contemporâneos da guarda e circulação das imagens. Os debates revisitam a atuação de pioneiros da preservação no país, discutem a formação de coleções e acervos, os processos de institucionalização do patrimônio audiovisual e os mecanismos de proteção da produção cinematográfica brasileira.
Questões urgentes do campo também integram os encontros, como o depósito legal das obras audiovisuais, a preservação digital e os impactos das tecnologias emergentes. A mesa “Depósito Legal Audiovisual no Brasil: entre a norma e a preservação real” vai debater os limites e os desafios para transformar a obrigação legal em uma política efetiva de salvaguarda, diante da expansão da produção digital, da diversidade de formatos e da necessidade de garantir condições adequadas de preservação e acesso de longo prazo.
A conversa vai reunir representantes da produção, da regulação e das instituições responsáveis pelos acervos, com participação de Alexandre Melo, diretor colegiado da API; Daniela Mazzilli, diretora da Cinemateca Capitólio; Gabriela Sousa de Queiroz, diretora técnica da Cinemateca Brasileira; Ines Aisengart Menezes, diretora técnica da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA); Leonardo Edde, diretor-presidente da RioFilme; e Patricia Barcelos, diretora da Ancine. A mediação vai ser da professora e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniela Giovana Siqueira.
As transformações a partir da ascensão da inteligência artificial e suas implicações para a organização, restauração e autenticação dos arquivos figuram entre os temas em discussão, assim como as relações entre memória, acesso e reutilização das imagens. Desde o ano passado o assunto tem sido tratado como uma urgência temática, especialmente porque há maneiras de se usar a IA de forma benéfica aos processos, mas também existem barreiras ética ainda em compreensão sobre seus limites.
Num momento em que o armazenamento, a circulação e o processamento da memória audiovisual dependem cada vez mais de infraestruturas tecnológicas concentradas em poucas corporações, a CineOP quer colocar em cena conversar sobre soberania digital, governança de dados e os impactos éticos e políticos da IA sobre o patrimônio cultural. A mesa “Memória Audiovisual, IA e Soberania Digital: Quem Controla os Dados Controla o Futuro?” vai ter Carla Bezerra, assessora especial do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI); Fabio Tzusuki, diretor da Media Portal Soluções; e o sociólogo Sérgio Amadeu, um dos principais pesquisadores brasileiros das relações entre tecnologia e democracia, com mediação do documentarista e pesquisador André Bonfim, associado à PAVIC.
Complementando essa reflexão, o debate “Restauração Audiovisual na Era da IA: O que Muda nos Processos?” discute como as novas ferramentas vêm transformando os métodos de recuperação de imagens e sons e redefinindo as fronteiras entre restauração e criação. Participam Marcelo R. M. Muller, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP; Rebeca Campos, coordenadora técnica de restauração da Cinecolor; o cineasta Tadeu Jungle; e Thiago Belconfine, gerente técnico de pós-produção da Mistika, sob mediação de Drika de Oliveira, coordenadora de Acervos Fílmicos da Cinemateca do MAM Rio.
Esse conjunto das discussões propõe pensar não apenas os ganhos técnicos proporcionados pela inteligência artificial, mas também os limites, as responsabilidades e os modelos de desenvolvimento necessários para garantir a autonomia e a preservação da memória como patrimônio audiovisual.
Por sua vez, atividades da Temática Histórica partem do eixo “Como Elas Começaram? Memórias do Primeiro Filme” e aproxima diferentes gerações de realizadoras brasileiras para discutir os processos de criação de suas obras de estreia e os contextos históricos, culturais e políticos que marcaram essas trajetórias. Autoritarismo, imaginação, poder e representação feminina estão entre os temas que atravessam as conversas.
A homenageada da edição, Helena Solberg, uma das pioneiras da direção cinematográfica feminina no Brasil, participa dos encontros ao lado de cineastas como Lucia Murat, Tata Amaral, Viviane Ferreira, Luna Alkalay e Clarissa Campolina. Os bate-papos colocam em perspectiva filmes realizados em momentos históricos distintos, evidenciando continuidades, rupturas e diferentes modos de invenção das imagens a partir da perspectiva proposta pela curadoria.
O encontro entre Helena Solberg e Lucia Murat vai refletir sobre os enfrentamentos ao autoritarismo e as marcas da memória política, e uma conversa entre Tata Amaral e Viviane Ferreira vai abordar as relações entre cinema e estruturas de poder. Luna Alkalay e Clarissa Campolina devem tratar da imaginação e da fabulação em obras que reinventam os territórios e os destinos de suas personagens femininas. A mediação das rodas é da curadora da Temática Histórica, Juliana Gusman.
Dedicado ao tema “Primeira Vez: Cinema, Descoberta e Invenção”, o XVIII Fórum da Rede Kino concentra suas discussões nas experiências inaugurais do encontro entre cinema e educação. As mesas e apresentações de projetos refletem sobre a formação de espectadores, os vínculos entre audiovisual e território, as práticas de criação em contextos escolares e comunitários e os desafios das políticas públicas voltadas às artes.
Entre os temas em destaque está a presença do cinema na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), pauta que reúne especialistas como a professora da UFRGS Analice Dutra Pillar, o presidente do Conselho Nacional de Educação, Cesar Callegari, e a professora da UFRJ Adriana Fresquet, referência nos estudos sobre cinema e educação no Brasil.
