Educação

Na Temática Educação, com curadoria de Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga, o enfoque é “Mulheres: terras e movimentos”, e tem o propósito de refletir sobre a atuação das mulheres no campo do Cinema e da Educação, tendo como ponto de partida o vínculo com a terra, com os territórios e espaços que elas ocupam na sociedade. Trazem para o debate Filmes e Projetos Audiovisuais Educativos que abordam os movimentos que as mulheres fazem ocupando desde os lugares específicos onde vivem, no ambiente doméstico, familiar, privado, e também as intervenções que elas empreendem nos espaços públicos, incluindo escolas, cidades, aldeias indígenas, quilombos, organizações da sociedade civil ou instituições públicas, urbanas, do campo, indígenas ou quilombolas.

Sabemos que o Brasil é o quinto país do mundo em número de feminicídios, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Uma em cada três mulheres já sofreu algum tipo de violência, 503 mulheres são vítimas de agressões físicas por hora e ocorre cerca de um estupro a cada 11 minutos. Se passarmos dos dados referentes a violências e abusos à esfera da representação política, podemos observar que, apesar do Brasil ter uma legislação específica para garantir a presença feminina na política, o país ocupa a 152a posição no ranking de 190 países que considera a presença feminina em parlamentos, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018. No campo do Cinema não é diferente. Dados divulgados pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), em 2018, tendo como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016, informam que os homens brancos detêm a direção de 75,4% dos longas. As mulheres brancas assinam a direção de 19,7% dos filmes. Nenhum filme em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra.

Acreditamos que no cotidiano das escolas, por meio do cinema, tenhamos chances de discutir e alterar o contexto de violência, exclusão e invisibilidade, que acompanha as mulheres brasileiras historicamente. O Encontro da Educação deste ano pretende fomentar essa discussão, dedicando atenção para refletir sobre a maneira como, cada uma delas ao seu modo, resiste, interroga ativamente o mundo ao seu redor, aponta para outras formas de fazer, saber e ver, seja em seus territórios ou em seus deslocamentos, movimentos, seja para fora deles ou retornando a eles.