PRESERVADORES DEFENDEM PAPEL ESTRATÉGICO DO ESTADO NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, EM DEBATE REALIZADO NO DOMINGO
Publicado em 28 jun 2026A inteligência artificial pode se tornar uma aliada da preservação audiovisual, desde que seja desenvolvida sob controle institucional e integrada a políticas públicas de soberania digital. Essa foi uma das principais ideias defendidas por Sheila Mueller, diretora-geral adjunta do Arquivo Nacional, na mesa “Memória Audiovisual, IA e Soberania Digital: Quem Controla os Dados Controla o Futuro?”, realizada na manhã de domingo, 25/6, na CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.
Para a pesquisadora, o desafio não está apenas na adoção de novas tecnologias, mas na capacidade do Estado brasileiro de construir soluções próprias para organizar, interpretar e disponibilizar seus acervos. “A pergunta sobre soberania digital não é abstrata. É uma pergunta sobre se o Estado brasileiro vai ter capacidade institucional para participar dessa transição como sujeito ou se será objeto dela’, apontou.
O encontro integrou o 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e reuniu especialistas para discutir os impactos da inteligência artificial sobre a preservação da memória audiovisual. A mesa abordou temas como a concentração das infraestruturas digitais em grandes plataformas, a governança de dados, a autonomia tecnológica e os desafios de garantir que os acervos públicos permaneçam acessíveis e sob controle nacional.
Nesse contexto, Sheila apresentou iniciativas que utilizam inteligência artificial para ampliar o acesso aos arquivos sem substituir o trabalho técnico desenvolvido por arquivistas e profissionais da preservação. Entre os projetos apresentados estão ferramentas voltadas ao reconhecimento de manuscritos históricos, à descrição automatizada de documentos e ao desenvolvimento de sistemas de pesquisa por linguagem natural, capazes de facilitar a consulta aos acervos por usuários não especializados.
Para a diretora do Arquivo Nacional, essas tecnologias devem funcionar como instrumentos de apoio à organização dos arquivos e à democratização da informação. “A IA atuará como uma camada de mediação entre o usuário e os sistemas de informação, traduzindo perguntas complexas em estratégias de busca”, explicou.
Sheila defendeu que o desenvolvimento da inteligência artificial no campo da preservação depende da construção de infraestrutura tecnológica própria, de investimentos contínuos e da articulação entre instituições públicas e redes de pesquisa. Os acervos documentais também podem servir de base para o desenvolvimento de soluções nacionais de IA voltadas ao setor público e fortalecer a capacidade do país de produzir conhecimento sobre sua própria história.
“Preservar documentos e desenvolver tecnologias não são agendas separadas, mas dimensões complementares de uma política voltada à autonomia tecnológica e à preservação da memória brasileira”, disse a pesquisadora.
SOBRE A CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
O EVENTO DA PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento do Brasil dedicado ao cinema como patrimônio e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual brasileiro ao articular preservação, história e educação.
Realizada anualmente na cidade histórica de Ouro Preto (MG), promove exibições de filmes, debates, homenagens, oficinas, atividades formativas e encontros estratégicos que reúnem realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes, profissionais de arquivos e o público em geral. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de referência nacional para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e políticas voltadas ao setor.
Toda a programação é gratuita. Mais informações www.cineop.com.br
SERVIÇO
21ª CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO | 25 A 30 DE JUNHO DE 2026
Praça Tiradentes | Centro de Artes e Convenções da Ufop | Cine-Museu – Anexo do Museu da Inconfidência
LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA
Patrocínio Master: Petrobras
Patrocínio: Vale, Itaú e Caixa
Parceria Cultural: Ministério Público de Minas Gerais, Prefeitura de Belo Horizonte através da Secretaria Municipal de Cultura, Universidade Federal de Ouro Preto, Prefeitura de Ouro Preto
Apoio: Canal Brasil, Casa da Mostra
Corealização: Instituto Universo Cultural
Idealização e Realização: Universo Produção
MINISTÉRIO DA CULTURA – GOVERNO FEDERAL | DO LADO DO POVO BRASILEIRO
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