A relação entre memória, território e transmissão de saberes é tema do debate “Das Primeiras Imagens no Passado aos Reencontros no Presente: Arquivo Vivo e os 40 Anos do Vídeo nas Aldeias”, que celebra quatro décadas de uma das mais importantes experiências de produção audiovisual indígena do país. A mesa propõe refletir sobre o retorno das imagens às comunidades onde foram realizadas e sobre a capacidade dos arquivos de se transformarem em instrumentos de fortalecimento cultural e continuidade histórica.
Ao revisitar a trajetória do projeto Vídeo nas Aldeias, o encontro discute os modos pelos quais os registros audiovisuais podem promover reencontros entre gerações e reafirmar as memórias e identidades dos povos originários. Participam o indigenista, documentarista e fundador do Vídeo nas Aldeias, Vincent Carelli, e a documentarista e montadora Ana Carvalho, diretores do longa-metragem “Arquivo Vivo”.
A programação da Temática Educação faz ainda a apresentação de projetos desenvolvidos por estudantes, educadores e pesquisadores de diferentes regiões do país que demonstram andiversidade de experiências entre cinema, escola e território. Organizadas em torno dos eixos “Primeiros Deslocamentos entre Cinema e Território” e “Primeiros Gestos: Experiências de Fabricação de Imagens”, as mesas vão mostrar trabalhos voltados à produção audiovisual em contextos escolares, comunitários e universitários, com práticas de criação coletiva e metodologias diversas.
Na Educação, as atividades formativas da edição incluem quatro masterclasses internacionais e nacionais. Entre elas, a do cineasta, artista e arquivista argentino Leandro Listorti. Diretor de “O Filme Infinito”, exibido na programação da 21ª CineOP, Listorti propõe uma reflexão sobre os vínculos entre preservação e criação, abordando a potência estética dos materiais órfãos, inacabados ou esquecidos e as possibilidades de reinvenção das imagens.
O documentarista e pesquisador mexicano Andre Ortega apresenta “Cinema Comunitário e Práticas Narrativas: Caminhos para Narrar com Dignidade”, dedicada às experiências de realização audiovisual desenvolvidas com mulheres em contextos de vulnerabilidade e violência. Também do México, o professor e pesquisador Gabriel Rodríguez ministra uma masterclass sobre cineclubismo e alfabetização audiovisual, abordando metodologias voltadas à formação de espectadores e à inserção do cinema no ambiente escolar.
Completa a programação o cineasta Lincoln Péricles, fundador da Cinemateca da Quebrada, que compartilha experiências de preservação comunitária e propõe uma reflexão sobre memória, periferia e patrimônio audiovisual popular, evidenciando que os processos de guarda e transmissão das imagens também podem nascer de iniciativas autônomas e coletivas.
Confira a programação completa de debates e rodas de conversa da 21ª CineOP clicando aqui.
SÍNTESE DA PROGRAMAÇÃO
- ABERTURA OFICIAL
- EXIBIÇÃO DE FILMES – LONGAS, MÉDIAS E CURTAS
- PRÉ-ESTREIAS E MOSTRAS TEMÁTICAS
- HOMENAGEM A HELENA SOLBERG
- MOSTRINHA DE CINEMA
- MOSTRA VALORES
- SESSÕES CINE-ESCOLA
- 21º ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS E ACERVOS AUDIOVISUAIS BRASILEIROS
- ENCONTRO DA EDUCAÇÃO: XVIII FÓRUM DA REDE KINO
- DEBATES, DIÁLOGOS E RODAS DE CONVERSA
- OFICINAS
- MASTERCLASSES INTERNACIONAIS
- EXPOSIÇÃO
- LANÇAMENTO DE LIVROS
- CORTEJO DA ARTE
- SHOWS
- FESTA JUNINA – ARRAIÁ DA CINEOP
- CINE-CONCERTO DE ENCERRAMENTO
- PROGRAMAÇÃO ONLINE
SOBRE A CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
O EVENTO DA PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento brasileiro dedicado ao cinema como patrimônio cultural e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual nacional ao articular preservação, história e educação. Realizada anualmente em Ouro Preto (MG), consolidou-se como espaço de referência para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e desenvolvimento de políticas para o setor. Mais do que um festival de cinema, a CineOP é um espaço permanente de construção de conhecimento, valorização do patrimônio audiovisual e fortalecimento da cultura brasileira.
Toda a programação é gratuita. Mais informações www.cineop.com.br
SERVIÇO
21ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO | 25 A 30 DE JUNHO DE 2026
Cine-Praça/Praça Tiradentes | Cine-Teatro Petrobras/ Centro de Artes e Convenções | Cine-Museu / Anexo do Museu da Inconfidência
LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA
ONDE TEM PATROCÍNIO, TEM GOVERNO FEDERAL
Patrocínio Master: PETROBRAS
Patrocínio: VALE, ITAÚ, EMGEA E CAIXA
Parceria: FUNEMP – FUNDO ESPECIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS/, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ATRAVÉS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA, UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO, PREFEITURA MUNICIPAL DE OURO PRETO
Apoio: CANAL BRASIL, CASA DA MOSTRA, CAFÉ 3 CORAÇÕES, CENTRO DE ARTES E CONVENÇÕES, CTAV
Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL
Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO
MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL | DO LADO DO POVO BRASILEIRO