TEÓLOGO FREI BETTO E PROMOTOR MARCELO MAFFRA DEFENDEM A MEMÓRIA COMO DIREITO E INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Publicado em 26 jun 2026

A memória como identidade e condição na construção do futuro esteve nas reflexõesdo escritor e teólogo Frei Betto em sua participação no debate inaugural da 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, na manhã de sexta-feira, dia 26/6. Ao relacionar preservação audiovisual, arte e democracia, ele disse que a sociedade contemporânea vive um processo de perda da percepção histórica, provocado pelo imediatismo e pela lógica do consumo. “Um dos problemas filosóficos fundamentais da atualidade é a ‘desistorização’ do tempo. As novas gerações, por força do capitalismo, têm cada vez menos senso do tempo como história”, afirmou.

Para Frei Betto, o cinema ocupa papel estratégico num contexto de enfrentamento ao preservar acontecimentos, experiências e narrativas que ajudam novas gerações a compreender o país. Citando produções como “Que Bom Te Ver Viva”, de Lucia Murat, e “Batismo de Sangue”, baseado em sua própria vida como militante contra a ditadura militar, o teólogo destacou a capacidade do audiovisual de transformar a memória em experiência coletiva. “O grande mérito do cinema, não só nacional, mas internacional também, tem sido manter viva essa historicidade”. 

Ao comentar Ouro Preto como espaço de realização de um evento dedicado ao audiovisual como patrimônio, o escritor apontou a necessidade de uma revisão crítica da história brasileira e das formas como ela é narrada e argumentou que preservar também significa ampliar perspectivas e disputar os sentidos do passado. Dirigindo-se especialmente aos jovens, Frei Betto afirmou que a preservação da memória é condição para a construção de projetos coletivos de futuro. “Uma sociedade que perde sua historicidade também perde a capacidade de imaginar transformações. É muito importante nos aprimorarmos nas artes em geral, e aqui estamos falando do cinema em particular”.

No mesmo debate, Marcelo Azevedo Maffra, promotor de Justiça e coordenador estadual das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), apontou que a proteção do patrimônio cultural deve ser compreendida como um direito fundamental garantido pela Constituição de 1988. A atuação do Ministério Público, que é parceiro da CineOP através do Funemp (Fundo Especial do Ministério Público), caminhou nos últimos anos de uma lógica centrada apenas na preservação de bens tombados para uma política voltada à valorização, difusão e participação social. “Os direitos fundamentais são construídos num processo histórico de lutas e conquistas e não podem retroceder. São direitos que atingem aqueles que ainda nem nasceram”, disse, relacionando as ações do MPMG ao conceito de preservação. 

Maffra ressaltou que a memória coletiva constitui a base da identidade de uma sociedade e apontou a preservação audiovisual como ferramenta de transmissão dessa herança às futuras gerações. Como exemplos de atuação institucional, citou o apoio do MPMG à digitalização do acervo do Arquivo Público Mineiro e ao financiamento de produções audiovisuais voltadas à história de Minas Gerais. Para ele, iniciativas desse tipo fortalecem o acesso ao patrimônio e ampliam sua função social. “Se o Brasil for um país sem memória, ele também será um país sem identidade”.

O promotor enfatizou que a proteção do patrimônio cultural depende de uma atuação compartilhada entre Estado e sociedade, com comunidades, instituições e agentes públicos assumindo conjuntamente a responsabilidade pela preservação. Em sua percepção, essa mobilização amplia o alcance das políticas culturais e reforça a capacidade do patrimônio de inspirar novas formas de pertencimento e cidadania.


SOBRE A CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO

O EVENTO DA PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO 

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento do Brasil dedicado ao cinema como patrimônio e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual brasileiro ao articular preservação, história e educação. 

Realizada anualmente na cidade histórica de Ouro Preto (MG), promove exibições de filmes, debates, homenagens, oficinas, atividades formativas e encontros estratégicos que reúnem realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes, profissionais de arquivos e o público em geral. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de referência nacional para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e políticas voltadas ao setor.

Toda a programação é gratuita. Mais informações www.cineop.com.br

SERVIÇO

21ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO | 25 A 30 DE JUNHO DE 2026

Praça Tiradentes | Centro de Artes e Convenções da Ufop | Cine-Museu – Anexo do Museu da Inconfidência

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

Patrocínio Master: Petrobras

Patrocínio: Vale, Itaú e Caixa 

Parceria Cultural: Ministério Público de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte através da Secretaria Municipal de Cultura, Universidade Federal de Ouro Preto, Prefeitura de Ouro Preto 

Apoio: Canal Brasil, Casa da Mostra

Corealização: Instituto Universo Cultural

Idealização e Realização: Universo Produção

MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL | DO LADO DO POVO BRASILEIRO 

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Abertura Oficial

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